O que aconteceu com a IA em 2024?

O que aconteceu com a IA em 2024? (Arte digital: José Oliveira | Fotografia: Xu Haiwei)

A ideia desta semana: apesar das alegações de estagnação, a investigação em IA continuou a avançar rapidamente em 2024

Há quem diga que a investigação em IA atingiu o seu ponto mais alto. No entanto, muitos indícios obtidos no último ano apontam na direcção oposta:

  • Foram desenvolvidas e surgiram novas capacidades;
  • A investigação indica que a IA existente pode acelerar o progresso científico.

E, ao mesmo tempo, foram publicadas importantes conclusões sobre a segurança e o risco da IA (ver abaixo).

Os avanços da IA poderão, eventualmente, vir a estagnar. Alguns especialistas nesta área alertaram para o facto de a falta de dados de qualidade, por exemplo, poder impedir um maior crescimento das capacidades, embora outros discordem. Seja como for, é evidente que o crescimento ainda não parou.

Entretanto, a previsão agregada no Metaculus de quando veremos o primeiro sistema de IA “geral” — que seria altamente capaz numa vasta gama de tarefas — é o ano 2031.

Tudo isto é extremamente relevante, pois a IA apresenta, potencialmente, riscos existenciais. Pensamos que garantir que a IA corre bem é um dos maiores e mais prementes problemas do mundo.

Se a IA continuar a avançar rapidamente, este trabalho será não só importante, mas também urgente.

Eis alguns dos principais desenvolvimentos no domínio da IA no último ano:

Novos modelos e capacidades de IA

A OpenAI anunciou, no final de Dezembro, que o seu novo modelo o3 conseguiu um grande avanço em termos de capacidades. Este baseia-se no modelo de linguagem o1 (também lançado em 2024), que tem a capacidade de deliberar sobre as suas respostas antes de responder. Com esta capacidade mais avançada, foi divulgado que o o3:

  • Obteve uma pontuação revolucionária de 87,5% no ARC-AGI, um teste concebido para ser particularmente difícil para os principais sistemas de IA; 
  • Ultrapassou as fronteiras da engenharia de software de IA, obtendo uma pontuação de 71,7% num parâmetro de referência chave utilizando tarefas reais, em comparação com a precisão de 48,9% do o1; 
  • Obteve uma pontuação de 25% num novo (e extremamente difícil) teste de referência FrontierMath — enquanto os principais modelos de IA anteriores não conseguiam ultrapassar os 2%.

Pontuações no teste de referência ARC-AGI dos modelos da OpenAI desde 2019. Gráfico de Riley Goodside da ScaleAI.

Embora ainda não tenha sido lançado publicamente, parece claro que o3 é o modelo de linguagem mais capaz que já vimos. Apesar de ainda apresentar muitas limitações e fraquezas, este modelo desafia as alegações de que o progresso da IA estagnou em 2024.

Pode ser o avanço mais impressionante do ano, mas 2024 também trouxe muitos outros desenvolvimentos importantes:

  • A geração de vídeos com IA registou um avanço significativo, com a OpenAI a lançar o Sora para utilização pública e a Google DeepMind a lançar o Veo;
  • A Anthropic apresentou a funcionalidade de o seu chatbot Claude usar o computador do utilizador de acordo com as suas instruções;
  • A Google DeepMind lançou o AlphaFold 3 — um sucessor de um sistema de IA vencedor do Prémio Nobel — que pode prever como as proteínas interagem com o ADN, o ARN e outras estruturas ao nível molecular;
  • Os sistemas de IA estão cada vez mais aptos a receber dados áudio e visuais, bem como grandes volumes de texto, ao mesmo tempo que interagem com os utilizadores através de tecnologia de voz;
  • Ao combinar os modelos AlphaProof e AlphaGeometry 2, a Google DeepMind conseguiu utilizar a IA para alcançar a medalha de prata nas Olimpíadas Internacionais de Matemática;
  • A empresa chinesa DeepSeek afirmou que o seu modelo mais recente custou apenas 5,5 milhões de dólares para ser treinado — uma redução drástica face aos 100 milhões de dólares que a OpenAI gastou a treinar o GPT-4, com capacidades comparáveis.

Poderíamos incluir muito mais coisas nesta lista! Não ficaremos surpreendidos se, em 2025 e 2026, houver muitos mais avanços significativos nas capacidades de IA.

A ajuda da IA na ciência

Estudos recentes indicam que a IA pode ajudar a acelerar o progresso científico, incluindo a própria investigação sobre a IA:

As moléculas descobertas pela IA parecem ter mais probabilidades de passar a fase 1 dos ensaios clínicos.

O METR descobriu que, numa janela de tempo limitada, os grandes modelos de linguagem (LLM) podem superar os seres humanos numa amostra de tarefas de engenharia de investigação de aprendizagem de máquina (ML).   

Alguns desenvolvimentos importantes na investigação sobre riscos e segurança da IA

Entretanto, assistimos a um misto de resultados encorajadores e preocupantes na investigação sobre a segurança da IA. Eis algumas das publicações importantes deste ano:

O que você pode fazer

Estes desenvolvimentos demonstram o ritmo acelerado e os potenciais riscos do avanço da IA. Para ajudar, você pode:

Recomendamos ainda que consulte as publicações recentes do nosso fundador, Benjamin Todd, sobre:

Tencionamos continuar a abordar este tópico no próximo ano e não ficaríamos surpreendidos se assistíssemos a muitas outras mudanças e desenvolvimentos importantes em matéria de IA. Continue a acompanhar-nos e considere a possibilidade de partilhar esta informação com os seus amigos, reencaminhando este e-mail caso o considere útil.

Mais informação:



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