Estar à altura da Doação Eficaz e do Cristianismo

Por Jason Dykstra (Blog da The Life You Can Save)

Cristianismo AE

Cristianismo e Altruísmo Eficaz ligam? (Arte digital: José Oliveira | Fotografias: Pixabay)

A minha jornada para entender melhor o altruísmo começou com meu pai. Tive a sorte de aprender com ele muitos hábitos de generosidade financeira e honestidade, mas principalmente a lição de que o que nos sobra deveria ser usado para o bem maior. Naquela época, não havia Internet ou pesquisa científica significativa para ajudar as pessoas a identificar onde o dinheiro poderia, com maior probabilidade, realizar esse bem maior, mas esse sempre foi o contexto em que vi a generosidade à medida que me tornava adulto.

Isso foi aperfeiçoado ao longo da faculdade e do curso de medicina ao desenvolver a minha fé Cristã. Em Quanto Custa Salvar Uma Vida [Pt. A Vida Que Podemos Salvar], Peter Singer observa corretamente que os ensinamentos de Jesus e seus seguidores na igreja primitiva não dão qualquer justificação para se acumular excessos às custas dos pobres. Ver pessoas sob o rótulo de cristianismo darem e gastarem suas riquezas em pouco mais do que edifícios luxuosos e programas sociais relativamente caros, raramente focados nos mais necessitados do mundo — a nível espiritual ou físico —, se tornou inaceitável ​​para mim, e é algo em que tenho trabalhado arduamente e de muitas maneiras para reverter. Mas acho que a maior contribuição para o altruísmo eficaz que a fé me deu, é o desafio de Jesus de definir a generosidade tanto pela quantidade que se guarda quanto pela quantidade que se dá (Marcos 12: 41-44). Como o Sr. Singer ressalta com sensibilidade e razão, aqueles que são capazes de dar bilhões [Pt. milhares de milhões] fazem uma enorme quantidade de bem e devem ser reconhecidos, mas não fornecem um modelo útil de generosidade para os restantes de nós, ao comunicar que é necessário viver com milhões de dólares se quisermos ser assim tão generosos.

Minha esposa e eu estávamos procurando uma maneira de praticar o altruísmo com uma aplicação mais geral e, ironicamente, o ímpeto veio quando éramos o mais pobres que provavelmente alguma vez seremos: no final da faculdade de medicina. Enterrado sob uma montanha daquilo que me disseram ser dívidas “boas”, sonhava com meus colegas estagiários, na lanchonete do hospital, sobre o que faríamos com nosso dinheiro, quando tivéssemos algum! As respostas típicas eram sobre casas, carros e barcos, e então eu ingenuamente disse: “Eu pretendo dar a maior parte do rendimento que me sobrar para o bem maior”. Um residente fixou seus olhos em mim e afirmou categoricamente: “Não, você não irá fazer isso.” Bem, não há melhor motivação para uma personalidade Tipo-A, uma pessoa ligeiramente orgulhosa, do que esse tipo de desafio, e a partir daquele momento, eu estava determinado a dar sempre mais e guardar menos para promover o bem maior.

familia

Família de Jason Dykstra (Fotografia: The Life You Can Save)

Minha esposa, mais humilde, estava mesmo assim totalmente de acordo, especialmente porque tínhamos tão pouco dinheiro que não sabíamos do que estaríamos abrindo mão! Ao longo da residência médica, solidificamos o nosso modo de pensar que nossa família nunca viveria com mais do que o rendimento mediano dos EUA (excluindo impostos sobre o nosso rendimento, a dívida estudantil e as despesas de adoção). Manter os gastos em uma quantia fixa é uma abordagem que qualquer pessoa pode facilmente implementar e confirmar, estabelecendo essa fasquia à altura em que seja o melhor desafio, assim fizemos disso o nosso compromisso. Sobretudo também nos esforçamos por tomar as decisões cruciais sobre habitação, vizinhanças e círculos sociais, necessárias para manter esse compromisso.

Poderá pensar que a nossa história se tornou muito mais dura quando tivemos mais a sobrar para gastar, mas a transição para a minha prática de radiologia não foi sentida como um sacrifício. Por estarmos tão acostumados a viver abaixo das nossas posses, alcançamos facilmente nosso objetivo todos os anos, com gastos normalmente reduzidos sem sequer tentar. Como a nossa casa nova e vizinhança não são mais luxuosas do que antes, desfrutamos de um círculo social mais diversificado etnicamente e economicamente, perfeito para os nossos dois filhos afro-americanos. Já que temos que poupar e procurar pechinchas, estamos em melhores condições de apreciar as pessoas mais generosas do que nós que continuam a fazer doações, mesmo poupando muito menos. Visto que vivemos de uma quantia fixa de dinheiro, pagamos nossas dívidas e hipotecas muito mais rápido do que teríamos feito de outra forma e agora desfrutamos da liberdade desse tipo de constrangimentos. Isso trouxe ainda mais dinheiro a sobrar não “disponível” para nós, e tem sido imensamente gratificante doá-lo para os parceiros mais eficazes que servem as populações mais carentes pelas quais temos uma dedicação maior. A felicidade de ter coisas é realmente mínima (especialmente ao mantê-las/ repará-las / substituí-las!) em comparação com a satisfação de ser quem você foi criado para ser, aquele que serve os que mais precisam.

Quando eu li Quanto Custa Salvar uma Vida [Pt. A Vida Que Podemos Salvar] (e Doing Good Better de William MacAskill), senti a confirmação e um desafio ainda maior de aproveitar ainda mais o altruísmo, e estou grato por ambos os livros e autores. Como cientista e pessoa de fé, valorizo ​​muito a ajuda objetivamente comprovada e eficaz àqueles que serão mais beneficiados. Dirigir boa parte de nossas doações para a Against Malaria Foundation e a GiveDirectly foi um resultado importante da leitura desses livros, e minha esposa e eu estamos desafiando intencionalmente a nossa comunidade de fé e também nos empenhando mais plenamente na comunidade de Altruísmo Eficaz. Agora sabemos quanta alegria, saúde e satisfação humanas — para nós e para muitos outros — são sacrificadas ao deixar de lado a grande oportunidade de salvar as vidas que você pode salvar, mas essa é uma perda que nenhum de nós precisa enfrentar. Felicidades para você e sua busca do bem maior para os mais necessitados!

 

JASON DYKSTRA – Jason e sua esposa Laura moram em Michigan com seus dois filhos, que trouxeram com eles uma maravilhosa diversidade de familiares e amigos! Eles estão empenhados na comunidade de adoção trans-racial, e defendem regularmente o Altruísmo Eficaz, a reconciliação racial e a justiça para os pobres.
Jason trabalha como médico especializado em radiologia diagnóstica. Nos últimos 15 anos, também se ofereceu como mentor para centenas de estudantes do ensino médio e universitário. Ele é o autor da série gratuita de e-books Healing Hereafter, uma exploração de inúmeras questões difíceis de fé que procura encontrar respostas racionais e revigorantes.


Postado originalmente por Jason Dykstra no Blog da The Life You Can Save, em 06 de agosto de 2018.

Tradução de Thiago Tamosauskas. Revisão de José Oliveira.

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