Por Hyacinth Mascarenhase (MIC)
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O que é a pobreza extrema? (Arte digital: José Oliveira | Foto: Nattu Adnan, Patrick Hendry)
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Para mais de 1 bilhão [Pt. mil milhões] de pessoas no mundo, US$1,25 é o orçamento diário para comida, remédios e abrigo. O Banco Mundial define essa dura realidade como a faixa da “pobreza extrema”. Em 1973 o presidente do Banco Mundial e ex-secretário de defesa de John Kennedy, Robert McNamara cunhou o termo “pobreza absoluta” em seu famoso discurso em Nairobi como a condição de privação que “fica abaixo de toda definição racional de decência humana.”
A porcentagem da população mundial vivendo em extrema pobreza, de acordo com o critério dos US$1,25 de 1990 foi reduzida pela metade em 2010. E está programado para ser reduzida pela metade nas próximas duas décadas. Mas mesmo os países mais ricos do mundo ainda não conseguiram erradicar a pobreza extrema.
Combater a pobreza (não apenas a pobreza extrema) é mais do que colar cartazes e usar hashtags. Envolve uma visão corajosa e sincera sobre todos os fatores que criam desigualdade econômica, tanto localmente como globalmente.
Eis alguns fatos impressionantes sobre a pobreza do mundo de hoje que podem surpreender e colocar o termo comum em seu contexto real:
- O número de pessoas vivendo com menos de US$1,25 dólares por dia diminuiu drasticamente nas últimas três décadas, de metade dos cidadãos dos países em desenvolvimento em 1981 para 21% em 2010. Ainda existem contudo 1,2 bilhões de pessoas [Pt, 1,2 mil milhões] vivendo em pobreza extrema.
- Os cinco países mais pobres do mundo são Índia (com 33% dos pobres do mundo), China (13%), Nigéria (7%), Bangladesh (6%) e República Democrática do Congo (5%).
- Somando outros cinco países — Indonésia, Paquistão, Tanzânia, Etiópia e Quênia — temos quase 80% dos que vivem em pobreza extrema no mundo.
- Cerca de 22.000 crianças morrem a cada dia por condições de pobreza.
- Cerca de 1,2 bilhões [Pt. 1,2 mil milhões] de pessoas — quase tantas como a população da Índia — ainda vivem sem acesso a eletricidade.
- A África Sub-Saariana conta com mais de um terço daqueles que vivem em pobreza em extrema no mundo.
- Combinando os resultados de 27 países da África Sub-Saariana temos que 54% de seus residentes estão vivendo em extrema pobreza — a maior proporção entre as regiões globais de todo o mundo.
- Cerca de 75% das pessoas mais pobres do mundo vivem em áreas rurais dependendo da agricultura para sua subsistência.
- Em 2010, o rendimento médio das pessoas em pobreza extrema nos países em desenvolvimento foi de 87 centavos per capita por dia. Em 1981 eram 74 centavos [Pt. 74 cêntimos].
- Se os países em desenvolvimento, com exceção da China, retornarem para um nível de crescimento menos acelerado e para as taxas de redução da pobreza dos anos 1980 e 1990, levaríamos cerca de 50 anos ou mais para tirar um bilhão [Pt. mil milhões] de pessoas da pobreza.
- A Índia tem uma maior parte dos pobres do mundo hoje do que tinha 30 anos atrás. Na época, a Índia abrigava um quinto dos mais pobres do mundo. Hoje, quase um terço das pessoas em extrema pobreza estão na Índia.
- Mas a pobreza não é um problema apenas dos países em desenvolvimento. Há cerca de 16,4 milhões de crianças vivendo em pobreza nos Estados Unidos. São cerca de 21%, comparando com menos de 10% no Reino Unido e na França. A porcentagem de crianças pobres também cresceu 4,6% desde a grande recessão de 2007.
- Em 2012, um deputado da Carolina do Norte publicou que não existia extrema pobreza no estado. No entanto, as três regiões mais pobres da América estão situadas na Carolina do Norte.
- Israel tem a maior taxa de pobres dentre os países desenvolvidos, com cerca de 20,9%, de acordo com a Organization for Economic Cooperation and Development.
- A “taxa de extrema pobreza” entre mulheres nos Estados Unidos subiu de 5,9% em 2009 para 6,3% em 2010, de acordo com dados do censo.
- Em 2010, um em cada seis americanos estava inscrito em pelo menos um programa federal de combate à pobreza. Em 2011, uma em cada quatro crianças na América participavam do programa de suplemento nutricional Supplemental Nutrition Assistance Program (SNAP), também conhecido como cupons de alimentos [“food stamps”].
- Uma em cada três mulheres na América — cerca de 42 milhões — vive em estado de pobreza ou quase. E 1 em cada 6 idosos vivem na pobreza.
- Mais de 7,5 milhões de mulheres caíram na situação de “extrema pobreza” em 2010.
- Usando cupons de alimentos, subsídios de habitação e créditos fiscais reembolsáveis o número de lares americanos em extrema pobreza é 613 mil, ou seja cerca de 1,6% das famílias não-idosas com crianças.
- A pobreza é a principal causa da fome porque os pobres não têm os recursos para cultivar ou comprar a comida que precisam.
- Embora haja alimentos produzidos em todo o mundo em quantidade suficiente para proporcionar a todos uma dieta adequada, cerca de 854 milhões de pessoas, ou 1 em cada 7, passam fome.
- Estima-se que cerca de 1 em cada 8 pessoas no mundo, aproximadamente 842 milhões de pessoas, sofria de fome crônica entre 2011 e 2013.
- Cerca de 2,8 bilhões de pessoas [Pt. 2,8 mil milhões] ainda dependem de lenha, resíduos de colheitas, esterco e outras biomassas para cozinhar e aquecer suas casas;
- Apesar do fato de a China ter avançado mais do que qualquer outra nação em termos de eficiência energética, o país ainda enfrenta alguns dos maiores desafios de pobreza energética do mundo. Quase 612,8 milhões de pessoas, quase o dobro da população dos Estados Unidos, não têm acesso a combustível limpo para cozinhar e aquecer seus lares na China.
- Mais de 6,9 milhões de crianças morreram com menos de cinco anos de idade em 2011 — cerca de 800 por hora — a maioria das quais poderia ter sobrevivido aos perigos e prosperado se tivesse acesso a intervenções simples e de baixo custo.
- Uma criança nascida em um país pobre tem 1 chance em 6 de morrer antes de completar 5 anos. Em países ricos esta chance é de 1 em 165.
- As 85 pessoas mais ricas do mundo controlam tanta riqueza quanto a metade mais pobre do mundo.
- As 100 pessoas mais ricas do mundo ganharam dinheiro suficiente em 2012 para acabar quatro vezes com a pobreza extrema no mundo, de acordo com um relatório da Oxfam.
- Pessoas ricas que vivem entre vizinhos ricos geralmente doam uma porção menor do seu rendimento à caridade do que pessoas ricas que vivem em comunidades economicamente diversificadas, de acordo com esse estudo de registros fiscais nos Estados Unidos.
- Cerca de 47% dos participantes de uma pesquisa acreditam que, se as pessoas pobres recebessem mais assistência, elas se aproveitariam dela.
- De acordo com uma pesquisa intitulada “Perceptions of Poverty: The Salvation Army’s Report to America” [“Percepções da Pobreza: O Relatório do Exército de Salvação para a América”], quase metade dos entrevistados concordou que “uma boa ética de trabalho é tudo o que você precisa para escapar da pobreza”.
- Quase 43% concordaram que se as pessoas pobres quiserem um emprego, elas certamente poderiam encontrá-lo, enquanto 27% diz que as pessoas geralmente são pobres porque são preguiçosas. Outros 29% disseram que elas têm menos valores morais.
- O rendimento médio das pessoas dos países em desenvolvimento é de menos de 3 dólares por dia. Isso é menos do que custa um frappuccino da Starbucks.
- A faixa mais baixa da “classe média mundial” ganha US$ 10 por dia.
- O Projeto do Centro de Pesquisas Pew para a Excelência em Jornalismo descobriu que dos 52 principais meios de comunicação analisados, a cobertura de questões de pobreza contabilizou menos de 1% do espaço disponível para notícias de 2007 a 2012, um período que abarcou uma recessão econômica histórica.
- O relatório também concluiu que as organizações de comunicação social decidem não noticiar a pobreza por “esta ser potencialmente desconfortável para os anunciantes que pretendiam atingir um público consumidor rico”.
- Um jogo online intitulado “Survive125” , foi lançado pela Live58, uma ONG dedicada a acabar com a pobreza extrema, e desafia os jogadores a sobreviver um mês com US$ 1,25 por dia, enfrentando uma série de questões assustadoras que milhões de pessoas enfrentam todos os dias apenas para sobreviver.
- No entanto, campanhas como esta têm sido criticadas por serem “paternalistas”: “A ideia de que você pode simplesmente mergulhar seu dedinho do pé no sofrimento humano por uma semana é espúria e condescendente para com aqueles que realmente vivem na pobreza”, escreveu Maya Oppenheim para a Ceasefire Magazine.
- Dado o número de ocasiões em que os líderes mundiais prometeram erradicar a pobreza, o mundo deveria estar muito mais perto disso do que está. Em abril de 2013, Jim Kim, presidente do Banco Mundial disse: “Pela primeira vez na história, temos uma oportunidade real para acabar com a pobreza extrema no prazo de uma geração”. Oito anos antes disso, Nelson Mandela disse: “Neste novo século, milhões de pessoas nos países mais pobres do mundo continuam presos, escravizados e acorrentados. Eles estão presos na armadilha da pobreza. É hora de libertá-los.” Antes disso, o presidente Lyndon B. Johnson lançou sua luta contra a pobreza, dizendo “pela primeira vez na nossa história, é possível conquistar a pobreza.” Isso já foi em 1964.
- Para que o mundo reduza eficazmente a pobreza, os países precisam se concentrar não só na obtenção de crescimento como um fim em si, mas também na implementação de políticas que aloquem recursos para os pobres, incluindo o aumento do crescimento do rendimento entre os 40% dos assalariados mais pobres.
- Um relatório adverte que a pobreza é uma “porta giratória”, aludindo ao fato de que sair da pobreza extrema e se manter aí pode ser muito difícil, a menos que até 2030 seja feito muito mais para apoiar as populações mais pobres do mundo nos tempos difíceis.
- O mundo alcançou a Meta de Desenvolvimento Global n.º 1 — reduzir pela metade a taxa de pobreza nos países em desenvolvimento — em 2010, cinco anos antes do previsto.
- Se mantivermos a mesma taxa de progresso na erradicação da pobreza que tivemos desde 2000 (ou, com sorte, acelerá-la), poderíamos atingir a meta entre 2025 e 2030.
- O homem mais rico do mundo, Bill Gates, chegou mesmo a dizer que “quase não haverá países pobres até 2035”.
- Apesar das crises financeiras e alta dos preços dos alimentos, a proporção de pessoas que vivem em extrema pobreza em todo o mundo continuou a diminuir nos últimos anos.
Publicado originalmente por Hyacinth Mascarenhase na MIC, em 22 de Maio de 2014.
Tradução de Thiago Tamosauskas. Revisão José Oliveira.
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