O surfista nas Ondas do Oceano

Em “A gota no Oceano”, a primeira desta série de três postagens, vimos como é que as ações pequenas, devido ao seu fator cumulativo, geram consequências relevantes. Em seguida, “As Gotas nas Ondas no Oceano” nos mostraram que as ações pequenas também têm sua relevância aumentada em vista da sua potencialidade de, através do exemplo que dão, influenciarem a mudança de comportamento de outros agentes. Agora, em “O Surfista nas Ondas do Oceano”, o objetivo será de ir além das consequências e tentar examinar o âmbito da motivação humana para se realizar alguma mudança comportamental em vista de fazer a diferença no mundo.

As Gotas nas Ondas do Oceano

Se a soma de ações individuais gera consequências grandes sentidas por todos, é necessário (ou, pelo menos, do interesse do indivíduo) mudar as ações do maior número de indivíduos possível, incluindo a dos atores desproporcionalmente grandes. A questão que se segue é como fazer isso.

A poluição do ar é muito pior do que pensávamos

Dos anos 70 até ao início do século XXI, a luta contra os combustíveis fósseis foi uma luta contra a poluição, especialmente a poluição do ar.
Nas décadas seguintes, a atenção desviou-se para o aquecimento global e os combustíveis fósseis foram maioritariamente recontextualizados como um problema climático.
As provas são, neste momento, suficientemente claras para que se possa afirmar de forma inequívoca: Valeria a pena libertarmo-nos dos combustíveis fósseis mesmo que o aquecimento global não existisse.

A Gota no Oceano

O tamanho das injustiças sociais do mundo costuma provocar uma atitude de descrença face ao nosso impacto. Afinal de contas, o que é que eu, uma única pessoa e nada especial, poderia fazer? A gota no oceano é a imagem evocada para representar essa impotência de ações individuais.
No que se segue vamos analisar essa questão a partir do ponto de vista do indivíduo que não é um grande agente, a fim de ter uma visão mais clara do que podemos e do que devemos fazer enquanto gotas no oceano.

O Precipício: Riscos Existenciais e o Futuro da Humanidade

Neste livro oportuno, Toby Ord defende que há uma probabilidade em seis de que a humanidade irá sofrer uma catástrofe existencial nos próximos 100 anos, e que minimizar esse risco deve ser uma das maiores prioridades a nível global. Vivemos numa época de elevado risco existencial, devido a tecnologias tão poderosas como as armas nucleares, a biotecnologia e a inteligência artificial. Ord chama a esta época “o Precipício”. É uma época insustentável: a humanidade não pode continuar a jogar à roleta russa. A menos que em breve alcancemos um nível muito mais elevado de segurança existencial, iremos destruir-nos.