9 organizações recomendadas pelo altruísmo eficaz para os doadores mais racionais

Por Ben Paynter (Fast Company)

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Quais as instituições de caridade mais eficazes de 2017/2018? (Arte digital: José Oliveira | Fotografia: Alan Cleaver)

A avaliadora de instituições de caridade GiveWell é conhecida por sua rigorosa análise científica, no estilo do Vale do Silício: para ser um destinatário recomendado aos doadores, as organizações devem demonstrar que podem salvar vidas de forma simultaneamente eficaz e econômica.

Desde 2007, direcionou 260 milhões de dólares para causas e grupos, muito embora não existam muitos que satisfaçam sua avaliação. “Nosso objetivo é desenvolver uma pequena lista de organizações custo-eficazes, em cuja verificação investimos milhares de horas”, diz o co-fundador e diretor executivo Elie Hassenfeld. “A idéia é permitir que, quem quiser doar a instituições de caridade, possa usar nossa pesquisa e ter um grande impacto”.

A exigência pode ser alta, mas a lista na verdade acaba de expandir substancialmente. Com base em seus resultados de 2017, a GiveWell recomenda nove grupos atuantes em cinco causas diferentes, principalmente na África subsaariana e na Ásia. Isso representa um aumento em relação às sete organizações recomendadas em 2016 que abrangiam apenas três áreas de atuação.

 

Instituições de caridade recomendadas pela GiveWell:

Against Malaria Foundation: prevenir mortes causadas por mosquitos através de redes mosquiteiras tratadas com inseticida.

END Fund: distribuir medicamentos de desparasitação para crianças, para melhorar sua saúde e potencial de vida posterior.

A Deworming the World Initiative da Evidence Action: financiar e auxiliar programas governamentais de desparasitação em escolas.

Schistosomiasis Control Initiative: iniciar, desenvolver e apoiar programas de desparasitação administrados por governos.

Sightsavers: oferecer mais financiamento e apoio a programas de desparasitação.

O No Lean Season da Evidence Action: fazer empréstimos sem juros para incentivar agricultores do interior do Bangladesh a se mudar para encontrar trabalho na época baixa do cultivo.

GiveDirectly: fornecer transferências diretas de dinheiro para pessoas em pobreza extrema no Quênia e em Uganda.

Helen Keller International: financiar e ajudar programas governamentais de suplementação de vitamina A para reduzir a mortalidade e cegueira infantis.

Malaria Consortium: executar programas sazonais de tratamento preventivo que dão medicamentos contra a malária para crianças pequenas.

Anteriormente, a avaliadora apoiava dois tipos de esforços contra a malária: as redes tratadas com inseticida da Against Malaria Foundation e os medicamentos preventivos distribuídos pelo Malaria Consortium. Recomendava quatro programas de desparasitação infantil geridos por END Fund, Evidence Action, Schistosomiasis Control Initiative e Sightsavers. Por último, apoiava as transferências de dinheiro através de telefones celulares [Pt: telemóveis] da GiveDirectly para pessoas em pobreza extrema.

As adições deste ano são um programa de suplementação de vitamina A para crianças até cinco anos inclusive na África subsaariana dirigido pela Helen Keller International, e um pequeno programa de empréstimos sem juros para incentivar camponeses no norte do Bangladesh a ir trabalhar nas cidades durante as épocas de baixo cultivo. Chama-se No Lean Season e é desenvolvido pela Evidence Action.

A GiveWell tem visto o potencial da No Lean Season desde 2014, quando atribuiu ao grupo uma série de subsídios experimentais para que continuassem a demonstrar o seu valor. Esse programa, agora chamado GiveWell Incubation Grants, é apoiado pela GoodVentures, uma fundação criada por Cari Tuna e Dustin Moskovitz, que doam grandes quantias às principais causas recomendadas pela GiveWell. No entanto, Hassenfeld considera a inclusão da No Lean Season particularmente importante porque mostra que a rubrica da GiveWell pode ser aplicada para além de “programas básicos de distribuição de suprimentos médicos”.

Afinal, demonstrar valor leva tempo: o processo da GiveWell conta com que as organizações partilhem não apenas seus orçamentos e metodologias, mas também que monitorizem sistematicamente os serviços que fornecem ao longo do tempo para demonstrar sua consistência e que suas intervenções não possuam variáveis de confusão. Também tem idéias particulares sobre a proporção do montante que deve ser distribuída a cada organização. Afinal, se uma organização recebe muito mais do que qualquer outra, isso não é útil para qualquer delas – mesmo as melhores organizações sem fins lucrativos têm um limite na capacidade de realizar mudanças de uma só vez.

Para tal, a GiveWell recomenda doações ao seu fundo centralizado, que redistribuirá (sem custos adicionais), levando em conta os compromissos de grandes doações ​​da GoodVentures ou de outros doadores importantes. Para aqueles que ainda assim queiram contribuir de forma independente e não tenham interesses específicos em qualquer uma das organizações, a GiveWell sugere que 70% vá para a Against Malaria Foundation e 30% para a Schistosomiasis Control Initiative, porque ambas possuem grandes operações para garantir que os fundos recebidos não fiquem bloqueados e possam ser usados imediatamente.

Ou então, as pessoas podem ver a lista, considerar preferências pessoais e fazer suas próprias contas. “Todas essas nove organizações de topo são instituições de caridade excepcionais que, com doações adicionais, farão uma enorme quantidade de bem”, acrescenta Hassenfeld. “Os doadores terão muito impacto ao doar a qualquer uma delas”.

Sobre o autor

Ben Paynter é um escritor sênior da Fast Company cobrindo impacto social, o futuro da filantropia e empresas inovadoras no setor de alimentação. Seu trabalho foi publicado, por exemplo, em Wired, Bloomberg Businessweek e no New York Times.


Texto de Ben Paynter publicado originalmente na Fast Company a 8 de dezembro de 2017.

Tradução de Daniel de Bortoli e revisão de José Oliveira.

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