Os problemas do mundo arrasaram-me. Este livro fortaleceu-me.

Este ano, Singer e o seu editor lançaram A Vida Que Podemos Salvar gratuitamente tanto em e-book como em audiolivro. O seu relançamento nestes formatos (após uma actualização em 2019) parece uma boa ocasião para reflectir sobre a influência de longo alcance do livro. Poucos autores podem afirmar que semearam movimentos existentes. Singer, que também é autor do livro seminal Libertação Animal, de 1975, que ajudou a lançar o movimento pelos direitos dos animais, pode agora dizer isso duplamente.

Revisitar A Vida Que Podemos Salvar propiciou mais do que apenas um curso para relembrar o argumento de Singer — a sensação era a de redescobrir princípios essenciais.

Um novo estudo descobriu que dar tratamento desparasitante às crianças ainda lhes traz benefícios 20 anos depois

Este ano, Miguel e Kremer, juntamente com os co-autores, voltaram à amostra original do Quénia na qual descobriram pela primeira vez os impactos das campanhas de desparasitação em massa que potencialmente mudam vidas. Acompanhando os participantes originais 20 anos mais tarde, pretendiam responder à pergunta: Os benefícios que descobriram inicialmente com o tratamento desparasitante na infância — que incluía mais tempo na escola e maior rendimento em adultos — continuam a notar-se?
Num novo artigo publicado em 3 de Agosto, descobriram que sim.

A Covid-19 pode reverter décadas de progresso global

A atenção do mundo, nos últimos dois meses, centrou-se na pandemia do coronavírus, e com razão.
Mas enquanto nos concentramos todos nisso, quais são os outros problemas que estão a ser negligenciados e a piorar?
Os impactos secundários da Covid-19 — incluindo uma possível “pandemia da fome” e um “tsunami de pobreza” — devem ser levados a sério. Os especialistas alertam que o número de mortes que causam pode facilmente ultrapassar o número de mortes da própria Covid-19.

África, até agora, foi poupada do pior do coronavírus. Isso pode mudar em breve.

O continente africano é extremamente vulnerável a um surto em larga escala do coronavírus, mas não apenas da maneira que se possa imaginar.
Os números mais baixos do que outros podem significar que as nações africanas agiram cedo para impedir um surto mais intenso, mas também que houve muito poucos testes nesse continente e que uma população jovem pode não sofrer tão visivelmente como sucede em lugares como a Europa. Por outras palavras, pode haver um surto maior que ainda não foi identificado oficialmente.