O que podemos alcançar

Por Giving What We Can

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Pobreza extrema, o que podemos alcançar? (Arte digital: José Oliveira | Fotografias: Pixabay)

Quando confrontados com os muitos problemas que enfrentamos, é fácil sentir que há pouco que possamos fazer para ajudar. No entanto, temos provas sólidas que mostram que individualmente podemos ter um impacto significativo a melhorar a vida de outras pessoas, através da doação às melhores instituições de caridade.

Pobreza global: um caso de estudo

Há muitas maneiras com as quais podemos ter um grande impacto através dos nossos donativos, e o movimento do altruísmo eficaz está continuamente à procura e a avaliar as oportunidades mais promissoras. Ao observarmos a pobreza global vemos um exemplo de como as doações bem direccionadas podem ter um impacto extremamente positivo.

O Problema

A escala da pobreza é imensa, e é fácil pensar que nós, no mundo desenvolvido, somos impotentes quanto a fazer algo sobre isso. No entanto, os factos mostram-nos uma realidade muito diferente.

Estimativas oficiais do Relatório de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas de 2015, juntamente com outras fontes como o Banco Mundial, mostram como os números dos gastos, rendimento e saúde são divididos de forma desigual entre os países em todo o mundo:

  • Os gastos militares em todo o mundo ultrapassaram 1,7 bilhão [Br. 1,7 trilhão] de dólares em 2015 [1], mais do que o PIB dos 100 países mais pobres do mundo juntos.
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  • A média do rendimento nacional bruto (RNB) per capita nos países de altos rendimentos é mais de 28 vezes maior do que nos países de baixos rendimentos[2].
    .
  • A expectativa de vida nos países de altos rendimentos (81 anos) é um quarto maior do que nos países de baixos rendimentos (62 anos). Em 2015, a taxa de mortalidade global de crianças com menos de cinco anos foi de 42,5 mortes por 1 000 nascidos vivos [3], embora distribuída de forma desigual entre os grupos de rendimento. Países de baixos rendimentos tiveram a taxa mais alta (76,1 mortes por 1 000 nascidos vivos), seguidos pelos países de rendimentos médios (39,9) e países de altos rendimentos (5,5 mortes) [4].

Estes números mostram em que medida é desigual a distribuição global da riqueza. No entanto, também sugerem que aqueles de nós que vivem em países ricos poderiam ter um grande potencial na ajuda aos outros através dos nossos recursos.

O que podemos fazer: doar eficazmente

Talvez você não faça muitos donativos à caridade, mas talvez sinta que o deveria fazer. Talvez tenha ficado desanimado com histórias alarmistas sobre doações que foram desperdiçadas devido à corrupção política ou a planeamento inadequado. Ou talvez não tenha pensado muito sobre o que as suas doações poderiam alcançar.

Se em certa medida isto se aplica a si, a nossa mensagem é simples: é bom doar generosamente, mas é igualmente importante doar de forma eficaz. A diferença de eficácia — o bem alcançado por cada moeda doada — entre diferentes instituições de caridade pode ser surpreendente.

Para um exemplo da diferença que a eficácia pode ter, suponha que queremos ajudar pessoas que sofram de cegueira:

  • Num país desenvolvido, isso geralmente envolveria pagar para treinar um cão-guia e o seu novo proprietário, o que custa cerca de 50 000 dólares.
    .
  • Em 2010, havia cerca de 20 milhões de pessoas, principalmente em países em desenvolvimento, sofrendo de graves deficiências visuais causadas por cataratas. Muitas dessas pessoas poderiam ter a sua visão restaurada através de uma operação segura, que custa apenas 1 000 dólares, de acordo com a GiveWell.org.
    .
  • Pela mesma quantidade de dinheiro de treinar um cão-guia para ajudar uma pessoa, poderíamos, em vez disso, curar cerca de 50 casos de deficiência visual severa.

E há formas ainda mais eficazes de doar, que podem transformar a vida de centenas de pessoas. Se um cidadão americano típico desse 10% do seu rendimento às ONGs adequadas[5], então todos os anos estas poderiam:

  • Distribuir pelo menos 1100 mosquiteiros, protegendo até 2 200 pessoas e estima-se que isso preveniria aproximadamente uma morte[6], ou
    .
  • Tratar pelo menos 4 200 pessoas de doenças tropicais negligenciadas[7].

Ao longo de toda uma vida, poderíamos deixar um incrível legado de doenças prevenidas ou curadas, e vidas prolongadas. Podemos fazer tudo isto sem sair dos nossos países, sem mudar as nossas carreiras, e dentro das nossas possibilidades.

Começar a agir

Na Giving What We Can sentimo-nos compelidos a agir face a estes factos. É por isso que cada um de nós assumiu um compromisso publico de doar pelo menos 10% dos nossos rendimentos às organizações que acreditamos que farão o maior bem no mundo. Quaisquer que sejam os nossos rendimentos, todos nós teremos um tremendo efeito em milhares de vidas.

Se está pronto para começar a ter um enorme impacto, pode juntar-se a nós hoje, comprometendo-se a doar 10% do seu rendimento a organizações eficazes (ou 1% do dinheiro disponível para gastos no caso de estudantes e de pessoas que tenham pouco ou nenhum rendimento). Em alternativa, pode começar com o Try Giving [Experimente Doar], e escolher quanto do seu rendimento doar e por quanto tempo.

Porque espera?

Torne-se membro

Descubra o Try Giving [Experimente Doar]

 

 

Notas de rodapé

[1]  Instituto Internacional de Pesquisas da Paz de Estocolmo. “Tendências das Despesas Militares Mundiais, 2015”, Abril de 2016 < https://www.sipri.org/sites/default/files/Trends-world-military-expenditure-2016.pdf >

[2]  Compare os números do Banco Mundial mostrados aqui: <https://data.worldbank.org/indicator/NY.PIB.PCAP.PP.CD?locations=XM e https://data.worldbank.org/indicator/NY.PIB.PCAP.PP.CD?locations= XD>

[3] O Banco Mundial. “Taxa de mortalidade de menores de 5 anos (por 1 000 nascidos vivos)”, < http://data.worldbank.org/indicator/SH.DYN.MORT&gt;

[4] Compare os números do Banco Mundial apresentados aqui (alterando a figura “Baixos rendimentos” para “Rendimentos médios” ou “Rendimentos altos” para obter esses números): <https://data.worldbank.org/indicator/SH.DYN.MORT?locations=XM&gt;

[5] Com base no rendimento pessoal médio nos EUA de 30 240 dólares de acordo com as estatísticas de 2015 do US Census Bureau. “PINC-01. Características seleccionadas de pessoas de 15 anos ou mais, por rendimento monetário total, experiência de trabalho, raça, origem hispânica e sexo”.

[6] Com base nas estimativas da GiveWell do custo de distribuição de redes anti-malária através de distribuições financiadas pela Against Malaria Foundation. <http://www.givewell.org/charities/against-malaria-foundation&gt;

[7] Baseado nas estimativas da GiveWell sobre o custo de distribuir um tratamento através da Schistosomiasis Control Initiative. <http://www.givewell.org/charities/schistosomiasis-control-initiative&gt;


Originalmente publicado por Giving What We Can.

Tradução de José Oliveira.

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