Altruísmo Extremo

Devemos deixar de gastar em luxos, para que possamos salvar mais outra vida, dando até o ponto em que nos iríamos tornar tão pobres como aqueles que estamos ajudando?

Meu exemplo de salvar a criança se afogando ecoa no título do recente livro de Larissa MacFarquhar, Strangers Drowning (Estranhos se afogando – Br. A Vida Pelos Outros). A essência do livro é uma série de perfis de pessoas que vivem de acordo com um padrão moral altamente exigente. Vale bem a pena dar uma olhada em algumas das pessoas que MacFarquhar descreve no seu livro.

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Salvaguardas são essenciais em todos os locais de trabalho, incluindo as ONGs

A onda de alegações e veredictos de má conduta sexual do ano passado, reflecte o comportamento não só em esferas de alta visibilidade como o entretenimento, o sistema político, o desporto e os negócios, mas também no sector sem fins lucrativos, por exemplo, no movimento do bem-estar animal e em instituições de caridade globais. Um exemplo deste último foi recentemente relatado nas notícias de incidentes a envolver funcionários da Oxfam Grã-Bretanha* durante a crise do Haiti (em grande parte também noticiados na altura, em 2011). Mesmo em organizações que se concentram em fazer o bem, é com demasiada frequência que os homens abusam do seu poder, incluindo má conduta sexual.

Nota sobre a má conduta na Oxfam

Esta semana, a Oxfam GB (Grã-Bretanha) foi acusada de encobrir a má conduta por parte de alguns dos seus funcionários, há alguns anos no Chade e no Haiti. As alegações referem-se à má conduta sexual por parte de alguns funcionários (nomeadamente o uso de prostitutas, algumas das quais poderiam ser menores de idade), à alegada falha da Oxfam GB em atender aos avisos/reclamações de outros funcionários sobre problemas no terreno e à alegada falha em relatar adequadamente tais reclamações ao regulador. O regulador, a Comissão de Caridade para a Inglaterra e o País de Gales, iniciou esta semana uma investigação oficial sobre a Oxfam.

Como a GiveWell e os decisores políticos convencionais comparam o “bem” alcançado por diferentes programas

… a GiveDirectly, uma das sete melhores instituições de caridade da GiveWell, aumenta o consumo de quem é ajudado, enquanto o principal benefício que vemos na nossa melhor instituição de caridade, a Against Malaria Foundation, é que esta evita a morte de crianças pequenas. Como é que se pode fazer uma comparação direta entre a quantidade de “bem” alcançada por cada uma destas instituições de caridade?

Ajudar como uma obrigação e/ou como uma oportunidade? (3 de 3)

Num primeiro momento vimos alguns conceitos que permeiam a noção moral de obrigação. Em seguida, tratamos da noção de oportunidade. A motivação desses ensaios foi a questão ainda não definida no altruísmo eficaz acerca de como devemos abordá-lo: Seria o altruísmo uma obrigação ou uma oportunidade? Como vimos, ambas as abordagens se encaixam nas práticas dos participantes do movimento. Talvez por isso a maioria declare adotar as duas. No entanto, esse tipo de ecletismo não resolve a questão. Pelo contrário, ele abre mais questões já que a partir disso faz-se necessário definir quais pontos das duas abordagens serão adotados e como eles se relacionarão.

Ajudar como uma obrigação e/ou como uma oportunidade? (2 de 3)

No altruísmo eficaz há uma certa questão em aberto se o altruísmo deve ser visto como uma obrigação ou uma oportunidade. Na primeira postagem discutimos alguns conceitos centrais à noção de obrigação e começamos a pensá-los a partir da posição do altruísmo eficaz. Agora é a vez de fazer o mesmo para a oportunidade. A terceira etapa será uma conclusão a partir das lições extraídas da reflexão anterior.

Ajudar como uma obrigação e/ou como uma oportunidade? (1 de 3)

Há uma variação entre ver o altruísmo eficaz como uma oportunidade ou uma obrigação de ajudar. No censo de 2015 34% consideravam-no como uma oportunidade, 21% como uma obrigação e 42% como ambos. Nessa série de três artigos vamos explorar mais a fundo algumas características das noções de obrigação e da oportunidade em vista da doação e ajuda de terceiros. Nos dois primeiros artigos vamos nos concentrar nas noções de obrigação e oportunidade, respectivamente. As conclusões reunidas nessas etapas fomentarão a reflexão final sobre encarar o altruísmo como uma obrigação e/ou oportunidade.