Como pode o altruísmo eficaz manter-se curioso?

Por The Centre for Effective Altruism

AE curioso

O AE pode manter-se curioso? (Arte digital: José Oliveira | Fotografias: CEA e Pixabay)

Will MacAskill fala sobre Como pode o altruísmo eficaz manter-se curioso? Na palestra de abertura do EA Global: San Francisco 2018, Will explora a tensão entre formas de comunidade mais concentradas em objectivos e as mais exploratórias, e como conseguir o melhor dos dois mundos:

“Vou criar um pequeno contraste, indo atrás dois mil e quinhentos anos, para dois tipos de comunidades que existiram de facto. E como qualquer comunidade pode ser como uma delas de maneiras diferentes.

A primeira é a antiga Esparta. Esparta é uma incrível cidade-estado, inteiramente construída em torno de tentar construir o exército perfeito. E assim, as comunidades em geral podem, mais ou menos, tentar ser como um exército. A ideia é, temos esse objectivo único. Temos realmente algo que estamos a tentar alcançar. Caso se deseje atingir esse objectivo, queremos impor a conformidade de crenças e a conformidade de valores. Conformidade relativamente a quais são os objectivos finais. Também queremos um tipo de hierarquia, de modo que seja inquestionável quem se ouve e de quem são as visões menos importantes. Esse é um modelo que me parece que se pode ter para o tipo de comunidade ideal a que se possa aspirar.

Em segundo lugar, em contraste, está a antiga Atenas, e é muito diferente o que os atenienses valorizavam. Não era bem como ter um objectivo: em vez disso, estavam no mercado das ideias. Era apreciar realmente uma discussão aberta e seguir o argumento onde quer que isso levasse. Também se dava o caso de haver muito menos conformidade de ideias. Era muito mais sobre celebrar a diversidade, celebrar o desacordo e não o mesmo tipo de hierarquia que havia em Esparta.

Sócrates poderia abordar alguém na praça, e a ideia – pelo menos com os ideais que tinham – era de que o melhor argumento iria vencer. E assim, quando apresento estes dois tipos (Atenas e Esparta), a questão é, bem, que tipo de comunidade queremos ser? Aposto que todos estão a pensar em Esparta porque eles parecem uns durões. Não, imagino que a maioria de vocês esteja a pensar nesta situação: “Obviamente, queremos ser mais como os atenienses e menos como os espartanos”. É verdade que houve muitos, muitos benefícios para o tipo de comunidade ateniense em detrimento do espartano. Um deles será apenas, bem, e se estivermos errados quanto ao nosso objectivo? E se estivermos a almejar por algo errado ou pelo menos algumas das nossas crenças estejam incorrectas? Parece que os movimentos sociais ou intelectuais em geral podem sofrer com este problema, em que certas crenças se tornam indicadores de filiação tribal”.


Publicado por The Centre for Effective Altruism a 2 de Agosto de 2018.

Tradução de José Oliveira.

 

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