“Razões para ajudar” de Luciano Carlos Cunha

Foi lançado em julho de 2022 o livro “Razões para ajudar: o sofrimento dos animais selvagens e suas implicações éticas”, de autoria de Luciano Carlos Cunha. A obra descreve como é a vida típica dos animais selvagens e discute as implicações éticas decorrentes de sua situação. Os animais selvagens teriam um direito de viver sem interferência humana? Somos moralmente responsáveis apenas por danos decorrentes de práticas humanas? Qual é a força das razões para ajudar os animais nessas situações, em comparação a casos similares em que humanos são as vítimas? Qual é o tamanho do risco de, ao tentar ajudá-los, sem querer tornarmos o cenário ainda pior em longo prazo? O que já vem sendo feito para ajudá-los? Dado os recursos de que dispomos, isso é uma maneira eficiente de reduzir o sofrimento no mundo no futuro?

Animais Selvagens Porquê?

O número de animais selvagens excede de longe o número combinado de seres humanos, animais da pecuária, animais de estimação e animais em laboratórios. Infelizmente, muitos animais selvagens — possivelmente a vasta maioria — vivem vidas muito curtas e sofrem mortes dolorosas. Os números estimados de animais no mundo sugerem que os animais selvagens experienciam mais prazer e dor do que os seres humanos ou os animais domésticos.

O Sofrimento nos Animais vs. Humanos

Há um amplo consenso de que pelo menos os animais mais desenvolvidos podem ter consciência do seu sofrimento. Mesmo que tivéssemos dúvidas sobre este fato, isso não afetaria muito os nossos cálculos do valor esperado, pois os animais são bem mais numerosos do que os seres humanos. Às vezes se afirma que os seres humanos sofrem mais intensamente do que os animais por terem experiências emocionais mais profundas, mas penso que a própria dor em bruto representa uma fração não trivial da severidade total do sofrimento e, mesmo se contássemos menos a dos animais, mais uma vez isso não afetaria muito os cálculos (devido à sua quantidade).

Resumo da pesquisa: A experiência subjetiva do tempo

Se você já teve a infelicidade de sofrer um acidente de carro, de lutar em uma zona de guerra ou de ser atacado por um animal selvagem, talvez já esteja familiarizado com as aparentes diferenças na experiência subjetiva do tempo. Quando confrontados com circunstâncias de risco de vida, os seres humanos relatam frequentemente que o tempo parece mais lento.
Há evidências empíricas intrigantes de que indivíduos de espécies diferentes diferem em sua experiência do tempo.
Essas diferenças – se existirem – afetariam o valor moral das experiências.