Como roubaram 1 milhão aos mais pobres? [Breves do AE] 

O que deve fazer uma organização humanitária quando é vítima de fraude ou de roubo? Deve manter o silêncio, para não arriscar perder a confiança dos seus doadores? Ou, por outro lado, deve ser o mais transparente possível, na esperança de, ao ter uma atitude mais honesta do que a maioria das outras organizações, conseguir manter (ou até reforçar!) a confiança dos seus doadores? Face a este dilema, a GiveDirectly, uma organização humanitária que faz transferências de dinheiro directamente para os mais pobres, decidiu arriscar pela transparência ao anunciar (por sua iniciativa) que tinha sido vítima de fraude, e que tinham roubado quase 1 milhão de dólares aos pobres que pretendia ajudar na República Democrática do Congo (RDC).

Será que a caridade deve começar em casa?

Um princípio da doação eficaz é que o seu dinheiro pode geralmente fazer um bem maior quando faz doações para os lugares mais pobres do mundo. Por exemplo, Will MacAskill, um co-fundador do altruísmo eficaz e da Giving What We Can, calcula que o seu dinheiro fará cerca de 100 vezes um bem maior ao “beneficiar os extremamente pobres”, do que ao “beneficiar o cidadão típico dos Estados Unidos”

Temos de ser muito claros: a fraude ao serviço do altruísmo eficaz é inaceitável  

Preocupo-me profundamente com o futuro da humanidade — mais do que me preocupo com qualquer outra coisa no mundo. E acredito que o Sam e outros na FTX partilhassem dessa preocupação com o mundo.

No entanto, se alguma pessoa hipotética tivesse vindo ter comigo há vários anos e perguntado “Será que vale a pena cometer fraudes para enviar milhares de milhões [Br. bilhões] de dólares para causas eficazes”, eu teria dito inequivocament