Estamos a ganhar ou a perder contra a COVID-19 (Marc Lipsitch, um reconhecido epidemiologista)

Em Março, o professor Marc Lipsitch — Director do Centro de Dinâmica de Doenças Transmissíveis de Harvard — tornou-se, abruptamente, numa celebridade global, o número de seguidores nas suas redes sociais cresceu 40 vezes e os jornalistas batem à sua porta, enquanto todos vão ter com ele em busca de informações em que possam confiar.

Aqui mostra-nos em que ponto se encontra hoje a luta contra a COVID-19, a razão pela qual está aberto à ideia de contagiar deliberadamente as pessoas com COVID-19 para acelerar o desenvolvimento de vacinas e como podemos melhorar para a próxima vez.

Um médico explica como tomar decisões sobre a Covid-19 quando tanto se desconhece

Este mês, dois clientes de um Target em Los Angeles lutaram com um segurança, e partiram-lhe o braço, quando este tentou pedir que seguissem a política da loja e usassem máscaras. Às vezes, parece que estamos a enfrentar duas batalhas — uma contra o vírus e outra uns contra os outros.
Tornou-se mais difícil distinguir entre informação e desinformação, encontrar uma direcção ou até mesmo saber se estamos a ir na direcção errada.

Por que precisamos de pensar no pior cenário para evitar pandemias

O mundo está na fase inicial do que pode ser a pandemia mais mortal dos últimos 100 anos.
Em que medida uma pandemia poderia ser nociva? Na ficção científica, às vezes encontramos a ideia de uma pandemia tão grave que poderia causar o fim da civilização, ou mesmo da própria humanidade. Tal risco para todo o futuro da humanidade é conhecido como um risco existencial. Podemos dizer com segurança que o novo coronavírus, e a doença chamada Covid-19, não representa esse risco. Mas a próxima pandemia poderia sê-lo?

Temos de acordar: a pecuária industrial cria pandemias

Das 16 estirpes de novos vírus da gripe atualmente identificados pelo Centro de Controle de Doenças como sendo “de preocupação especial”, em 2018, um grupo de cientistas analisou as 39 mudanças antigênicas, que sabemos desempenhar um papel fundamental no surgimento dessas estirpes particularmente perigosas. Os seus resultados provam que “todos, exceto dois desses eventos, foram provenientes de sistemas comerciais de produção de aves”.
[…] Estamos preocupados com a produção de máscaras faciais, mas parecemos despreocupados com as pecuárias industriais que estão a produzir pandemias.

África, até agora, foi poupada do pior do coronavírus. Isso pode mudar em breve.

O continente africano é extremamente vulnerável a um surto em larga escala do coronavírus, mas não apenas da maneira que se possa imaginar.
Os números mais baixos do que outros podem significar que as nações africanas agiram cedo para impedir um surto mais intenso, mas também que houve muito poucos testes nesse continente e que uma população jovem pode não sofrer tão visivelmente como sucede em lugares como a Europa. Por outras palavras, pode haver um surto maior que ainda não foi identificado oficialmente.