Altruísmo Sem Polêmica: O papel da The Life You Can Save no Altruísmo Eficaz

Ajudar os outros é um bem, e é melhor fazê-lo de modo que a nossa ajuda alcance mais pessoas. Mas para ficarmos no senso comum, é preciso de mais algumas qualificações. Primeiro, essa ajuda busca a evitar o sofrimento daqueles que encontram-se nas piores situações de uma determinada sociedade. Uma segunda qualificação importante para evitar a polêmica é que “pessoas” se refira a “pessoas humanas”. Eis um argumento pelo altruísmo alinhado ao Altruísmo Eficaz (AE), mas recorrendo apenas à moralidade do senso comum, que, eu suponho, a maioria das pessoas aceitaria.
O meu ponto inicial é que esse argumento define a abordagem da The Life You Can Save (TLYCS) dentro do AE.

Alguns Conceitos Úteis para Lidar com a Incerteza

O Altruísmo Eficaz alia dois âmbitos, a vontade de fazer o bem e a convicção que se deve fazê-lo da maneira que maximiza os bons resultados. A ideia não é difícil de defender. O bem é, por definição, bom. Fazer o bem aos outros é, portanto, bom. E, por fim, mais bem é melhor do que menos bem. No entanto, na prática, isso requer muito trabalho, face à complexidade da realidade e face à incerteza das alternativas disponíveis e das consequências das ações escolhidas. No que se segue, apresentarei, alguns conceitos que podem ajudar…

Decolonialismo e Altruísmo Eficaz, uma reflexão por concessões

Colonialismo e a sua contraparte, o decolonialismo, tornaram-se termos em voga nas discussões públicas que envolvem questões sociais, econômicas e filosóficas atuais. O Altruísmo Eficaz, ainda que não faça parte dessa onda, está longe de passar incólume por ela. O movimento é alvo de críticas que vão desde ser epistemicamente arrogante até ser um perpetrador de uma estrutura colonialista. Essa postagem é uma primeira reflexão, pouco ambiciosa, que pode guiar uma interação mais produtiva entre duas abordagens tão diferentes.

O surfista nas Ondas do Oceano

Em “A gota no Oceano”, a primeira desta série de três postagens, vimos como é que as ações pequenas, devido ao seu fator cumulativo, geram consequências relevantes. Em seguida, “As Gotas nas Ondas no Oceano” nos mostraram que as ações pequenas também têm sua relevância aumentada em vista da sua potencialidade de, através do exemplo que dão, influenciarem a mudança de comportamento de outros agentes. Agora, em “O Surfista nas Ondas do Oceano”, o objetivo será de ir além das consequências e tentar examinar o âmbito da motivação humana para se realizar alguma mudança comportamental em vista de fazer a diferença no mundo.

As Gotas nas Ondas do Oceano

Se a soma de ações individuais gera consequências grandes sentidas por todos, é necessário (ou, pelo menos, do interesse do indivíduo) mudar as ações do maior número de indivíduos possível, incluindo a dos atores desproporcionalmente grandes. A questão que se segue é como fazer isso.