Será que a caridade pelos pobres é inútil?

Num artigo publicado no mês passado no The Guardian, 15 economistas – incluindo os premiados com o Nobel Angus Deaton, James Heckman e Joseph Stiglitz – criticaram o que eles chamam de “a moda da «eficácia da ajuda»”, alegando que isso nos leva a ignorar as causas de raiz da pobreza global.

Defendo a avaliação da eficácia da ajuda e o fornecimento de recursos para intervenções que se mostrem altamente custo-eficazes. Para esse fim, fundei a The Life You Can Save, uma organização que reúne evidências sobre quais são as instituições de caridade que proporcionam aos doadores o maior impacto por cada dólar e incentiva as pessoas para que lhes façam donativos.

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Os meninos na gruta

A imensa manifestação de preocupação e compaixão demonstrada pela comunidade mundial durante a provação de 18 dias dos 12 meninos e do seu treinador de futebol presos numa caverna inundada na Tailândia foi emocionante e gratificante. Os recursos financeiros utilizados no resgate também foram significativos.

Em simultâneo com essa generosidade pessoal e institucional, porém, está a nossa falha colectiva em salvar aproximadamente 7 500 crianças menores de cinco anos que morrem todos os dias de doenças evitáveis ​​ou tratáveis.

Poderemos ver o fim da Malária?

Laureado com um Nobel, Baruch Blumberg, outrora estimou que a malária matou metade das pessoas que existiram até hoje. Só em 2015, matou quase meio milhão de pessoas, 70 por cento das quais eram crianças. Hoje, cerca de 3,2 bilhões [Pt. 3,2 milhares de milhões] de pessoas estão, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, em risco de a contrair, a maioria das quais são crianças e mulheres grávidas.

Será realista esperar que esta doença terrivelmente resiliente acabe em breve?

Dois momentos do Altruísmo Eficaz

Imagine que você tem dois filhos. Jorge tem uma doença grave que o faz precisar de tratamento médico frequente. Ana tem uma inteligência acima da média. Você contempla duas opções. Ir para uma cidade que oferecerá uma melhor qualidade de vida para Jorge mas que não tem um sistema de educação capaz de permitir que Ana desenvolva o seu talento, ou ir para onde Ana terá o máximo de assistência para desenvolver suas capacidades ao passo que Jorge não terá boas condições para viver bem.
Diante desse dilema, se você pensa no presente, a melhor escolha é privilegiar Jorge. Se você pensa no futuro, a escolha parece pender para privilegiar Ana. Essa analogia, dentro de suas limitações, ilustra os estágios diferentes do Altruísmo Eficaz que pretendo discutir na sequência.

Nota sobre a má conduta na Oxfam

Esta semana, a Oxfam GB (Grã-Bretanha) foi acusada de encobrir a má conduta por parte de alguns dos seus funcionários, há alguns anos no Chade e no Haiti. As alegações referem-se à má conduta sexual por parte de alguns funcionários (nomeadamente o uso de prostitutas, algumas das quais poderiam ser menores de idade), à alegada falha da Oxfam GB em atender aos avisos/reclamações de outros funcionários sobre problemas no terreno e à alegada falha em relatar adequadamente tais reclamações ao regulador. O regulador, a Comissão de Caridade para a Inglaterra e o País de Gales, iniciou esta semana uma investigação oficial sobre a Oxfam.

Introdução ao Altruísmo Eficaz

A maioria de nós quer fazer a diferença. Vemos o sofrimento, a injustiça e a morte, e somos levados a fazer algo sobre isso. Mas descobrir o que será esse “algo” é um problema difícil, e ainda mais difícil é fazê-lo.

Que causa deve apoiar caso queira realmente fazer a diferença? Quais serão as escolhas de carreira que o ajudarão a fazer uma contribuição significativa? Quais serão as instituições de caridade que usarão as suas doações eficazmente? Se não escolher bem, arriscará perder o seu tempo e o seu dinheiro. Mas se escolher de forma inteligente, tem uma enorme hipótese de melhorar o mundo.

O custo escondido de nos afastarmos da pobreza

O Center for Effective Altruism e os altruístas eficazes activos nos espaços da Internet já há algum tempo se estão a afastar de um interesse pela pobreza para se concentrarem no futuro distante e no trabalho a um meta-nível (e, se não for isso, na defesa da causa animal). Curiosamente, as bases do altruísmo eficaz não parecem ter feito essa mudança (ou pelo menos não a completaram). Em geral, concordo com o CEA e com a comunidade activa na Internet sobre este assunto. Parece-me que é uma mudança suportada por uma fundamentação sólida. No entanto, penso que há motivos para se fazer uma pausa, e considerar algo do que o AE perde ao fazer essa mudança.