Alívio à Fome em África: Como Responder?

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Não continue a ler se não gosta de se sentir desconfortável ou de ser desafiado. No entanto espero que continue a ler, que pense sobre isto com cuidado, que sinta uma profunda tristeza, e que se junte ao nosso desconforto colectivo. Porquê? Porque embora não possamos fazer esse desconforto desaparecer, podemos usá-lo para nos motivarmos a doar mais eficazmente, bem como de uma forma mais generosa do que normalmente fazemos, e salvarmos mais vidas.

Como saberá, a fome está a ameaçar 20 milhões de vidas dispersas por quatro países da África Oriental. Como também saberá, a pobreza extrema causa doenças e mortes evitáveis a milhões em todo o mundo todos os anos. Poderia justificar-se que não ajudasse caso não sentisse a mesma responsabilidade em salvar a vida de muitas crianças que vivam em África, como sentiria relativamente a salvar uma única criança a afogar-se num lago à sua frente. Pode-se negar a “verdade inconveniente” quanto a poder usar os seus recursos para salvar vidas. Mas a pergunta que espero que faça não é se deverá ajudar, mas sim, qual a melhor forma de ajudar? Infelizmente, não há uma resposta clara. O que é claro é que, se não doarmos, muitas mais crianças ― e adultos ― vão morrer desnecessariamente. Então, olhemos para os factos e tomemos as decisões que digam tanto às nossas cabeças como aos nossos corações.

Dois milhões e meio de crianças menores de cinco anos morrem de mortes evitáveis todos os anos. Estas são mortes que muitas das organizações sem fins lucrativos recomendadas pela The Life You Can Save, com obra de eficácia comprovada, são capazes de impedir (todas apoiam a erradicação da pobreza, que por sua vez pode proteger contra a vulnerabilidade a desastres como a fome). Para além desse “habitual” nível de privação, a fome actual no Iémene, na Somália, na Nigéria e no Sudão do Sul, descrita por Stephen O’Brien, chefe humanitário da ONU, como “… a maior crise humanitária desde a criação das Nações Unidas”, ameaça a vida de mais de 1,4 milhões de crianças e vinte milhões de pessoas no total nos próximos meses.

O conselho habitual da The Life You Can Save sobre a doação para a ajuda a emergências é semelhante ao da excelente avaliadora de organizações sem fins lucrativos, a GiveWell, explicado aqui [ou aqui em português]. A conclusão é que muitas vezes é melhor doar regularmente às organizações sem fins lucrativos comprovadamente eficazes a salvar vidas e a reduzir o sofrimento desnecessário. Mas, como O’Brien aponta, com vinte milhões de vidas em jogo, a fome actual não é uma crise “normal”, por isso, por um lado, parece igualmente exigente a nível emocional e lógico contribuir para uma organização sem fins lucrativos que presta assistência à fome.

Infelizmente, há muitos factores (como sempre!) que complicam uma doação desse tipo. Como o colunista Nicholas Kristof assinala, esta fome é, em grande medida, provocada pelo homem ― não menos por acções dos EUA ― e parece razoável supor que alguns dos factores políticos que a causaram, podem muito bem atrapalhar os esforços de alívio à fome. Para complicar ainda mais a decisão de para onde doar, não conhecemos evidências de histórico comprovado de agências de alívio à fome, como as mencionadas neste artigo do Guardian. Por outro lado, as organizações sem fins lucrativos nas listas da The Life You Can Save e da GiveWell são recomendadas por causa do seu trabalho ao longo de anos apoiado por evidências na redução de mortes evitáveis na África subsariana dia após dia.

Aqui está a sugestão de quatro respostas:

  1. Dê à Oxfam (através da The Life You Can Save na página de doação da Oxfam, registando que gostaria que o seu donativo fosse para apoiar o trabalho de alívio à fome Africana ou através da própria página da Oxfam de resposta à emergência, onde pode escolher uma zona específica, por exemplo, a fome na África Oriental, na Síria e na crise global dos refugiados, etc.);
  2. Dê a uma das organizações sem fins lucrativos mencionada no artigo do Guardian que está a fazer um trabalho de alívio à fome nos quatro países da África Oriental;
  3. Dê a uma ou mais das organizações sem fins lucrativos recomendadas pela The Life You Can Save ― muitas fazem um trabalho que, comprovadamente, salva vidas e todas apoiam a redução da pobreza extrema e das inerentes vulnerabilidades;
  4. Dê à The Life You Can Save ― cada dólar do nosso trabalho serve para angariar 9 dólares para as nossas organizações sem fins lucrativos recomendadas.

Boa sorte ao tomar a sua decisão. A única má escolha é não somar ao seu padrão de doação normal.

Viva bem e doe bem!


Postado por Charles Bresler no Blogue da The Life You Can Save a 3 de Abril de 2017

Charles Bresler é o Director Executivo da The Life You Can Save. Foi presidente da Men’s Wearhouse. Interessa-se pelas maneiras que o possam ajudar a combater os efeitos devastadores da pobreza global e está muito interessado em soluções sistémicas para a desigualdade social e para os problemas ambientais. Leia mais do Charles Bresler

Traduzido por José Oliveira.

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