Adoptar a abordagem do “recorde pessoal” nos negócios e na filantropia

Charlie Bresler (Fast Company)

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Altruísmo, qual é o seu “recorde pessoal”? (Arte digital: José Oliveira | Fotografias: Pixabay)

Os atletas, particularmente os nadadores e os corredores, reconheceram a importância de estabelecer objectivos de “recordes pessoais” a curto prazo que são um “exagero”, mas possíveis de alcançar. Os objectivos dos “recordes pessoais” ajudam a manter os atletas motivados durante o seu treino árduo. Uma vez cumpridos, ajudam a criar confiança para o próximo ciclo de treinos e a melhorar o desempenho geral.

Depois de ver a minha filha a aplicar com sucesso esta estratégia do “recorde pessoal” como nadadora competitiva, acabei por aplicá-la vantajosamente na minha própria vida profissional — primeiro na clínica de tratamento de ansiedade que fundei quando era professor de psicologia, e mais tarde num retalhista internacional de média dimensão, onde as minhas responsabilidades incluíam a formação e as operações de retalho.

Desde então, reformei-me e tornei-me, a tempo inteiro, num defensor da filantropia eficaz e da organização sem fins lucrativos The Life You Can Save, que co-fundei há 10 anos com o especialista em ética mundialmente conhecido, Peter Singer. E, sem surpresas, descobri que a estratégia do “recorde pessoal” é aplicável ao mundo da filantropia.

Por isso, gostaria de partilhar resumidamente como e porque é que a estratégia do “recorde pessoal” funcionou comigo e como poderia também funcionar com os outros.

COMO FUNCIONA UMA ESTRATÉGIA DE “RECORDE PESSOAL” NOS NEGÓCIOS

Comecemos com a minha experiência num retalhista internacional de roupa masculina, onde comecei em 1993 e fui presidente de 2005 a 2008, antes de abandonar o cargo para desenvolver um trabalho de maior orientação social. Quando comecei como chefe de formação, observei uma cultura de vendas vibrante, mas desorganizada. Tínhamos óptimos vendedores e excelentes estatísticas internas para controlar o desempenho.

Com base na minha experiência anterior na área da psicologia, aproveitei as nossas reuniões regulares de gerentes para promover a estratégia do “recorde pessoal” como forma de aumentar o empenho e a confiança do nosso pessoal de vendas, rentabilizar melhor as nossas estatísticas internas e melhorar o desempenho. A ideia básica era encorajar os nossos vendedores a estabelecer objectivos pessoais específicos. Por exemplo, se eu vender em média um par de sapatos por semana, será que poderia melhorar a minha média para 1,5 pares? Ou se eu vendesse dois fatos a um cliente em 10% do tempo, será que poderia aumentar essa percentagem para 15%?

Permitir que o nosso pessoal de vendas estabelecesse os seus próprios objectivos pessoais, mudou completamente a atitude face às nossas métricas. Sempre que os nossos vendedores cumpriam os seus objectivos, sentiam-se motivados a estabelecer novos objectivos (e mais ambiciosos) para si próprios. Se um vendedor não atingisse um objectivo pessoal, um gerente poderia intervir para ajudar a identificar e superar obstáculos específicos. Uma vez que as conversas sobre os obstáculos se centravam mais no cumprimento de objectivos pessoais do que no cumprimento de objectivos empresariais, eles eram mais abertos e produtivos.

Após apenas um ano, os resultados do programa do “recorde pessoal” foram espantosos. A média de dólares por cada transacção aumentou de forma mensurável, tal como a probabilidade de um vendedor vender mais do que um fato ou um blazer por transacção. Com certeza, estes resultados, em certo sentido, só foram possíveis no contexto de uma cultura de vendas já vibrante e de uma equipa sénior de gestão que demonstrou o seu apoio às lojas e aos funcionários. Mas acredito que a estratégia do “recorde pessoal” jogou a favor destas forças naturais e, sem dúvida, tornou-as mais concretas e impactantes.

Quando co-fundei a The Life You Can Save com Peter Singer em 2013, quisemos fazer da ideia do “recorde pessoal” um princípio orientador para a nossa organização e para os nossos apoiantes. A nossa organização (e o livro de Peter, The Life You Can Save, que a inspirou) é frequentemente um dos primeiros lugares onde os nossos apoiantes tomam conhecimento da “doação eficaz”, que defende que devemos procurar e apoiar as instituições de caridade mais impactantes e custo-eficazes possíveis, mesmo em detrimento das nossas instituições de caridade nacionais preferidas.

A nossa estratégia do “recorde pessoal” permite que os nossos apoiantes comecem com objectivos modestos de doação eficaz que possam atingir e aumentar gradualmente ao longo do tempo, e com uma lista cuidadosamente elaborada de instituições de caridade altamente eficazes que possam analisar e apoiar com apenas alguns cliques no computador. Os compromissos mínimos sugeridos pela nossa organização são baseados em rendimentos anuais e são aqueles que consideramos bastante viáveis.

ADOPTAR A ABORDAGEM DO “RECORDE PESSOAL” NA FILANTROPIA EMPRESARIAL

Posso estar a ser parcial, é claro, mas acredito que os líderes empresariais podem beneficiar ao encorajar os seus funcionários a tentarem alcançar simultaneamente os seus “recordes pessoais” tanto a nível pessoal, como filantrópico. Os programas de igualar doações, a angariação de fundos para a caridade e outras formas de filantropia patrocinadas pelas empresas, podem ajudar a envolver os membros da equipa de uma forma prática e significativa fora do seu trabalho remunerado, e podem também ajudar a aumentar a camaradagem e satisfação geral no trabalho. Considere a utilização da abordagem do “recorde pessoal” para estabelecer objectivos de filantropia empresarial. Isso poderá aplicar-se a horas de voluntariado, bem como a donativos.

Com base na minha experiência tanto no sector empresarial como no da caridade, obtive os melhores resultados quando os membros da equipa se sentem envolvidos na tomada de decisões sobre iniciativas filantrópicas. Os seus funcionários devem sentir-se como se as iniciativas filantrópicas da sua empresa fossem o resultado de uma animada discussão de grupo em vez de uma decisão imposta por um chefe de equipa ou por um executivo da directoria.

Da mesma forma, a melhor filantropia patrocinada pelas empresas centra-se no impacto e no acompanhamento com resultados claros e mensuráveis. É aqui que a “doação eficaz” pode ter uma clara vantagem para qualquer organização interessada em envolver e inspirar os membros da sua equipa. Os seus funcionários devem sentir-se confiantes quanto às suas doações, informados sobre o seu impacto e inspirados para alcançar o seu recorde pessoal, tanto dentro como fora do seu trabalho.

E em todo o caso, faça o bem e sinta-se bem!


Publicado originalmente por Charlie Bresler na Fast Company, a 2 de Fevereiro de 2022

Tradução de Rosa Costa e José Oliveira.

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