Três maneiras de atingir seus objetivos de doação

Por Brad Hurley (The Life You Can Save)

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Como cumprir os seus objectivos de doação? (Arte digital: José Oliveira | Fotografias: Pixabay)

“Não sou muito bom a planejar orçamentos na minha vida pessoal”, escreveu recentemente Daniel Dewey no Effective Altruism Forum. “Esse é o meu maior problema para atingir o meu compromisso [de doação]. Este ano, isso me incomodou especialmente, e parece-me que não vou conseguir atingir o meu compromisso anual.”

Isso lhe parece familiar? À medida que o final do ano se aproxima, muitos de nós nos lembramos das metas e planos que estabelecemos em janeiro e balançamos a nossa cabeça desapontados. Mas não precisa ser assim.

É fácil definir objetivos, mas se você quiser alcançá-los, precisará garantir que eles são alcançáveis no contexto mais amplo da sua vida, o que provavelmente inclui muitos outros compromissos conflitantes. E se você não tem uma maneira de monitorar o progresso e garantir que está no caminho certo, os seus objetivos podem desviar-se do caminho, à medida que outras prioridades disputam sua atenção (e dinheiro) ao longo do ano. Se você já teve problemas para atingir objetivos de doação, as sugestões abaixo podem ajudar.

Automatize as suas doações

Supondo que você tenha um rendimento estável e previsível, uma maneira simples de garantir o cumprimento de um objetivo de doações anual é configurar doações mensais diretas por débito automático ou cartão de crédito no valor de 1/12 do objetivo.

No entanto, se o seu objetivo for ambicioso, as doações automáticas podem deixá-lo vulnerável a crises de liquidez quando se confronta com despesas inesperadas. E se a sua melhor amiga o convidar para o casamento dela do outro lado do mundo? E se o seu carro avariar e exigir centenas de dólares em reparações? Claro, se você não tiver dinheiro suficiente, poderá colocar essas despesas em um cartão de crédito e pagá-las com o tempo, mas o dinheiro gasto com os juros poderia ter sido gasto em coisas melhores, o que incluiria doar mais.

Você pode reduzir o risco de falta de liquidez reservando 1/12 do seu objetivo a cada mês em uma conta poupança, deixando-a disponível para levantamentos face a despesas inesperadas enquanto economiza para fazer as suas doações no final do ano. À medida que essas poupanças crescem, no entanto, elas podem se tornar um recurso cada vez mais tentador: é fácil dizer a si mesmo: “Vou pegar emprestado algum dinheiro da minha conta de doações para cobrir esses custos e pagá-lo de volta nos próximos meses”. Mas os próximos meses podem trazer outras despesas inesperadas e você poderá verificar que é impossível pagar todos os seus empréstimos.

Use uma abordagem híbrida

Uma estratégia alternativa, que eu mesmo uso, é configurar levantamentos automáticos para uma parte de seu objetivo enquanto poupa um montante fixo para no final de ano compensar a diferença. No meu caso, configurei levantamentos mensais automáticos que equivalem a um pouco mais da metade do meu objetivo, a experiência mostrou que posso custear todos os meses com poucas dificuldades. Poupo os fundos restantes ao longo do ano para doações em dezembro. Eu usei essa abordagem com sucesso para atingir ou exceder os meus objetivos de doações pessoais nos últimos anos. O valor das minhas poupanças destinadas a doações no final do ano é muito menor do que seria se eu tivesse poupado para fazer todas as minhas doações em dezembro, tornando-a uma fonte de fundos menos tentadora para outras despesas.

Criar um plano de gastos

Embora a doação automática funcione para muitas pessoas, ela não resolve a questão de como equilibrar e gerenciar as prioridades financeiras concorrentes em sua vida — das quais a doação é apenas uma. Um orçamento pode ajudar nesse sentido, mas não é uma solução popular: na visão estereotipada, o orçamento envolve a definição de limites estritos de quanto você pode gastar em categorias como comida, roupas e entretenimento, sem deixar espaço para a espontaneidade. Além disso, há o aborrecimento de rastrear suas despesas e compará-las com o que você orçou.

Mas e se você virasse o conceito de orçamento de cabeça para baixo? Em vez de ver um orçamento como um conjunto de limites estritos, e que tal se você o tratasse como um plano proativo e flexível de como vai gastar e economizar o seu rendimento? Esse é o conceito por trás do “orçamento de soma zero”, no qual você decide, cada vez que recebe o seu rendimento, como é que cada um desses dólares, libras, euros ou qualquer moeda que você usar, será gasto ou poupado. Você reparte o seu rendimento em categorias no seu orçamento, de acordo com as suas prioridades e compromissos, até que não haja mais nada para repartir. Você baseia as decisões de gastos no conteúdo das categorias de orçamento e não nas suas contas bancárias. Depois, ao longo do mês, você reorganiza o dinheiro entre as categorias, conforme necessário, para cobrir despesas imprevistas. Para cada ajuste ascendente que você fizer no valor destinado a uma categoria, é necessário fazer um ajuste descendente correspondente no valor destinado a outra.

Embora se chame orçamento, prefiro pensar em um orçamento de soma zero como um plano de gastos: coloca você no lugar do motorista e o força a tomar decisões de gastos e poupança que equilibram os seus compromissos, objetivos e prioridades pessoais. Eu achei isso muito mais empoderador do que limitativo e fico desejoso de configurar meu orçamento todos os meses.

A configuração e o acompanhamento de um orçamento envolvem uma curva de aprendizagem, mas depois disso é fácil de manter. Gasto cerca de 10 minutos por mês configurando meu orçamento para o mês seguinte e outros 30 a 45 minutos por mês inserindo transações (prefiro inseri-las manualmente todos os dias, em vez de me conectar diretamente aos meus bancos). É possível configurar e gerenciar um orçamento com lápis e papel, uma planilha [Pt. tabela] ou com qualquer aplicativo comercial de orçamento com soma zero, como o You Need a Budget, GoodBudget, Mvelopes ou Financier. Alguns desses aplicativos incluem ferramentas de acompanhamento de objetivos.

Meu orçamento tem duas categorias para doações: uma para doações mensais regulares, que inclui todas as minhas doações automáticas, e outra que chamo de “preenchimento de final de ano”, que financio ao longo do ano sempre que tenho dinheiro extra em meu orçamento. Também uso essa categoria como repositório de recompensas pelo uso do meu cartão de crédito, que dou para as instituições de caridade eficazes que apoio, bem como as poupanças que obtive ao mudar os meus hábitos (por exemplo, mudar de manteiga de amêndoa para manteiga de amendoim).

A combinação de doações mensais automáticas e o orçamento de soma zero tem sido para mim algo com muito sucesso, ajudando-me a cumprir não apenas os meus objetivos de doações, mas também para poupar para quando me aposentar, para pagar as nossas hipotecas, para poupar para grandes compras e para ajustar o meu estilo de vida de modo a refletir os meus valores. Agora, não consigo imaginar administrar a minha vida sem um orçamento.

Conclusão

Não cumprir o seu objetivo de doação não é o fim do mundo e não deve ser um motivo de vergonha. Mas deveria levá-lo a considerar se o seu objetivo é demasiado ambicioso para a sua situação financeira ou se você precisa se esforçar mais para reduzir despesas ou evitar tentações em outras áreas. Daniel Dewey fez isso quando ficou claro para ele que não iria cumprir o seu objetivo de doação em 2016. Ele elaborou uma estratégia proativa para garantir que pudesse atingir a sua meta (ao contribuir para o seu compromisso no primeiro dia de cada mês) enquanto criava uma nova categoria de poupança para financiar os tipos de despesas imprevistas que o desviavam do seu rumo.

Se você decidiu que fazer doações para instituições de caridade eficazes é uma prioridade em sua vida, qualquer uma das abordagens descritas acima deverá ajudá-lo a alcançar seu objetivo. Boa sorte!


Publicado originalmente por Brad Hurley no Blog da The Life You Can Save, a 14 de dezembro de 2016

Tradução de Thiago Tamosauskas. Revisão José Oliveira.

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