O vocabulário moral do Altruísmo Eficaz (1 de 3)

Essa série de ensaios traz um primeiro esforço para tentar mapear o funcionamento do vocabulário moral quando utilizado da perspectiva do altruísmo eficaz. A princípio, o projeto é fazer um tríptico para começar a determinar os sentidos dos termos: bom, dever e correto.

É mais difícil do que se pensa entender o que nós (realmente) queremos dizer ao nos servimos de palavras que sabemos usar perfeitamente. Um bom exemplo é a palavra ‘bom’. O caráter positivo desse adjetivo é óbvio, mas trata-se de um termo tão amplo em aplicação que, muitas vezes, corre o risco de perder o significado por indeterminação.

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Em busca de coerência

Achamos que somos mais coerentes do que somos e, além disso, preferimos seguir tendências de bando do que questionar a sua coerência. Apenas nessa versão simplificada da discussão já temos uma tarefa hercúlea para realizar: diminuir as nossas incoerências com atenção especial àquelas que seguimos por comportamento de bando. Um ponto de partida para isso seria listar as nossas crenças, notar as coerências e incoerências, elencar quais são as mais importantes e tentar agir de maneira coerente com elas. Vamos simular esse procedimento em relação ao altruísmo.

Ajudar como uma obrigação e/ou como uma oportunidade? (3 de 3)

Num primeiro momento vimos alguns conceitos que permeiam a noção moral de obrigação. Em seguida, tratamos da noção de oportunidade. A motivação desses ensaios foi a questão ainda não definida no altruísmo eficaz acerca de como devemos abordá-lo: Seria o altruísmo uma obrigação ou uma oportunidade? Como vimos, ambas as abordagens se encaixam nas práticas dos participantes do movimento. Talvez por isso a maioria declare adotar as duas. No entanto, esse tipo de ecletismo não resolve a questão. Pelo contrário, ele abre mais questões já que a partir disso faz-se necessário definir quais pontos das duas abordagens serão adotados e como eles se relacionarão.