Relatório sobre a eficácia de protestos

Por Toni Adleberg (Blog da Animal Charity Evaluators)

Protesto animal

Como protestar pelos animais? (Arte digital: José Oliveira | Fotografias: Pixabay)

Protestos são uma forma de intervenção frequentemente usada na defesa dos animais. Estimamos que entre 40 e 80 protestos pela defesa dos animais ocorram a cada semana apenas nos EUA. Apesar de sua predominância, o propósito e os efeitos de protestos não são bem compreendidos. Um equívoco comum é pensar que com os protestos se pretende mudar a opinião pública; na verdade, organizadores frequentemente relatam que com os protestos se pretende interromper o atual estado de coisas a fim de estimular mais mudanças sistêmicas.

Avaliar a eficácia de protestar como forma de intervenção na defesa dos animais é uma tarefa complicada, especialmente porque os protestos variam muito na implementação e no contexto. Nosso relatório se concentra em encontros paradigmáticos de ativistas que são disruptivos 1 e não-violentos, mas mesmo esses formam um grupo heterogêneo. Como há pouca pesquisa empírica sobre os efeitos de protestos pela defesa dos animais, nos baseamos em pesquisas sobre os efeitos de protestos em outros movimentos sociais. Nossas conclusões são inevitavelmente incertas, uma vez que permanecem dúvidas sobre se, ou em que medida, as evidências de outros movimentos sociais se generalizam para o contexto da defesa animal.

No geral, gostaríamos de ver o movimento em defesa dos animais investir um pouco mais em protestos. Atualmente, os protestos recebem uma pequena parcela dos recursos do movimento e, dadas as evidências limitadas que temos, é plausível que sejam pelo menos tão eficazes em termos de custos quanto as intervenções que recebem muito mais recursos do movimento, como a panfletagem. Além disso, achamos que o uso de protestos contribui para a diversidade de táticas no movimento, o que pode ajudar a atrair maior número e variedade de ativistas para a causa e, assim, aumentar nossas chances de sucesso.

Em parte porque manifestantes empregam uma ampla gama de estratégias, alguns protestos são provavelmente mais eficazes do que outros. Naturalmente, acreditamos que mais recursos devem ser dedicados a protestos mais eficazes e menos recursos devem ser dedicados a protestos menos eficazes. Temos alguma incerteza sobre quais tipos de protestos são mais eficazes, mas fornecemos alguns conselhos provisórios baseados em evidências para organizar protestos eficazes. Por exemplo:

  • Utilize um tom compassivo em vez de um tom vexatório, e tenha como alvo instituições, em vez de indivíduos;
  • Entre em contato com a imprensa para a notificar sobre o protesto e retome o assunto posteriormente;
  • Considere o uso de protestos em conjunto com outras intervenções, como petições, telefonemas, panfletos e campanhas por e-mail;
  • Considere organizar uma série de protestos, uma vez que protestos e outras formas de ativismo que desafiam empresas provavelmente obtêm mais sucesso quando se repetem (tanto relativamente a uma mesma campanha como em campanhas subsequentes) face à mesma empresa;
  • Como alguns tipos de protestos podem representar um risco maior para os manifestantes que têm identidades marginalizadas, quem organiza deve:
    • Compreender e comunicar os riscos de protestos a todos os ativistas;
    • Considerar recrutar manifestantes com identidades relativamente privilegiadas para se envolverem em atividades mais arriscadas;
    • Garantir que existam formas seguras para ativistas participarem caso não possam ou não queiram comparecer em um protesto.

Grande parte do nosso aconselhamento geral sobre como apoiar outros movimentos é altamente relevante para manifestantes. (Por exemplo: “Não defenda sua posição de forma racista, sexista, heterossexista, cissexista, tamanhista, capacitista, idadista, classista, etc.”)

Nosso relatório de 2018 sobre intervenção por meio de protesto é guiado pelo nosso processo avaliativo de intervenções recentemente atualizado, que fornece um novo enquadramento para se usar múltiplas fontes de evidências na avaliação da eficácia de uma intervenção. O relatório inclui, entre outras coisas:

  • Uma estimativa aproximada dos números e custos dos protestos em defesa dos animais nos EUA;
  • Uma teoria da mudança para protestos, apoiada por uma pesquisa bibliográfica;
  • Uma discussão de várias questões que influenciam a eficácia dos protestos em diferentes contextos;
  • Uma análise de estudo de caso do uso de protestos por parte da Humane League;
  • Conversas com vários ativistas e organizadores que têm experiência com protestos;
  • Uma discussão sobre a variação da eficácia de protestos em diferentes contextos, com dicas baseadas em evidências para o uso eficaz de protestos.

Encorajamos quem nos lê a recorrer ao relatório completo para uma explicação detalhada das opiniões atuais da ACE e sua reflexão sobre a eficácia dos protestos de defesa dos animais.

1 Consideramos que protestos são “disruptivos” quando desafiam, interrompem ou previnem as operações típicas de seus alvos.

 


Texto de Toni Adleberg publicado originalmente no Blog da Animal Charity Evaluators, a 2 de abril de 2018.

Tradução de Ligea Hoki. Revisão de Lara André e José Oliveira.

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