Animais Selvagens Porquê?

Pelos Animal Charity Evaluators

Animais selvagens, porquê? (Arte digital: José Oliveira | Fotografias: Pixabay)

O número de animais selvagens excede de longe o número combinado de seres humanos, animais da pecuária, animais de estimação e animais em laboratórios. Infelizmente, muitos animais selvagens — possivelmente a vasta maioria — vivem vidas muito curtas e sofrem mortes dolorosas.1 Os números estimados de animais no mundo sugerem que os animais selvagens experienciam mais prazer e dor do que os seres humanos ou os animais domésticos.

Considerar o número de animais pertencentes a diferentes grupos pode ser útil para estabelecer prioridades quanto ao destino a dar aos recursos, mas esse não é o único factor relevante para a definição de prioridades. Outros factores importantes incluem o grau de senciência das diferentes espécies e a quantidade de sofrimento que estas enfrentam nas suas vidas. Isso significa que não acreditamos necessariamente que os recursos no movimento de defesa dos animais devam ser distribuídos de acordo com a numerosidade de cada grupo.

Quadro 1: Grupos de animais em percentagem da população mundial

Grupos de animais 2

População mundial

%

Animais em laboratórios

∼192,1 milhões 3

0,00001%

Cães

∼850 milhões 4

 

Gatos

∼600 milhões 5

 

Animais de estimação (cães + gatos)

∼1,45 mil milhões [Br. ∼1,45 bilhões]

0,00012%

Animais terrestres da pecuária 

∼40,5 mil milhões [Br. ∼40,5 bilhões]6

 

Peixes da piscicultura

∼125 mil milhões [Br. 125 bilhões]7

 

Animais da pecuária (animais terrestres + peixes)

∼165,5 mil milhões [Br. ∼165,5 bilhões]

0,01%

Animais selvagens

∼1015 8

99,99%

Total

∼1015

100%


De acordo com a nossa lista abrangente de organizações de caridade dedicadas aos animais, a maioria das organizações que se dedicam aos animais selvagens preocupam-se mais com a conservação da biodiversidade do que com o bem-estar dos animais selvagens. Conhecemos menos de cinco organizações de caridade que se dedicam a melhorar o bem-estar dos animais selvagens. Estima-se que o seu financiamento global total seja inferior a 10 milhões de dólares por ano 9 — uma pequena quantia relativamente a outras áreas de causas; por exemplo, 200 milhões de dólares vão anualmente para o bem-estar dos animais da pecuária.10 Esperamos ver mais instituições de caridade a trabalhar para melhorar o bem-estar dos animais selvagens num futuro próximo.

A falta de provas da eficácia das intervenções para melhorar o bem-estar dos animais selvagens deve-se em parte à complexidade dos ecossistemas naturais e à dificuldade de medir os impactos das intervenções no meio selvagem.11 Devido a esta limitação, acreditamos que: 1) a investigação pode ser uma forma promissora de ajudar os animais selvagens, porque pode servir para informar as decisões sobre quais são as intervenções que devemos desenvolver, e 2) devemos também dar prioridade ao bem-estar dos animais da pecuária porque se trata de uma área de causa mais tratável, que envolve um grande número de animais e que recebe pouco financiamento em comparação com outras causas. Reconhecemos que a melhoria do bem-estar dos animais selvagens pode ser mais arriscada do que outras causas, devido ao elevado nível de incerteza que envolve, mas o seu potencial impacto positivo também é elevado.

Referências

Animal Charity Evaluators. (2016, Novembro). Porquê animais da pecuária? https://altruismoeficaz.com.br/2018/05/21/conselhos-sobre-doacoes-pecuaria-industrial/ 

Bar-On, Y. M., Phillips, R., & Milo, R. (2018). The biomass distribution on Earth. Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America, 115(25), 6506–6511. https://www.pnas.org/content/pnas/suppl/2018/07/13/1711842115.DC1/1711842115.sapp.pdf

CAROcat. (n.d.). Statistics on cats. Visto em 27 de Janeiro de 2022, em https://carocat.eu/statistics-on-cats-and-dogs/

Eskander, P. (2018, 13 de Fevereiro). To reduce wild animal suffering we need to find out if the cause area is tractable. Animal Charity Evaluators. https://animalcharityevaluators.org/blog/to-reduce-wild-animal-suffering-we-need-to-find-out-if-the-cause-area-is-tractable/

Farmed Animal Funders. (2021). State of the movement report: 2021. https://farmedanimalfunders.org/wp-content/uploads/2021/12/External-FAF-State-of-the-Movement-Report-2021.pdf

Fishcount. (2019). Numbers of farmed fish slaughtered each year.  Visto em 27 de Janeiro de 2022, em http://fishcount.org.uk/fish-count-estimates-2/numbers-of-farmed-fish-slaughtered-each-year

Gompper, M. E. (Ed.). (2013). Free-Ranging Dogs and Wildlife Conservation. Oxford University Press. https://doi.org/10.1093/acprof:osobl/9780199663217.001.0001

Horta, O. (2010). Debunking the idyllic view of natural processes: Population dynamics and suffering in the wild. Télos (Τέλος). Revista Iberoamericana de Estudios Utilitaristas, 17(1), 73–90.  https://redib.org/Record/oai_articulo652920-debunking-idyllic-view-natural-processes-population-dynamics-suffering-wild

McMahan, J. (2010, September 19). The Meat Eaters. The New York Times. https://opinionator.blogs.nytimes.com/2010/09/19/the-meat-eaters/

Spurgeon, J. (n.d.). Helping Wild Animals. Giving What We Can.  Visto em 17 de Janeiro de 2022, em https://www.givingwhatwecan.org/cause-areas/animal-welfare/wild-animals/#fn7

Taylor, K., & Alvarez, L. R. (2019). An estimate of the number of animals used for scientific purposes worldwide in 2015. Alternatives to laboratory animals, 47(5–6), 196–213.  https://doi.org/10.1177%2F0261192919899853


1. McMahan (2010), Horta (2010)

2. Estas estimativas incluem apenas vertebrados (isto é, mamíferos, aves, répteis, anfíbios e peixes) devido à falta de dados relativos aos invertebrados. Note-se que existem estimativas aproximadas da abundância de animais invertebrados (isto é, artrópodes, anelídeos, moluscos, cnidários e nematódeos) que ultrapassam as dos animais vertebrados. Por exemplo, Bar-On, Phillips, & Milo (2018) estimam que a população mundial de invertebrados selvagens é de cerca de 1021

3. Taylor & Alvarez (2015) 

4. Gomper (2013) 

5. CAROcat (n.d) 

6. FAOSTAT (2020) 

7. FishCount (2019) 

8. Bar-On, Phillips, and Milo (2018) 

9. Spurgeon (n.d) 

10. Farmed Animal Funders (n.d) 

11. Eskander (2018)


Publicado originalmente pelos Animal Charity Evaluators e actualizado pela última vez em Fevereiro, 2022.

Tradução de Rosa Costa e José Oliveira.

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