Calcular o que não se pode saber: uma entrevista com James Snowden da GiveWell

GiveWell-Cálculos

GiveWell, salva vidas com cálculos? (Arte digital: José Oliveira | Fotografias: Pixabay)

A partir de um podcast da 80,000 Hours por Rob Wiblin

Ao partir do número que representa a esperança de vida e multiplicá-lo por esse factor subjectivo, que explica… será que determinada pessoa tem função cognitiva? Será capaz de fazer planos? Será que é um agente funcional no mundo? Multiplica-se estas duas coisas e daí resulta uma distribuição logarítmica mais ou menos normal em relação à idade.

James Snowden

Qual é o valor de se prevenir a morte de uma criança de 5 anos, em comparação com alguém de 20 anos, ou de 80 anos?

A comunidade de saúde global geralmente considera o valor como sendo proporcional ao número de anos de vida ajustados à saúde que a pessoa ainda terá – mas a GiveWell, uma das avaliadoras de instituições de caridade mais importantes do mundo, já não usa essa abordagem. Descobriram que, ao contrário do método dos anos restantes, para muitos dos seus funcionários, prevenir a morte de um adulto é realmente mais valioso do que prevenir a morte de uma criança pequena. Mas há bastante discordância, com as estimativas da equipe a abranger uma extensão de quatro ordens de grandeza.

Como o James Snowden – um consultor de pesquisa da GiveWell – explica neste episódio, não há como fazer estes julgamentos controversos baseado em informações limitadas. Caso se tente ignorar uma questão como esta, apenas se assume implicitamente uma postura irreflectida. E para cada instituição de caridade que investigam existem uma ou duas dúzias desses parâmetros altamente incertos que é necessário calcular.

A GiveWell tem trabalhado para encontrar a melhor maneira de tomar essas decisões desde a sua criação em 2007. Vidas dependem disso, portanto querem que os seus funcionários digam aquilo em que realmente acreditam e tragam para a mesa de trabalho qualquer conhecimento particular que possuam, em vez de apenas transferirem a responsabilidade para os seus superiores, ou para um consenso imaginário.

A sua estratégia é ter uma enorme folha de cálculo [Br. planilha] que lista dezenas de coisas que precisam de saber e pedir a cada membro da equipa que forneça um número e uma justificação. Depois, uma vez por ano, a equipa da GiveWell reúne-se para identificar aquilo em que realmente discordam e pensar quais seriam as evidências necessárias para mudarem de ideias.

Muitas vezes, as pessoas que têm maior familiaridade com uma intervenção em particular são aquelas que impulsionam a decisão, enquanto as outras preferem confiar nelas. Mas o grupo também pode chegar a respostas muito diferentes, baseado em crenças anteriores diferentes sobre questões morais e sobre como o mundo funciona. Nesse caso, usam a mediana da melhor estimativa de cada um para tomar as suas principais decisões.

Ao fazer a sua estimativa da gravidade relativa de morrer em diferentes idades, James considerou especificamente dois factores: quantos anos de vida se perde e quanto interesse se tem nesses anos futuros? Neste momento, James acredita que o pior momento para uma pessoa morrer é por volta dos 8 anos de idade.

Discutimos sobre as suas experiências com esses cálculos, bem como vários outros tópicos:

  • Por que mudaram as recomendações da GiveWell mais do que parece.
  • Neste momento quais são as maiores prioridades de pesquisa para a GiveWell?
  • Como se deve levar em conta os efeitos colaterais de longo prazo das intervenções?
  • Se os conselhos da GiveWell acabassem por ser muito diferentes daqui a alguns anos, a que se deveria isso?
  • Há alguma instituição de caridade que o James considere que é realmente custo-eficaz e que a GiveWell ainda não financiou?
  • Como considerar os gastos do governo nacional com o mundo em desenvolvimento em comparação com as instituições de caridade eficazes?
  • Quais são os principais desafios das intervenções relacionadas com políticas?
  • Quais são as principais incertezas em torno de intervenções para reduzir o suicídio com pesticidas? Existem outras intervenções de saúde mental que estejam a considerar?
  • Quanto tempo gastam a tentar descobrir novas intervenções?

Para ouvir ou ler a entrevista completa, clique aqui.

Robert Wiblin
Director de Pesquisa na 80,000 Hours
Pesquiso as melhores maneiras de se fazer o bem com a nossa carreira em 80 000 horas.Também apresento o podcast da 80,000 Hours sobre “os problemas mais prementes do mundo e como se pode usar a nossa carreira para os resolver”. Aqui está um pouco do meu trabalho escrito na 80,000 Hours. Aqui está uma parte do que escrevi no passado: no Overcoming Bias blog, no Giving What We Can blog e no Effective Altruism Forum.


Publicado originalmente por Robert Wiblin no Blog da The Life You Can Save, a 14 de Agosto de 2018.

Tradução de José Oliveira.

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