Como a GiveWell e os decisores políticos convencionais comparam o “bem” alcançado por diferentes programas

Josh Rosenberg (Blogue da GiveWell)

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Qual o valor moral de uma vida? (Arte digital: José Oliveira | Fotografias: Pixabay)

Em uma postagem anterior, descrevemos como usamos as análises de custo-eficácia ao decidir quais instituições de caridade recomendar aos doadores.

Hoje, publicamos um relatório que analisa como a GiveWell e outros intervenientes, tais como governos e organizações de saúde mundial, abordam um dos assuntos mais subjetivos e incertos desta análises de custo-eficácia: como avaliar moralmente diferentes resultados positivos.

Por exemplo, a GiveDirectly, uma das sete melhores instituições de caridade da GiveWell, aumenta o consumo de quem é ajudado, enquanto o principal benefício que vemos na nossa melhor instituição de caridade, a Against Malaria Foundation, é que esta evita a morte de crianças pequenas. Como é que se pode fazer uma comparação direta entre a quantidade de “bem” alcançada por cada uma destas instituições de caridade?

A GiveWell faz isso atribuindo “pesos morais” quantitativos aos diferentes resultados em nossas análises de custo-eficácia. Para verificar quão sensíveis são as nossas recomendações face aos nossos pressupostos morais, investigamos como os outros geralmente respondem a essas questões em suas análises de custo-eficácia.

Para uma discussão completa dos resultados da nossa investigação, veja o nosso relatório detalhado.

O resumo do relatório é o seguinte:

Concentramo-nos nas seguintes questões:

  • Por que é que a incluímos explicitamente pesos morais em nossas análises de custo-eficácia e como decidimos sobre estes pesos morais?
  • Existe uma abordagem “padrão” para pesos morais em análises de custo-eficácia? Como é que outros intervenientes, como governos e a Organização Mundial da Saúde, fazem esses julgamentos? 
  • Em que medida as análises de custo-eficácia da GiveWell mudariam se usássemos uma abordagem “padrão” para estes pesos morais?

Em resumo:

  • Incluímos pesos morais em nossas análises de custo-eficácia porque são uma parte importante em uma determinada decisão e achamos que é vantajoso ser transparente sobre isso. Os pesos morais que impulsionam nossas estimativas de custo-eficácia baseiam-se nos valores pessoais de nossa equipe. 
  • Os governos e outros intervenientes importantes muitas vezes usam estimativas de “valor estatístico da vida” para comparar o valor de melhorar a saúde em relação ao aumento dos rendimentos. Essas estimativas muitas vezes implicam que um ano de vida saudável é aproximadamente 2 a 3 vezes mais valioso do que um ano aumentando para o dobro o rendimento de alguém. No entanto, há pouca pesquisa relevante para informar tais estimativas em contextos de países de rendimento baixo ou médio; entendemos que a forma de se atribuir valor ao rendimento em relação à saúde pode mudar quando uma população é muito mais pobre. 
  • Não parece haver uma abordagem padrão para comparar o valor da vida em diferentes idades; o enquadramento mais utilizado que vimos (o da esperança de vida corrigida pela incapacidade) não fornece, explicitamente, julgamentos sobre este tópico. No entanto, a maioria das outras análises que vimos assumem que evitar a morte durante a infância é cerca de 1 a 2 vezes mais valioso do que evitar a morte durante a idade adulta. 
  • Nossa análise inicial sugere que o uso de pressupostos de peso moral “padrão” (ou seja, os pressupostos dos dois pontos anteriores), em vez dos pesos morais da nossa equipe, não alteraria nossa visão geral da relação custo-eficácia das nossas melhores  instituições de caridade atuais. Isso pode afetar a forma como vemos algumas intervenções no futuro, particularmente aquelas que se concentrem desproporcionalmente na prevenção de mortes de crianças pequenas ou adultos. Prendemos incluir comparações explícitas entre os pesos morais do nosso pessoal e os pesos morais relativamente “padrão” em nossas análises no futuro.

Para mais detalhes, veja o relatório completo aqui.


Artigo originalmente postado por Josh Rosenberg no Blogue da GiveWell, em 7 de novembro de 2017.

Tradução de Thiago Tamosauskas. Revisão de José Oliveira.

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