Saúde global: expansão ou desolação?

Os dados que dissipam os mitos

Por Aisha Majid (The Telegraph)

Saúde Global

Saúde Global melhor, mas poderá piorar? (Arte digital: José Oliveira | Fotografias: Pixabay e The Telegraph)

 

Guerra, doença, fome, morte… as notícias estão cheias de histórias de horror e é fácil pensar que o mundo está a ruir ao nosso redor.

Mas a verdade é muito diferente. Enquanto os jornalistas se concentram, e com razão, nos vários eventos e nos riscos terríveis que enfrentamos, o quadro geral em termos de saúde e segurança humanas é de constante e, muitas vezes, dramática melhoria.

Reunimos 10 gráficos que revelam esse progresso e também mostram os riscos que ainda permanecem, o que realmente são e onde existem.

Veja os dados e compartilhe-os — pensamos que isso irá surpreendê-lo e inspirá-lo.

1. Estamos vivendo mais tempo do que nunca

A esperança média de vida a nível global aumentou para mais do dobro nos últimos 200 anos, passando de apenas 31 anos em 1800 para 72 anos hoje em dia.

E o potencial para mais melhorias ainda é vasto.

Se todos que morreram em 2016 vivessem até os 84 anos — a esperança média de vida em Hong Kong — teríamos salvo cerca de 731 milhões de anos de vida, ou 10 milhões de tempos de vida médios em um único ano.

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2. A mortalidade infantil tem se tornado muito menos comum

A queda da mortalidade infantil a nível global tem sido uma das maiores histórias de sucesso na saúde mundial.

A mortalidade de crianças com menos de cinco anos tem decrescido em todas as regiões do mundo. O progresso tem sido dramático desde 1990, em grande parte graças à disponibilidade de vacinas e outras medidas de saúde nos países em desenvolvimento.

Mas veja a diferença entre projeções otimistas e pessimistas — um número espantoso de 1,7 milhão de vidas por ano até 2030.

SG2

 

3. Menos mães morrem no parto

A probabilidade de mulheres morrerem no parto tem sido reduzida drasticamente em todo o mundo.

Isto porque 80 por cento das mulheres agora dão à luz com a ajuda de uma enfermeira, médica ou parteira — acima do valor de 63 por cento em 2000.

Mas a margem para melhorias continua grande. Uma mulher ainda tem 120 vezes maior probabilidade de morrer no parto na Somália, o pior lugar do mundo para se ter um filho, do que na Grã-Bretanha.

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4. Estamos vencendo a luta contra as doenças infecciosas

O número de mortes causadas por doenças infecciosas está a diminuir drasticamente.

Isso se deve aos avanços da ciência médica, mas também ao investimento em infraestruturas de saúde e saneamento no mundo em desenvolvimento.

Doenças letais como o HIV estão sendo controladas, a varíola foi completamente eliminada e outras — como a poliomielite — estão se aproximando do ponto de erradicação.

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5. A tuberculose continua a ser a doença infecciosa que mais mata no mundo

Apesar do enorme progresso, as infecções que se espalham de pessoas para pessoas continuam sendo algumas das maiores causas de morte.

Surpreendentemente, a tuberculose pulmonar ainda mata mais pessoas do que qualquer outra doença infecciosa — e a resistência aos antibióticos está piorando a situação.

Em 2016, estima-se que houveram 10,4 milhões de novos casos de tuberculose e 1,7 milhão de mortes em todo o mundo.

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6. As vacinas foram decisivas na mudança

Desde o desenvolvimento da primeira vacina contra a varíola em 1796, as vacinas se tornaram uma das histórias mais notáveis ​​na saúde global.

Estima-se que salvaram 730 milhões de vidas em todo o mundo — mais de 10 vezes a população da Grã-Bretanha.

Apesar de haver certa hesitação em relação às vacinas, desencadeada em grande parte por mitos e conspirações, nove em cada dez pessoas recebem hoje as vacinas de que necessitam.

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7. Vivemos em um mundo muito menos violento

Pode não lhe parecer por causa das notícias, mas morrem hoje muito menos pessoas de forma violenta do que em qualquer outra altura.

Hoje, apenas cerca de sete em cada 100.000 pessoas morrem devido a guerras, genocídios, homicídios e terrorismo.

Isso está abaixo das 50 mortes por 100.000 pessoas registradas na idade médiaSG7.1

SG7.2

 

Mas nem tudo são rosas…

8. Superbactérias resistentes representam uma grande ameaça

A resistência aos antibióticos está crescendo rapidamente e pode nos atrasar décadas, à medida que operações comuns como cesarianas tornam-se impossíveis de se realizar em segurança.

Atualmente, estima-se que já são 700.000 pessoas a morrer anualmente em todo o mundo devido a infecções resistentes a medicamentos.

Estima-se que esse número aumente para 10 milhões até 2030, a menos que sejam tomadas medidas.

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9. As chamadas doenças “relacionadas com o estilo de vida” estão crescendo

Outra bomba-relógio é o flagelo das condições crônicas, como a obesidade, a diabetes, as doenças cardíacas e alguns tipos de câncer [Pt. cancro].

Conhecidas coletivamente como doenças não transmissíveis (DNTs), estão ligadas à falta de atividade física e ao consumo excessivo de tabaco, álcool, sal, açúcar e alimentos processados.

As DNTs agora respondem pela grande maioria das mortes no mundo desenvolvido. Globalmente, matam 41 milhões de pessoas por ano.

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10. Cuidado com a “doença X” e mais

A “Gripe Espanhola” de 1918 matou entre 50 e 100 milhões de pessoas, mais do que as duas guerras mundiais em conjunto.

Especialistas acreditam que já deveria ter ocorrido uma nova pandemia e outra gripe letal está no topo do registro oficial de riscos do Reino Unido.

Um ataque biológico na forma de um vírus de varíola modificado artificialmente, por exemplo, é menos provável, mas teria um impacto semelhante.

Pelo lado positivo, quanto maior o esforço dedicado na preparação para os enfrentarmos, maior será a redução do seu impacto.

SG10

Proteja-se a si e à sua família aprendendo mais sobre a Segurança Global na Saúde.


Texto de Aisha Majid publicado originalmente no The Telegraph a 18 de julho de 2018.
[Nota: contactamos o The Telegraph devido a um erro no texto que entretanto foi corrigido e esta é a tradução da versão corrigida.]

Tradução de Daniel de Bortoli e revisão de José Oliveira.

Botao-assineBoletim

 

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