Como a Filantropia Eficaz me dá um Propósito

Mass-Community_Health_Teaching

Treino de saúde comunitário no Nepal, Foto de Lindsey Maya | Wikimedia Commons

Com a temporada de férias terminando e o ano chegando ao fim, muitos aproveitam este momento para decidir para onde enviar as suas doações de caridade anuais. Espero que este ano todos considerem dar, pelo menos um pouco mais, para causas bem avaliadas e extremamente valiosas recomendadas pela The Life You Can Save.

Mas eu também convido os doadores casuais a refletirem sobre o papel da doação em suas vidas. Enquanto estive na posição de trabalhar num emprego de tempo integral, eu fiz o meu melhor para fazer da pesquisa e das doações à caridade uma parte significativa da minha vida. Isso não era tudo, claro. Tenho amigos e família, entretenimentos e hobbies, nenhum deles relacionado com a caridade. Mas ela raramente está longe da minha mente, e tem tido um impacto significativo na forma como vivo.

Eu costumava pensar que não haveria problema se nunca viesse a ganhar muito dinheiro. Ser rico nunca foi um estilo de vida particularmente atraente para mim, e eu sentia que havia muitas desvantagens e armadilhas na busca incessante da riqueza.

Ainda acredito que isso é verdade, até certo ponto. Mas agora percebo que a quantidade de dinheiro que eu ganho pode realmente ter um impacto substancial sobre o bem-estar dos outros, ao proporcionar-me mais rendimentos disponíveis para dar a causas excelentes. E como já tenho uma boa quantidade de privilégios e conforto em minha vida, eu sou obrigado a considerar seriamente as maneiras como posso ajudar melhor os outros.

Isso não quer dizer que vá deixar todas as minhas paixões para trás e seguir uma carreira de investimento financeiro, ou alguma outra carreira com um salário muito alto. Em qualquer dos casos, a minha falta de interesse e habilidade nesses domínios sugere que eu, de qualquer das formas, iria encontrar pouco sucesso nelas. Mas eu realmente levo mais a sério a compensação financeira de potenciais perspectivas de trabalho por causa do bem que isso me permitiria fazer pelos outros.

E esta maneira de pensar sobre a minha vida proporciona benefícios não só para os outros, mas para mim também. Em vez de ver as obrigações da caridade como um fardo, como são muitas vezes retratadas, acho que trazem um objectivo importante para a minha vida.

Conheço muitas pessoas que se sentem completamente perdidas em suas vidas, à procura de uma “paixão”, lutando contra o tédio. Muitas vezes, esse é o fardo dos ricos, que têm tantas opções na vida, tornando-se difícil escolher apenas uma. Uma vez até vi um anúncio de trabalho para um escritor de blogue que “soubesse os desafios diários dos muito ricos”.

9899159484_110c2cd418_b

A simplicidade dos donativos online | Créditos da Fotografia: HM Revenue & Customs

Também tenho conhecido ainda mais pessoas que estão geralmente satisfeitas com as suas vidas, mas lamentam fazerem pouco para ajudar os outros. Elas valorizam as tradicionais “carreiras altruístas” — o ensino, a medicina e outras do mesmo género. Sentem que, com as vidas e as carreiras focadas apenas em auto-satisfação, há algo faltando.

Há, de fato, algo faltando. Mas não é difícil de encontrar. É a busca e execução de métodos cada vez melhores para melhorar a vida dos outros e ajudá-los a satisfazer as suas necessidades.

Esta não é uma tarefa fácil. Para iniciantes, pesquisar instituições de caridade e causas potenciais, pode ser um trabalho em tempo integral, e não é fácil. As variáveis e metodologias são complexas e em constante mudança, e os cursos de ação a considerar são infinitamente complicados.

Isso, claro, não é para todos — nem todos têm o tempo ou interesse para aprofundar estes assuntos. Mas tomar parte da conversa, levar o assunto a sério, e deixá-lo influenciar as suas ações, pode ser parte da vida de qualquer um.

Eu dou para a caridade  mensalmente, em vez da usual programação anual, por várias razões. Em primeiro lugar, acho que é mais fácil doar dinheiro se você der um pouco de cada vez. Eu também acho que posso ter uma melhor noção da percentagem do meu rendimento que pode ir prontamente para instituições de caridade através de incrementos menores. E, finalmente, isso me mantém ativamente envolvido com as causas para as quais estou a contribuir. Eu não dou apenas o meu dinheiro para uma organização e espero que ela o use bem — eu leio a literatura, vejo a sua pesquisa, considero, por conta própria, as características importantes do caso. Ao fazê-lo, descobri que deixei de ser atormentado com a preocupação egoísta sobre o meu lugar no mundo e sobre o que deveria estar fazendo. Eu tenho uma boa noção daquilo que deveria estar fazendo — estou apenas tentando descobrir como fazê-lo melhor.


Texto publicado originalmente por Cody Fenwick no Blogue da The Life You Can Save em 8 de dezembro de 2014.

Tradução Thiago Tamosauskas e revisão de José Oliveira.

Guardar

Guardar

Guardar

Guardar

Guardar

Guardar

Guardar

Guardar

Guardar

Guardar

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s