Nota sobre a má conduta na Oxfam

Por The Life You Can Save (Blogue TLYCS)

Nota sobre os problemas de má conduta na Oxfam (publicado a 15 de Fevereiro de 2018)

A Oxfam, que é composta por 20 organizações nacionais, está na lista de instituições de caridade recomendadas pela The Life You Can Save (o nosso site direcciona os doadores para a respectiva filial local da Oxfam).

Esta semana, a Oxfam GB (Grã-Bretanha) foi acusada de encobrir a má conduta por parte de alguns dos seus funcionários, há alguns anos no Chade e no Haiti. As alegações referem-se à má conduta sexual por parte de alguns funcionários (nomeadamente o uso de prostitutas, algumas das quais poderiam ser menores de idade), à alegada falha da Oxfam GB em atender aos avisos/reclamações de outros funcionários sobre problemas na linha da frente e à alegada falha em relatar adequadamente tais reclamações ao regulador. O regulador, a Comissão de Caridade para a Inglaterra e País de Gales, iniciou esta semana uma investigação oficial sobre a Oxfam.

A história está a desenvolver-se rapidamente e a TLYCS não irá apresentar comentários em contínuo sobre ela: está amplamente tratada na imprensa. Pode ler a declaração da Oxfam Internacional sobre este assunto aqui.

Vale a pena referir três coisas:

Primeiro, a Oxfam implementa uma grande quantidade de programas eficazes, incluindo muitos que reforçam os direitos das mulheres em todo o mundo. Operam em 52 países, através de 227 programas diferentes, envolvendo mais de 1000 projectos que são concebidos para ajudar a acabar com a pobreza mundial.

Em segundo lugar – e isto não é para defender ninguém – estão a surgir evidências deste tipo de comportamento em todo o sector da ajuda humanitária. E há algumas evidências de que a Oxfam apresenta, de facto, as melhores práticas ao lidar com a má conduta no país. A Dra. Dyan Mazurana, da Universidade Tufts, realizou um estudo importante sobre o assédio sexual de trabalhadores humanitários (que é diferente do uso de prostitutas) e compartilhou estas observações na BBC TV esta semana.

Terceiro – novamente, não se trata de defender ninguém – talvez o momento seja significativo. As alegações referem-se a eventos de há sete anos. Foram publicadas no The Times (e depois em outros jornais) agora novamente. Ainda na semana passada, uma petição a solicitar que o orçamento da ajuda internacional do Reino Unido fosse reduzido foi entregue na residência do Primeiro Ministro britânico pelo deputado Jacob Rees-Mogg. O pai de Jacob Rees-Mogg era editor do The Times. Num outro caso, o anterior Secretário de Estado do Reino Unido para o Desenvolvimento Internacional, alegadamente, queria desviar parte do orçamento de ajuda do Reino Unido, dos países pobres para o exército de Israel – alegações que lhe custaram o emprego.

A posição da TLYCS sobre a Oxfam permanece inalterada, enquanto se aguardam os resultados das investigações formais. Esta é a mesma posição assumida pelo Departamento do Reino Unido para o Desenvolvimento Internacional, um importante financiador da Oxfam GB.

Tem sido noticiado que centenas de doadores mensais regulares da Oxfam GB suspenderam as suas contribuições futuras. Tais acções, caso se generalizem, afectarão negativamente os programas de ajuda que beneficiam milhões de pessoas carenciadas que não estão envolvidas em qualquer má conduta. Nesta fase da investigação, não estamos a recomendar que aqueles que apoiam a Oxfam deixem de fazer donativos.


Publicado pela The Life You Can Save no blogue da TLYCS, a 15 de Fevereiro de 2018.

Tradução de José Oliveira.

Anúncios

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s