Uma emergência na saúde global — e o que podemos fazer a esse respeito

Quando sabemos que o sofrimento é evitável e dispomos de evidências sobre como evitá-lo, bem como da capacidade para o fazer sem sacrificar nada de importância comparável, devemos agir.

Estamos num momento crítico para a saúde global.

A The Life You Can Save acaba de publicar o seu novo Relatório sobre o Sector da Saúde 2026–2028: Prioridades Estratégicas para Doações de Alto Impacto. Trata-se de um relatório detalhado com mais de 60 páginas, agora disponível para download no site da The Life You Can Save. O relatório identifica as áreas em que os doadores podem ter um maior impacto na saúde global nos próximos três anos.

Subscrever

Durante a pandemia da COVID-19, a ajuda à saúde global atingiu 80,3 mil milhões de dólares [BR. 80,3 biliões de dólares]. Prevê-se agora que caia para 36,2 mil milhões de dólares [BR. 36,2 biliões de dólares] até 2030. Os Estados Unidos, historicamente o maior doador bilateral para a saúde global, reduziram a sua ajuda à saúde em cerca de 67% em 2025. Os principais doadores europeus seguiram uma direcção semelhante: o Reino Unido reduziu os montantes desembolsados em 39%, enquanto a França e a Alemanha também fizeram cortes substanciais.

A perturbação no financiamento global da saúde expôs a fragilidade dos sistemas dependentes da ajuda governamental. Quando os principais doadores governamentais se retiram repentinamente, as consequências podem ser gravíssimas. As clínicas perdem recursos. As cadeias de abastecimento enfraquecem. Os profissionais de saúde comunitários podem ficar sem apoio. Programas que têm vindo a salvar vidas são interrompidos.

A África Subsariana, a região com a maior concentração de pobreza multidimensional e a maior dependência do financiamento externo para a saúde, já registou uma queda de 25% na ajuda externa à saúde num único ano.

Estes números significam que as crianças não irão receber prevenção contra a malária. Significam que as mães não terão cuidados básicos durante a gravidez e o parto. Significam que as famílias irão perder uma criança devido a uma doença que poderia ter sido evitada.

O relatório prevê que os cortes na ajuda à saúde materno-infantil poderão contribuir para mais 4,5 milhões de mortes entre crianças com menos de cinco anos até 2030, invertendo a tendência descendente que temos vindo a observar nos últimos 20 anos.

Trata-se de uma emergência moral. Mas é também uma razão para agir.


A missão da The Life You Can Save é ajudar a tirar as pessoas da pobreza, mudando a forma como as pessoas pensam e fazem doações para instituições de caridade. Desde 2013, ajudou a canalizar mais de 140 milhões de dólares para instituições de caridade de alto impacto e apoiadas por investigação.

Este novo relatório estabelece a orientação estratégica da The Life You Can Save para as recomendações no sector da saúde de 2026 a 2028. É o primeiro de uma nova série de análises estratégicas. Seguir-se-ão relatórios semelhantes sobre Educação, Meios de Subsistência e Mulheres e Meninas.

O relatório é orientado pelo modelo de avaliação da The Life You Can Save: escala, negligência e solucionabilidade. Em termos simples, isso significa fazer três perguntas. Qual é a dimensão do problema? Está a ser negligenciado por outros financiadores? E conhecemos intervenções que possam trazer progressos reais?

Essa é a forma correta de pensar sobre doações. Devemos querer que as nossas doações ajudem o maior número possível de pessoas.

Um dos principais pontos fortes deste relatório é que ele analisa não só a mortalidade — quantas pessoas morrem — mas também quantas pessoas vivem com doenças, deficiências ou condições crónicas, e qual a gravidade dessas condições. Analisar ambos os aspetos dá-nos uma visão mais completa do verdadeiro peso da doença.

O relatório identifica várias prioridades urgentes. Nos países de baixos rendimentos, mais de metade de todas as perdas de saúde são causadas por doenças transmissíveis, maternas, neonatais e nutricionais. As doenças neonatais, as infeções respiratórias, a malária, as doenças tropicais negligenciadas, a tuberculose e a saúde materno-infantil continuam a ser áreas em que um maior financiamento pode fazer uma grande diferença.

Já conhecemos intervenções que funcionam: prevenção da malária, imunização de rotina, suplementos nutricionais, agentes comunitários de saúde, planeamento familiar, método “mãe canguru” e cuidados de saúde primários básicos. Estas são formas comprovadas de salvar e melhorar vidas.  

Os programas de agentes comunitários de saúde, quando devidamente integrados nos sistemas nacionais de saúde, podem reduzir a mortalidade de crianças com menos de cinco anos num máximo de 27% e a mortalidade infantil num máximo de 33%. Intervenções contra a malária, como redes mosquiteiras tratadas com inseticida de longa duração e quimioprevenção sazonal, podem chegar a dezenas de milhões de crianças a um custo muito baixo.

Ao mesmo tempo, o relatório deixa claro que não podemos pensar apenas em termos de doenças individuais. Os próprios sistemas de saúde precisam de ser reforçados. Uma criança não pode receber tratamento contra a malária se a clínica local não tiver medicamentos. Uma mãe não pode receber cuidados adequados se não houver um profissional de saúde qualificado nas proximidades. Um programa de vacinação não pode ter sucesso se as cadeias de abastecimento falharem.

É por isso que o relatório dá ênfase aos profissionais de saúde comunitários, às cadeias de abastecimento de medicamentos, aos cuidados de saúde primários e à assistência técnica aos governos. Estas medidas podem parecer menos dramáticas do que uma única intervenção que salva vidas, mas são frequentemente o que torna possíveis as intervenções que salvam vidas.


O Fundo Maximize o Seu Impacto da The Life You Can Save foi concebido para permitir que as doações sejam direcionadas para as oportunidades de maior impacto à medida que estas surgem.

Numa altura em que os principais doadores estão a recuar, o financiamento flexível e baseado em evidências é importante. Pode apoiar a força de trabalho que presta cuidados, as cadeias de abastecimento que mantêm os medicamentos disponíveis e os sistemas de cuidados de saúde primários que tornam a prevenção e o tratamento possíveis em grande escala.

A questão moral é simples.

Quando sabemos que o sofrimento e a morte são evitáveis, e quando temos evidências sobre como os prevenir, bem como a capacidade de o fazer sem sacrificar nada de importância comparável, devemos agir.

O Relatório do Setor da Saúde 2026–2028 completo já está disponível no site da The Life You Can Save. Recomendo que o leiam.

E convido-vos a fazerem hoje um donativo à The Life You Can Save — especialmente através do Fundo Maximize o Seu Impacto — para que a sua doação seja canalizada para onde os dados indicam que poderá fazer o maior bem.

Leia o Relatório do Setor da Saúde na íntegra

Faça um donativo à The Life You Can Save

Subscrever



Descubra mais sobre Altruísmo Eficaz

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe um comentário