Escolher Doar

Por Rachel Elizabeth Maley (The Life You Can Save)

Escolher doar(19)

Devemos escolher doar? (Arte digital: José Oliveira | Fotografias: Pixabay)

Esta noite, ao analisar o orçamento do mês passado e planejando as próximas semanas, eu doei dez por cento do meu rendimento mensal para a Against Malaria Foundation. Na verdade, eu tenho feito isso no final de cada mês, desde que fiquei a saber sobre o Altruísmo Eficaz no ano passado. Já contribui para várias instituições de caridade recomendadas por Peter Singer, e com cada pequena doação, fico a saber mais sobre o impacto gigantesco do meu dinheiro no mundo em desenvolvimento.

Para muitos possíveis altruístas, a decisão mais difícil é a de escolher doar sequer.

Os números me transformaram em uma altruísta. Quando descobri que poderia, em vez de gastar minha exorbitante mensalidade da academia de ginástica (eu nem quero dizer quanto custava) para em vez disso curar a cegueira de pessoas, o único pensamento que tive foi: “Por que não fiz isso o tempo todo?” Essa pergunta mudou minha vida para sempre. Eu li The Life You Can Save [Br. “Quanto Custa Salvar uma Vida?” / Pt. “A Vida Que Podemos Salvar”] em menos de 48 horas. Reconsiderei todas as minhas prioridades financeiras. Visto até àquele ponto o sentimentalismo tinha pautado as minhas escolhas relativamente à caridade, o Altruísmo Eficaz foi como um raio de luz.

Mas para aqueles que gastam dinheiro com as famílias e hipotecas de suas casas, a resposta ao desafio de doar pode ser simplesmente: “Como poderia eu fazer isso?” Quando dois pais estão compartilhando um mesmo carro, por exemplo, a obrigação de ir trabalhar todas as manhãs parece muito mais urgente do que a necessidade de água potável em uma nação estrangeira remota.

E nós, ainda assim, escolhemos doar?

A realidade é que o custo para se melhorar vidas no mundo em desenvolvimento é extraordinariamente baixo. O dinheiro que eu poderia gastar em luxos aqui nos EUA pode facilmente comprar e distribuir centenas (ou milhares, se os seus luxos são bem luxuosos) de mosquiteiros que impedem a doença e a morte.

Sacrifícios monetários parecem menos penosos quando comparados com a alternativa: viver com o conhecimento de que poderíamos melhorar drasticamente a vida dos outros, mas em vez disso escolhemos ornamentar a nossa.

Eu admito que atualmente contribuo mais para as minhas poupanças e contas de aposentadoria do que para instituições de caridade eficazes. Faço isso para que possa continuar a levar uma vida confortável de acordo com os padrões da minha sociedade – em que a malária, o HIV e o sarampo não são ameaças diárias para a minha existência. Mas, em vez de usar todo o meu rendimento adicional para o sonho da auto-suficiência na velhice, eu decidi doar algum desse dinheiro agora, com a esperança adicional que pela altura em que eu chegue à idade da aposentadoria, muitos dos problemas que se apresentam aos altruístas como eu já tenham sido resolvidos.

Não deveríamos nos sentir culpados ou envergonhados por ter nascido em sociedades ricas. Não podemos pedir desculpas pelos fatos arbitrários de nossa existência, mas podemos de algum modo assumir responsabilidades, juntamente com a nossa boa sorte. Se aceitarmos a premissa de que as vidas humanas são iguais, independentemente das suas circunstâncias, então também aceitaremos que cada um de nós tem o poder de alterar essas circunstâncias para melhor.


Postado originalmente por Rachel Elizabeth Maley no Blog da The Life You Can Save, em 9 de abril de 2014

Tradução de Thiago Tamosauskas. Revisão José Oliveira.

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