Porque há fome no Sudão do Sul e o que podemos fazer

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Martha Nyandit à espera da distribuição de alimentos da Oxfam. | Fotografia: Pablo Tosco/Oxfam.

A fome no Sudão do Sul deixou 100 000 pessoas à beira da inanição e quase 5 milhões de pessoas, mais de 40% da população do país, precisando de ajuda urgente.

Fome é um termo técnico, a declaração formal de Fome no Sudão do Sul significa que as pessoas já começaram a morrer à fome.

Por que existe fome no Sudão do Sul?

Os efeitos combinados do conflito no Sudão do Sul significa que as rotas comerciais foram interrompidas e a situação de segurança alimentar foi piorando de ano para ano, de modo que agora estamos vendo partes do país declarando estado de fome.

As leituras da IPC [Classificação Integrada da Fase de Segurança Alimentar] mostram que as comunidades nas áreas mais afetadas pelo conflito são as mais atingidas, pois são incapazes de produzir o seu próprio alimento e as organizações humanitárias não conseguem alcançá-las.

Isto demonstra a importância de todas as partes envolvidas no conflito permitirem que se leve ajuda humanitária aos que precisam a fim de impedir um agravamento da situação em todo o país.

O acesso à ajuda humanitária é crítico

Nos dias de hoje não deveríamos mais estar vendo pessoas morrendo, simplesmente porque não têm o suficiente para comer. Todos nós devemos assumir uma parte da responsabilidade ― dos impactos das mudanças climáticas à nossa incapacidade de pôr fim ao conflito no Sudão do Sul, pois foi tudo isso que nos levou a este ponto.

Agora, é imperativo que todas as partes em conflito permitam que as organizações humanitárias cheguem às comunidades mais necessitadas, onde quer que estejam no país, e também que apoiem soluções de longo prazo para a paz e meios de vida sustentáveis.

Precisamos também que a comunidade internacional abra seus olhos para o sofrimento aqui no Sudão do Sul e assegure que as ações humanitárias, assim como as respostas de longo prazo, sejam adequadamente financiadas e que seja aplicada pressão de todos os lados para acabar com o conflito.

A Oxfam está presente

Ainda na semana passada eu estava em Ganyiel, uma área na região de Panijar, que as pessoas temem ser o próximo lugar a cair na fome mortal. Nossas equipes de lá viajam por horas de canoa para chegar a comunidades isoladas do mundo. As pessoas nessas ilhas fugiram de violência inimaginável e agora são abandonados à fome e sob o risco de doenças mortais como a cólera.

Sabemos que onde há altos níveis de insegurança alimentar mas também há a presença de agentes humanitários, a fome pode ser evitada.

A Oxfam está trabalhando com outros no Sudão do Sul para alcançar os mais vulneráveis. Com parceiros, incluindo o Programa Alimentar Mundial, pretendemos enfrentar a insegurança alimentar aguda e crônica. Nosso objetivo é garantir que as pessoas mais vulneráveis tenham alimentos nutritivos suficientes e ao mesmo tempo trabalhar com eles para construir e fortalecer seus meios de subsistência.

Estas são algumas das maneiras como a Oxfam está ajudando:

  • Proporcionar alimentos às pessoas diretamente através de distribuições
  • Proporcionar o acesso à água potável para cozinhar e beber
  • Ajudar as pessoas a comprar gado e a produzir seu próprio alimento para consumo diário da família
  • Apoiar as pessoas a criarem pequenos negócios, proporcionando formação, ferramentas e matérias-primas para a agricultura e piscicultura.

Onde possível, visamos fornecer as matérias-primas através de comerciantes locais, e trabalhamos de perto com eles para construir mercados viáveis e fortalecer a economia local.

Será que outras áreas do Sul do Sudão cairão na fome?

Calcula-se que 47% da população do Sudão do Sul ficará com escassez alimentar de emergência até julho. A magnitude desta situação não tem precedentes na curta história do país.

Se os preços dos alimentos continuarem a subir, o acesso à terra e às matérias-primas continuarem a ser impedidos e o acesso humanitário limitado, então só podemos esperar que a insegurança alimentar deteriore ainda mais. O resultado seria a fome espalhar-se mais.

Que devemos fazer agora?

Esta é uma tragédia criada pelo homem, e estamos correndo contra o tempo para evitar que se agrave. Em mais de 30 anos de trabalho nas áreas afetadas, a Oxfam nunca testemunhou uma necessidade tão extrema. A passagem segura de ajuda humanitária e dos trabalhadores humanitários que prestam assistência e salvam vidas é imprescindível para aqueles que mais precisam de comida e água potável neste momento crítico.

Trabalhar em um ambiente de conflito complexo como o Sudão do Sul significa que as comunidades estão muitas vezes fora do alcance por varias razões, incluindo ações arbitrárias e impedimentos burocráticos por atores estatais e não-estatais. No entanto, muitas vezes nós não conseguimos chegar às comunidades por causa de combates violentos. Portanto, apelamos a todas as partes em conflito que garantam que as organizações humanitárias cheguem aos mais necessitados com segurança.

A Oxfam tem ajudado as populações no Sudão do Sul desde os anos 1980 fornecendo segurança alimentar e água, saneamento e assistência de higiene. No ano passado, a Oxfam ajudou mais de 600 000 pessoas em todo o país, com a distribuição de alimentos, água e ajuda a longo prazo.


Texto de Dorothy Sang publicado originalmente no Blogue da Oxfam em 22 de fevereiro de 2017.

Tradução de Thiago Tamosauskas e revisão de José Oliveira.

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