Resumo sobre o coronavírus (trabalho em curso)

Ethan C. Alley (EA Forum)

Coronavírus-preparar.fx

Coronavírus, como devemos preparar-nos? (Arte digital: José Oliveira | Fotografias: Pixabay)

Conclusões:

  • O coronavírus é significativamente pior que a gripe, mas não é o apocalipse zombie. Não há necessidade de entrar em pânico, mas provavelmente faz sentido preparar-se.
  • Isso afectará o dia-a-dia dos países ocidentais, incluindo os EUA.
  • Você e a sua família provavelmente enfrentarão riscos pessoais de doença até ao final do ano.
  • Pode preparar-se do seguinte modo:
    • Armazenar pelo menos 1 mês de alimentos não perecíveis, alimentos para animais de estimação e outras necessidades e 3 meses de medicamentos prescritos.
    • Mudar-se para longe de cidades muito densas e/ou, se possível, optar por trabalhar a partir de casa.
    • Aprender a lavar as mãos adequadamente e praticar não tocar na cara.
    • Evitar viagens depois de Março deste ano e/ou planeá-las com opção de cancelamento.
    • Fazer planos para cuidar e proteger os idosos da exposição ao vírus.
    • Transportar desinfectante para as mãos e usá-lo com frequência (a cada 30 minutos fora de casa, antes de comer ou tocar na cara).
    • Comprar bastante desinfectante e sabonete para as mãos para pelo menos 1 mês.
    • Limpar regularmente com desinfectante coisas tocadas com frequência (telefone, teclado, auscultadores, etc.).
    • Evitar espaços lotados sem protecção (por exemplo, espectáculos, o metro, teatros, autocarros [Br. ônibus], aeroportos, etc.).
    • Para viagens essenciais, compre os máscaras N95, se puder, e aprenda a usá-las, incluindo rapar os pelos faciais. Isto provavelmente é menos eficaz do que a higiene das mãos, portanto, de menor prioridade.

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O que faz o vírus?

  • O vírus provoca tosse, espirros, febre, pneumonia e, em casos graves, insuficiência renal e morte.
  • 80% dos casos são relativamente leves. Os restantes assemelham-se à pneumonia moderada a grave.
  • Aproximadamente 1% das pessoas que contraem o vírus morrem.
  • Depois dos sintomas aparecerem, são necessárias de 3 semanas a 1 mês para que os casos graves sejam resolvidos.
  • O risco é muito maior para pessoas acima dos 40 anos.
  • As crianças parecem ser relativamente pouco afectadas.
  • Os homens podem ser duas vezes mais susceptíveis que as mulheres, embora seja demasiado cedo para o afirmar com confiança.
  • A imunidade pode não durar muito, e ninguém a tem à partida.

Onde está o vírus agora (4 de Março)?

O que sabemos sobre o vírus?

  • Provavelmente surgiu de um cruzamento, ou “zoonose” de animais na China, por volta do final de Novembro, início de Dezembro de 2019.
  • Está mais estreitamente relacionado com um vírus chamado SARS, que causou uma pequena epidemia em 2002. Também está relacionado com o vírus que causa a constipação comum [Br. o resfriado comum].

Como se espalha o vírus?

  • Provavelmente de forma semelhante à gripe. Estar a um metro e meio de alguém que esteja a tossir ou a espirrar, tocar numa superfície na qual se tossiu e depois tocar na sua cara ou comer alimentos nos quais se tossiu, são formas de espalhar o vírus.
  • Relativamente rápido. O número de pessoas infectadas duplica aproximadamente a cada semana.
  • O vírus provavelmente pode sobreviver em muitos tipos de superfícies durante 2 a 7 dias.
  • Algumas pessoas em estado infeccioso, e que podem espalhar o vírus, não apresentam sintomas visíveis.
  • Demora cerca de 5 dias (num intervalo de 2 a 14 dias) para os sintomas se desenvolverem.

É algo que se possa tratar?

  • Neste momento, não. Não existe qualquer vacina ou contra-medida médica aprovada.
  • Cuidados de suporte, como ventilação mecânica, podem diminuir significativamente o risco de morte se houver unidades de cuidados intensivos (UCI).
  • Um antiviral, chamado remdesivir, está em testes clínicos e mostra alguns sinais de eficácia.
  • O histórico do tempo necessário para o lançamento de novos medicamentos/vacinas sugere disponibilidade em massa para 2021.

Não deveria estar mais preocupado com a gripe?

  • Não. Isto é pior.
  • A gripe sazonal mata menos de 0,1% das pessoas infectadas. Isto mata cerca de 1%. É 10 vezes pior.
  • O coronavírus espalha-se um pouco mais rápido do que a gripe.
  • Temos alguma imunidade natural à gripe, mesmo que a cada estação a estirpe seja diferente. Provavelmente não temos imunidade contra este coronavírus.
  • Temos uma vacina confiável contra a gripe sazonal. Durante algum tempo não teremos uma vacina ou tratamento eficaz para o coronavírus.
  • A gripe sazonal é muito bem caracterizada e compreendida. Este vírus ainda está em estudo intensivo, e todos os números apresentados são incertos, o que significa que pode ser pior do que a nossa melhor hipótese. Os efeitos a longo prazo de contrair o vírus são desconhecidos.

Qual será o risco para mim e para a minha família?

  • Veja estes gráficos quanto ao risco de morte por faixa etária.
  • Considere fatores de risco (fonte) que tornam a doença mais perigosa, como doenças cardiovasculares, diabetes, doenças pulmonares associadas a tabagismo, pressão alta e cancro [Br. câncer].
  • Pense na densidade populacional dos lugares que frequenta regularmente. Pergunte a si mesmo: “Quantas pessoas estiveram aqui na última semana?”. Evite lugares onde esse número seja elevado e tome precauções extras.
  • Pense numa propagação exponencial. Nas fases iniciais, duplicará aproximadamente a cada semana. Pense realmente sobre isso – significa que as probabilidades de infecção são cerca de 2 vezes maiores a cada semana que passa. Portanto, é duas vezes mais seguro viajar no dia 1 de Abril do que no dia 7 de Abril. E duas vezes mais seguro no dia 7 de Abril do que no dia 14. Isto parece-me extremamente contra-intuitivo, e é provável que também lhe pareça a si.

Tudo isto parece exagerado.

  • Sim, parece. A informação que apresentei acima faz com que isto pareça provavelmente a pior pandemia desde a gripe de 1918.
  • No entanto, o que foi apresentado acima é um conjunto de factos e estimativas de alta qualidade da literatura científica e recomendações de especialistas, da melhor maneira que pude apurar.
  • A perspectiva apresentada aqui é amplamente partilhada por especialistas do Centro de Controle e Prevenção de Doenças, da Organização Mundial da Saúde, da Escola de Saúde Pública de Harvard, do Centro de Segurança da Saúde Johns Hopkins, do MIT, uma cimeira de biossegurança em que participei recentemente e através da maioria dos meus colegas de trabalho no âmbito da biossegurança.
  • Infelizmente, acho que este é o mundo em que vivemos.

Outros recursos

  • Um Painel para seguir a propagação.
Painel

Casos de Coronavírus COVID-19 no Mundo por Johns Hopkins CSSE (Captura de ecrã a 9 de Março de 2020).

  • Um Artigo sobre como nos prepararmos.

 

Que documento é este e quem é o autor?

(Respondendo a um pedido)

Olá! O meu nome é Ethan. Sou estudante de mestrado e assistente de pesquisa no MIT com o grupo do Prof. Kevin Esvelt, co-orientado pelo Prof. George Church na Harvard Medical School. Também sou co-fundador e presidente da altLabs, uma startup sem fins lucrativos de pesquisa que trabalha para desenvolver tecnologias que reduzem os riscos de pandemias como esta. A minha formação em pesquisa é em aprendizagem profunda (deep learning), estatística, biologia computacional e biologia sintética, e publiquei em revistas como Nature Methods. Sou também um Líder Emergente de Biossegurança de 2019 no Johns Hopkins Center for Health Security. Passo a maior parte do tempo a trabalhar nos riscos de pandemias e biotecnologia.

Este documento é uma compilação a partir de literatura científica que li, conselhos que recebi de pessoas que considero especialistas e estimativas e projecções de pessoas que considero inteligentes e que trabalham em biossegurança. Em duas conferências de biossegurança recentes, que assisti com os meus colegas, as perspectivas que apresentei acima foram alvo de amplo acordo. Isto é o mais próximo possível da minha melhor hipótese a partir dos factos desta situação, pois as medidas de preparação são aquelas que planeio realmente tomar. Partilhei com os meus amigos e familiares na esperança de que as informações lhes sejam úteis.

Não sou um profissional de epidemiologia ou de saúde pública. Como tentei enfatizar no texto, a interpretação da comunidade científica, e sobretudo a minha, são altamente incertas. Por favor, procure outras fontes de informação para obter uma ideia mais completa da situação e entenda que nada disto é uma certeza absoluta.

Uma declaração de intenções obrigatória agora que disse isto é a seguinte: Estas opiniões são minhas e não representam as dos meus empregadores.

Fique bem!

Ethan


Publicado originalmente por Ethan C. Alley no EA Forum, a 28 de Fevereiro de 2020.

Tradução de Rosa Costa e de José Oliveira.

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