O aquecimento global e a necessidade de doar

Cody Fenwick (The Life You Can Save)

Aquecimento global

Aquecimento global, doações podem ajudar? (Arte digital: José Oliveira | Fotografias: Pixabay)

Das muitas consequências lamentáveis ​​do aquecimento global, talvez a pior esteja representada neste mapa (créditos da Vox):

 

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As áreas em verde são as menos vulneráveis ​​aos efeitos do aquecimento global. Aquelas em vermelho são as mais vulneráveis. Infelizmente, as áreas que são mais vulneráveis são ​​também as habitadas por algumas das pessoas mais pobres do mundo.

De fato, um relatório recente do Copenhagen Consensus Center constatou que:

A maioria dos países foi beneficiada pelas mudanças climáticas até 1980, mas depois disso a tendência é negativa para os países pobres e positiva para os países ricos. O impacto médio global foi positivo no século XX. No século XXI, os impactos se tornam negativos na maioria dos países, ricos e pobres.

Isso não foi acidental. A pobreza nos torna vulneráveis de várias formas. Os agricultores que vivem da sua própria terra não terão nada para comer se uma seca durar mais que o esperado. Famílias em casas inseguras têm pouca proteção contra monções. Mudar de terrenos mais traiçoeiros será inevitavelmente mais difícil para aqueles que têm menos recursos.

O que torna isso perverso é que as pessoas como nós que vivem no mundo desenvolvido são as que mais beneficiam do uso global de combustíveis fósseis. As nações prósperas têm extraído riquezas da permissividade do carbono, e essa riqueza vai nos proteger das consequências mais intensas de nossa imprudência (mapa, créditos da Vox).

 

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Tudo isso pode parecer justificar que doemos a organizações ambientais ou a certos grupos de defesa de políticas ambientais. Embora isso possa valer a pena, pode ser uma justificação difícil de fundamentar. O aquecimento global é um problema extremamente complexo, e não é ainda de todo claro de onde virão as melhores soluções. Pior ainda, há poderosos grupos de interesse que combatem qualquer política que vise regulamentar os maiores poluidores.

No entanto, os efeitos devastadores das mudanças climáticas em países pobres reforçam ainda mais a necessidade de organizações humanitárias globais. O dinheiro gasto para elevar os padrões de vida das pessoas em maior risco, pode mitigar alguns dos perigos causados ​​pela sua pobreza. E se gastarmos o dinheiro lutando contra a pobreza, em vez de instalarmos aquecedores em nossa segunda casa, ou em vez de consumirmos produtos de origem animal, poderemos reduzir a nossa contribuição para o consumo rápido que está a sobreaquecer o planeta.

Uma objeção pode ser que, mesmo se diminuíssemos o nosso consumo pessoal, dando quantidades significativas de nossa riqueza, ainda assim estaríamos aumentando o consumo daqueles que ajudamos. No entanto, dado que as nossas emissões de carbono per capita em alguns casos são maiores do que as dos países em desenvolvimento por um fator de 100 ou mais, é improvável que o seu aumento de consumo supere a nossa diminuição.

E uma vez que o desenvolvimento econômico das regiões mais pobres é amplamente responsável pela redução das taxas de natalidade, essa objeção é ainda mais questionável. Famílias se tornam financeiramente mais seguras e as mulheres se tornam mais capacitadas, levando a uma maior autonomia quanto à reprodução e a uma necessidade decrescente de que a fertilidade compense a mortalidade infantil. Famílias menores representam uma sobrecarga menor no meio ambiente, especialmente se os países forem incentivados a desenvolver-se usando meios sustentáveis.

Na verdade, existem maneiras de doar que fornecem ao mesmo tempo apoio econômico para os países pobres, enquanto dissuadem diretamente as emissões de carbono. A instituição de caridade Cool Earth trabalha com comunidades locais em zonas de floresta tropical para fornecer incentivos contra a desflorestação, reduzindo assim as emissões de carbono e melhorando os padrões de vida.

As consequências do aquecimento global não são do tipo tudo-ou-nada. Os efeitos negativos podem ser atenuados através da redução dos nossos efeitos sobre o clima e protegendo aqueles que são mais vulneráveis. Quanto mais fizermos agora para nos prepararmos, mais reduzimos os riscos a longo prazo. Este gráfico mostra algumas estimativas diferentes do aumento dos danos econômicos (para não falar dos danos que não podem ser medidos com precisão) rastreados e comparados com o aumento das temperaturas globais:

 

 

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Nicholas Stern (2013) do Journal of Economic Literature

 

Muitas pessoas acham que o desafio do aquecimento global é demasiado assustador para se pensar sobre isso. Mas se o que eu disse estiver correto, não precisamos pensar dessa maneira. Ainda que os nossos esforços individuais possam ser pequenos face à escala global, assim também é a nossa contribuição para o problema. Quando combatemos grandes problemas só podemos esperar ter um pequeno efeito, mas esse pequeno efeito pode significar tudo para aqueles indivíduos que estamos a ajudar.

Nós podemos fazer ainda mais ao fazer parte das maiores soluções. Podemos reduzir o nosso próprio consumo desnecessário e ajudar a retirar da pobreza aqueles que estão sofrendo com ela. Podemos falar com os nossos amigos e vizinhos sobre como e por que fazemos isso, e ter um efeito ainda maior com as nossas conversas do que temos com as nossas doações.


Publicado originalmente por Cody Fenwick no blogue da The Life You Can Save, em 18 de junho de 2014

Tradução Thiago Tamosauskas. Revisão José Oliveira.

 

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