O que é Meta-Ética

Enquanto a Ética discute se um curso de ação é bom, questões Meta-Éticas lidam com a natureza da ética em si. Uma destas questões de meta-ética é se julgamentos morais podem ser verdadeiros ou falsos.

Por exemplo, se digo que matar é errado eu estou expressando uma verdade objetiva ou essa declaração meramente reflete minha visão subjetiva? Se a ética for subjetiva então as pessoas com diferentes visões éticas não estão de fato discordando. Neste nenhum julgamento moral pode ser considerado errado e portanto não faz sentido apelar a boas ou más razões para se agir.

Outra questão meta-ética é a de como a ética se relaciona com a cultura. O relativismo cultural afirma que diferentes culturas tem diferentes visões do que é certo e errado e portanto diferentes práticas morais. Assim o código moral de uma sociedade determina o que é certo e errado. Isso implica que uma pessoa está errada sempre que quebra uma regra moral da sociedade em que vive e não se pode julgar as práticas morais de nenhuma sociedade como objetivamente errada. Mas isso significa que não se pode fazer julgamentos éticos que sejam verdade para todas as pessoas e sociedades?

Assim chega-se a questão meta-ética sobre o papel que a razão tem nos julgamentos morais. O curso passa por duas visões diferentes na relação entre ética e razão. O filósofo escocês David Hume defendia que a razão é e sempre deve ser escrava das paixões e nunca pode fazer nada senão servi-las e obedecê-las.

Contudo o Imperativo categórico do filósofo alemão Immanuel Kant postula que a razão pode ser normativa e nos guiar objetivamente em questões éticas se “Agirmos como se a máxima de tua ação devesse tornar-se, através da tua vontade, uma lei universal”.

Por exemplo, se todos mentíssemos ninguém teria credibilidade o bastante para mentir. Se todos fôssemos infiéis ninguém acreditaria em compromisso e seria impossível trair. Se todos roubássemos não haveria propriedade alguma. Se todos enrolassem no trabalho não haveria onde trabalhar. A ideia não é que o ato é meramente errado, mas impraticável.

Finalmente a relação entre ética e religião. É possível ou desejável fazer julgamentos éticos independente da religião? Para isso cita-se o diálogo entre Sócrates e Euthyphro, citado por Platão, onde se conclui que é mais plausível acreditar que os deuses aprovam o que é bom do que que as coisas se tornam boas ao serem aprovadas pelos deuses.

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