Como fazer o maior bem possível

Por The Economist)

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Como fazer o maior bem possível? (Arte digital: José Oliveira | Fotografias: Pixabay )

O movimento de “altruísmo eficaz” pensa ter algumas respostas

Imagine que está a andar num parque e que se depara com um menino a afogar-se num lago. Provavelmente não hesitaria em saltar para salvá-lo, mesmo que isso significasse estragar um par de sapatos caro. No entanto, caso leia uma reportagem sobre milhares de crianças a afogar-se devido a cheias num país distante, pode não se sentir obrigado a agir. O que poderia explicar esta falha de empatia aparentemente incongruente? Uma das razões é que, como ser humano, está simplesmente programado para se importar mais com aqueles que estão na sua proximidade imediata. Mas outra razão é que pode acreditar que não tem a capacidade de afectar significativamente a vida de estranhos distantes. O movimento de “altruísmo eficaz”, um grupo de benfeitores de mentalidade científica, argumenta que essa visão é demasiado pessimista. Consideram que a ciência social avançou ao ponto em que é possível que os indivíduos façam uma quantidade significativa de bem.

A maneira mais óbvia de afectar o mundo é escolher a carreira certa. O ensino é considerado uma vocação natural para um possível benfeitor, mas não é claro que assim seja. Os altruístas eficazes argumentam que, se estiver a escolher uma carreira e quiser ajudar o mundo, não se deve preocupar com o bem que uma profissão alcança em geral — em vez disso, deve concentrar-se no impacto que faria caso a desempenhasse. Caso se tornasse um professor, provavelmente não aumentaria o número total de professores no seu país. Em vez disso, estaria simplesmente a tomar o lugar de outro candidato com um currículo muito semelhante ao seu. Uma opção melhor poderia ser arranjar um emprego em Wall Street. Caso se tornasse um comerciante de derivativos e se comprometesse a doar uma grande parte do seu salário para a caridade, poderia ter um impacto muito positivo no mundo, já que estaria a tirar um emprego a alguém que provavelmente não doaria a mesma quantidade de dinheiro.

Uma das maiores proezas intelectuais do movimento de altruísmo eficaz veio na forma de avaliação de instituições de caridade. A GiveWell, uma empresa sem fins lucrativos, adoptou a pesquisa da economia do desenvolvimento e usou-a para calcular em que medida se pode fazer o bem através de cada dólar doado a um certo número de instituições de caridade. Mede o sucesso de uma instituição de caridade não em retorno financeiro, mas sim por factores como: quanto custa a essa instituição de caridade salvar uma vida. Por exemplo, a Against Malaria Foundation distribui mosquiteiros anti-malária na África Subsariana. A GiveWell considera que os benefícios do seu trabalho somam o equivalente a uma vida salva por cada 2 000 dólares gastos pelos doadores.

O rendimento médio de uma família na América é de cerca de 58 000 dólares por ano. Suponha que esta dedica 10% desse montante, por ano, às instituições de caridade eficientes. Ao longo de uma vida profissional de 40 anos, isso somaria 232 000 dólares. A análise da GiveWell implica que essa família seria responsável por salvar as vidas de 116 crianças caso doasse à Against Malaria Foundation. Peter Singer, o filósofo australiano que apresentou originalmente o argumento da criança a afogar-se, sublinha que a eficiência da instituição de caridade à qual doamos é tão importante como a quantia doada. Isso é verdade para muitas causas. Por exemplo, se estiver interessado em maximizar o prazer público com a arte, pode optar por comprar uma pintura cara para um museu. Ou poderá gastar apenas 100 dólares e ajudar alguém que vive num país pobre a fazer uma cirurgia para evitar a cegueira causada pelo tracoma. Essa pessoa poderia, então, passar toda a sua vida a contemplar pinturas.


riginalmente publicado The Economist, a

Tradução de José Oliveira.

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