Em busca de coerência

Achamos que somos mais coerentes do que somos e, além disso, preferimos seguir tendências de bando do que questionar a sua coerência. Apenas nessa versão simplificada da discussão já temos uma tarefa hercúlea para realizar: diminuir as nossas incoerências com atenção especial àquelas que seguimos por comportamento de bando. Um ponto de partida para isso seria listar as nossas crenças, notar as coerências e incoerências, elencar quais são as mais importantes e tentar agir de maneira coerente com elas. Vamos simular esse procedimento em relação ao altruísmo.

Salvaguardas são essenciais em todos os locais de trabalho, incluindo as ONGs

A onda de alegações e veredictos de má conduta sexual do ano passado, reflecte o comportamento não só em esferas de alta visibilidade como o entretenimento, o sistema político, o desporto e os negócios, mas também no sector sem fins lucrativos, por exemplo, no movimento do bem-estar animal e em instituições de caridade globais. Um exemplo deste último foi recentemente relatado nas notícias de incidentes a envolver funcionários da Oxfam Grã-Bretanha* durante a crise do Haiti (em grande parte também noticiados na altura, em 2011). Mesmo em organizações que se concentram em fazer o bem, é com demasiada frequência que os homens abusam do seu poder, incluindo má conduta sexual.

Nota sobre a má conduta na Oxfam

Esta semana, a Oxfam GB (Grã-Bretanha) foi acusada de encobrir a má conduta por parte de alguns dos seus funcionários, há alguns anos no Chade e no Haiti. As alegações referem-se à má conduta sexual por parte de alguns funcionários (nomeadamente o uso de prostitutas, algumas das quais poderiam ser menores de idade), à alegada falha da Oxfam GB em atender aos avisos/reclamações de outros funcionários sobre problemas no terreno e à alegada falha em relatar adequadamente tais reclamações ao regulador. O regulador, a Comissão de Caridade para a Inglaterra e o País de Gales, iniciou esta semana uma investigação oficial sobre a Oxfam.

Cosmopolitismo

Acredito que este é um rótulo que os altruístas eficazes devem adotar para melhor explicar uma parte fundamental do que é o altruísmo eficaz. Historicamente, tem origem grega significando “mundo” e “cidade”, e está associado a Diógenes de Sinope (c. 404-323 a.C.), que declarou ser um “cidadão do mundo”. Sem aludir a metáforas de cidades globais ou de cidadania, por “cosmopolitismo” refiro-me a uma posição moral e política que dá um peso igual (ou pelo menos quase igual) aos interesses de pessoas de outras nacionalidades e aos dos nossos compatriotas.