Altruísmo Extremo

Devemos deixar de gastar em luxos, para que possamos salvar mais outra vida, dando até o ponto em que nos iríamos tornar tão pobres como aqueles que estamos ajudando?

Meu exemplo de salvar a criança se afogando ecoa no título do recente livro de Larissa MacFarquhar, Strangers Drowning (Estranhos se afogando – Br. A Vida Pelos Outros). A essência do livro é uma série de perfis de pessoas que vivem de acordo com um padrão moral altamente exigente. Vale bem a pena dar uma olhada em algumas das pessoas que MacFarquhar descreve no seu livro.

A psicologia do especismo: como privilegiamos certos animais em vez de outros

Nosso relacionamento com os animais é complexo. Há alguns animais que tratamos bem, cuidamos deles como animais de estimação, damo-lhes nomes e levamo-los ao veterinário quando estão doentes. Outros, em contraste, parecem não merecer esse estatuto privilegiado; são usados como objetos para consumo humano, no comércio, em experiências como sujeitos involuntários, como equipamentos industriais ou como fontes de entretenimento. Cães valem mais do que porcos, cavalos mais do que vacas, gatos mais do que ratos e, de longe, a espécie mais digna de todas é a nossa. Filósofas e filósofos têm-se referido a esse fenômeno de discriminar indivíduos com base na sua pertença a uma espécie como especismo (Singer, 1975). Algumas pessoas têm argumentado que o especismo é uma forma de preconceito análoga ao racismo ou ao sexismo.

Em busca de coerência

Achamos que somos mais coerentes do que somos e, além disso, preferimos seguir tendências de bando do que questionar a sua coerência. Apenas nessa versão simplificada da discussão já temos uma tarefa hercúlea para realizar: diminuir as nossas incoerências com atenção especial àquelas que seguimos por comportamento de bando. Um ponto de partida para isso seria listar as nossas crenças, notar as coerências e incoerências, elencar quais são as mais importantes e tentar agir de maneira coerente com elas. Vamos simular esse procedimento em relação ao altruísmo.

Salvaguardas são essenciais em todos os locais de trabalho, incluindo as ONGs

A onda de alegações e veredictos de má conduta sexual do ano passado, reflecte o comportamento não só em esferas de alta visibilidade como o entretenimento, o sistema político, o desporto e os negócios, mas também no sector sem fins lucrativos, por exemplo, no movimento do bem-estar animal e em instituições de caridade globais. Um exemplo deste último foi recentemente relatado nas notícias de incidentes a envolver funcionários da Oxfam Grã-Bretanha* durante a crise do Haiti (em grande parte também noticiados na altura, em 2011). Mesmo em organizações que se concentram em fazer o bem, é com demasiada frequência que os homens abusam do seu poder, incluindo má conduta sexual.

Nota sobre a má conduta na Oxfam

Esta semana, a Oxfam GB (Grã-Bretanha) foi acusada de encobrir a má conduta por parte de alguns dos seus funcionários, há alguns anos no Chade e no Haiti. As alegações referem-se à má conduta sexual por parte de alguns funcionários (nomeadamente o uso de prostitutas, algumas das quais poderiam ser menores de idade), à alegada falha da Oxfam GB em atender aos avisos/reclamações de outros funcionários sobre problemas no terreno e à alegada falha em relatar adequadamente tais reclamações ao regulador. O regulador, a Comissão de Caridade para a Inglaterra e o País de Gales, iniciou esta semana uma investigação oficial sobre a Oxfam.

Cosmopolitismo

Acredito que este é um rótulo que os altruístas eficazes devem adotar para melhor explicar uma parte fundamental do que é o altruísmo eficaz. Historicamente, tem origem grega significando “mundo” e “cidade”, e está associado a Diógenes de Sinope (c. 404-323 a.C.), que declarou ser um “cidadão do mundo”. Sem aludir a metáforas de cidades globais ou de cidadania, por “cosmopolitismo” refiro-me a uma posição moral e política que dá um peso igual (ou pelo menos quase igual) aos interesses de pessoas de outras nacionalidades e aos dos nossos compatriotas.

Introdução ao Altruísmo Eficaz

A maioria de nós quer fazer a diferença. Vemos o sofrimento, a injustiça e a morte, e somos levados a fazer algo sobre isso. Mas descobrir o que será esse “algo” é um problema difícil, e ainda mais difícil é fazê-lo.

Que causa deve apoiar caso queira realmente fazer a diferença? Quais serão as escolhas de carreira que o ajudarão a fazer uma contribuição significativa? Quais serão as instituições de caridade que usarão as suas doações eficazmente? Se não escolher bem, arriscará perder o seu tempo e o seu dinheiro. Mas se escolher de forma inteligente, tem uma enorme hipótese de melhorar o mundo.