“Razões para ajudar” de Luciano Carlos Cunha

Foi lançado em julho de 2022 o livro “Razões para ajudar: o sofrimento dos animais selvagens e suas implicações éticas”, de autoria de Luciano Carlos Cunha. A obra descreve como é a vida típica dos animais selvagens e discute as implicações éticas decorrentes de sua situação. Os animais selvagens teriam um direito de viver sem interferência humana? Somos moralmente responsáveis apenas por danos decorrentes de práticas humanas? Qual é a força das razões para ajudar os animais nessas situações, em comparação a casos similares em que humanos são as vítimas? Qual é o tamanho do risco de, ao tentar ajudá-los, sem querer tornarmos o cenário ainda pior em longo prazo? O que já vem sendo feito para ajudá-los? Dado os recursos de que dispomos, isso é uma maneira eficiente de reduzir o sofrimento no mundo no futuro?

Uma crítica ao altruísmo eficaz

O altruísmo eficaz é, que eu saiba, a primeira vez que um conjunto substancialmente útil de princípios éticos e estruturas para analisar o efeito que cada um tem no mundo ganhou uma adesão suficientemente ampla para se assemelhar a um movimento social. (Diria que estes princípios são algo como altruísmo, maximização, igualitarismo e consequencialismo; […]). Infelizmente, enquanto movimento o altruísmo eficaz está a falhar na utilização destes princípios para adquirir crenças não triviais correctas sobre como se pode melhorar o mundo.

A defesa do Longotermismo Forte

Se a saga da humanidade fosse um romance, ainda estaríamos na primeira página.
Normalmente, a atenção que prestamos a este facto é pouca e insuficiente. As discussões políticas estão centradas no aqui e agora, concentrando-se no último escândalo ou nas próximas eleições. Quando uma pessoa erudita assume uma perspectiva de “longo-termo”, fala sobre os próximos 5 a 10 anos. Essencialmente nunca pensamos em como as nossas acções de hoje podem influenciar a civilização daqui a centenas de milhares de anos.