6 dicas sobre doações de socorro a catástrofes

Bebé ao colo de uma mulher que contempla a devastação do terramoto do Nepal (EFE)Bebê ao colo de uma mulher que contempla a devastação do terramoto do Nepal (EFE)

Os nossos conselhos gerais sobre doações de socorro:

1. Dê dinheiro, não dê roupas (ou outros bens). Dar artigos indesejados faz os doadores sentirem-se bem e as agências de ajuda podem estar sob uma pressão substancial de aceitar as suas doações em espécie. Mas o transporte e a triagem destas doações podem ser uma despesa e complicação substancial e estes presentes podem literalmente atrapalhar. Se tem artigos que não quer, considere vendê-los e doar o dinheiro. Doar bens materiais sobrecarrega as organizações de ajuda humanitária para descobrirem como usar o que têm; o dinheiro permite-lhes obter rapidamente o que necessitam. Mais

2. Apoie uma organização que irá ajudar ou não irá estorvar. A logística pode ser um grande desafio em situações de catástrofe. Por exemplo,  quando acompanhámos os esforços de socorro do terremoto no Haiti um ano após o incidente, verificamos que grande parte do dinheiro de socorro ainda não tinha sido gasto e que cerca de 80% (ou mais) dos escombros ainda não tinham sido removidos. Uma organização altamente profissional, experiente, com uma presença pré-existente no país afectado provavelmente irá ajudar onde pode e não irá estorvar onde não pode. Enquanto uma organização menos profissional poderia facilmente prejudicar o esforço de socorro.

3. Dê de forma pro-activa, e não reactiva. Não faça doações a uma instituição de caridade só porque lhe telefonam, anunciam na sua pesquisa do Google ou porque de outra maneira foi contactado primeiro. Isto recompensa as organizações mais agressivas em vez de as mais competentes e responsáveis. Em vez disso, não doe apenas dinheiro, mas também reflexão – despenda tempo para encontrar a melhor opção de dádiva que puder.

4. Disponibilize os seus fundos para serem usados onde são mais necessários – mesmo que isso signifique que não sejam usados nesta catástrofe. As catástrofes atraem uma grande quantidade de atenção dos Média e dinheiro, mas em muitos casos o maior desafio é a logística. O resultado pode ser que o dinheiro não seja o factor limitante nos esforços de ajuda imediata. Encontramos evidências disto tanto para o terramoto de 2010 no Haiti como em 2011 no tsunami no Japão.

Isso não significa que o dinheiro não seja necessário. O esforço de reconstrução pode ser muito caro. Além disso, há muitas catástrofes – e casos de sofrimento diário – que as organizações humanitárias têm dificuldades em resolver, sem serem capazes de angariar um financiamento que se compare com o que conseguem com uma catástrofe que domina os Média. É comum que instituições de caridade usem um desastre como uma oportunidade para recolher fundos para os seus outros trabalhos.

Nós recomendamos doações a uma organização que faça um trabalho excelente em todo o mundo (e não apenas na área afectada), sem exigir compromisso.

5. Dê a organizações que sejam transparentes e responsáveis. Em geral verificamos que as organizações de ajuda revelam muito pouco sobre as actividades que realizam e como gastam os fundos de ajuda (leia mais nos nossos relatórios sobre o terremoto de 2010 no Haiti do tsunami no Japão em 2011). Em geral, quando ocorre uma catástrofe, as primeiras organizações que procuramos são:

  •  Médicos Sem Fronteiras (MSF), que se têm destacado pela transparência bem acima da média em ambos os casos listados acima. No caso do tsunami do Japão em 2011, eles revelaram sem rodeios que já não estavam a necessitar de mais recursos para usar nas operações de socorro e foram uma das únicas organizações a fazê-lo. Acreditamos que vale a pena recompensar os MSF pela sua rara transparência, e se não usarem o seu dinheiro nesta catástrofe, provavelmente vão usá-lo para cuidar de uma crise menos divulgada.
  • A Cruz Vermelha local. A Cruz Vermelha geralmente ocupa um papel de liderança nas operações de socorro e (parece-nos) recebe o crédito/culpa pela forma como as operações no seu todo decorrem, em maior grau do que as outras organizações sem fins lucrativos. A Cruz Vermelha Americana, muitas vezes, redirecciona as doações para a Cruz Vermelha local, descontando  uma taxa às vezes substancial.

Escrevemos mais sobre essas duas opções quando fizemos recomendações sobre como responder ao terremoto/tsunami no Japão em 2011.

6. Pense no sofrimento menos divulgado. Todos os dias morrem pessoas de doenças evitáveis e curáveis, em muitos casos porque não têm acesso a recursos que salvam vidas de forma comprovadamente eficaz, tais como mosquiteiros tratados com insecticida. O seu sofrimento diário não é o mais apropriado para fazer manchetes e geralmente não atraem a atenção e os dólares como as vítimas de catástrofes – mas acreditamos que as doações dirigidas a estas populações têm mais benefícios do que as doações de socorro a catástrofes.

Se um desastre recente causou um desejo maior de reduzir o sofrimento e ajudar os outros, considere questionar se você poderia ampliar este desejo e torná-lo parte da sua vida quotidiana. Considere juntar-se à comunidade de altruístas eficazes que procuram fazer com que as suas horas e os seus dólares possam chegar o mais longe possível no sentido de tornar o mundo num lugar melhor. O papel da GiveWell nesta comunidade é disponibilizar milhares de horas de investigação na identificação das melhores oportunidades de doação possíveis – não as que fazem notícia, mas as que farão o seu dinheiro ir mais longe.

Tradução de Leo H M Arruda e José Oliveira (Abril de 2015)

Texto original aqui.

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2 comentários sobre “6 dicas sobre doações de socorro a catástrofes

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