Boas notícias sobre a COVID-19

Por Robert Wiblin (80,000 Hours)

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Coronavírus, há boas notícias? (Arte digital: José Oliveira | Fotografias: Pixabay)

Muitos de nós sentem-se deprimidos com a situação da COVID-19, e esta é sem dúvida uma tragédia horrível.

Mas milhões de pessoas mostraram estar à altura deste desafio, e há bastantes boas notícias misturadas com as más.

A comunicação social tem uma tendência para dar maior cobertura às más notícias, porque os leitores acham que as histórias negativas chamam mais a atenção.

Portanto, para haver equilíbrio, aqui estão algumas coisas positivas que ficámos a saber na última semana à medida que escrevíamos artigos sobre como lidar com a crise do coronavírus através do trabalho temporário, doações ou políticas.

Alguns países estão a barrar a entrada da COVID-19, enquanto outros estão a mudar o rumo à pandemia

Como pode ver neste gráfico, a COVID-19 permanece maioritariamente controlada na Coreia do Sul, Taiwan e Singapura. Taiwan mal se vê lá em baixo, enquanto que Singapura ainda não teve mortes suficientes para aparecer na figura até agora.

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Agradecemos aos assistentes do Our World in Data por esta página, que produz todos os gráficos deste texto. Note-se que este gráfico é logarítmico, portanto, cada incremento é 10 vezes mais alto do que o último.

Quando saírem do seu “encerramento total”, os outros lugares podem potencialmente copiar os métodos que estes três países mostraram que podem funcionar.

A COVID-19 também poderá ser controlada em Hong Kong, no Japão e na China, que estão a relatar poucos casos novos. (Infelizmente, Hong Kong e o Japão não estão a testar pessoas suficientes para se ter a certeza, e a China não diz quantos testes estão a ser realizados, portanto teremos de esperar para ver).

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Como mostra a figura abaixo, mesmo os dois países mais afectados, Espanha e Itália, estão a ver o declínio do ritmo de crescimento relativo aos novos casos e às mortes.

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A Itália adoptou um encerramento total a nível nacional a 9 de Março e a Espanha fez o mesmo a 14 de Março. O número de pessoas que morrem por dia estabilizou em Itália nos últimos dez dias e tem crescido muito mais lentamente em Espanha nos últimos oito.

De facto, a maioria dos países que adoptou este nível de isolamento físico está a assistir à estabilização ou ao declínio da taxa de novos casos após uma a três semanas, como esperávamos e prevíamos.

De acordo com isso, investigadores da London School of Hygiene and Tropical Medicine acabaram de estimar que a taxa de reprodução do coronavírus no Reino Unido está agora abaixo de 1, sobretudo graças às pessoas que ficam em casa. Se isso estiver correcto, o número de novos casos estabilizará e diminuirá nas próximas 6 semanas.

Isto pode matar menos pessoas do que pensávamos

Das pessoas que ficaram infectadas com a COVID-19, não temos certeza de quantas morreram, mas a 31 de Março o Centre for Evidence Based Medicine (CEBM) de Oxford reduziu a sua estimativa de 0,51% para 0,1 a 0,26%.

Entre outras coisas, pensam que algumas pessoas que foram classificadas como tendo morrido de COVID-19 não morreram de facto da doença, mas sim de condições graves preexistentes, e por acaso tinham COVID-19 quando morreram.

0,1 a 0,26% é menor do que a maioria das outras estimativas de especialistas. Sinceramente, também é menor do que a minha estimativa.

Mas espero realmente que o CEBM esteja certo.

Os testes estão a aumentar rapidamente na maioria dos países

Nos EUA passaram de 350 pessoas testadas a 7 de Março, para 30 mil a 19 de Março e para 101 mil a 1 de Abril.

Como mostra a figura abaixo, entre os países que divulgam os dados dos testes, são comuns grandes aumentos como este.

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A pequena Islândia já testou quase 6% da população e está a divulgar os seus dados de uma maneira que facilita bastante a análise por parte de outras pessoas.

Os supermercados estão a reabastecer e a criar novos empregos rapidamente

Algumas pessoas preocuparam-se com a possibilidade de não conseguirmos comprar comida suficiente, porque a COVID-19 poderia interferir nas cadeias de abastecimento comerciais e de supermercados.

Até agora, isso não parece estar a acontecer. O supermercado britânico Tesco espera voltar aos níveis normais de armazenamento dentro de semanas.

De facto, contrataram 35 mil pessoas nos últimos dez dias, o que os ajudou a expandir as entregas de 660 mil, há duas semanas, para 780 mil, nesta semana, com planos para aumentar mais.

Isso parece bastante comum face ao trabalho estável que as redes de supermercados estão a fazer ao lidar com esta crise, o que significa que menos pessoas terão de deixar as suas casas para comprar mantimentos.

Estamos a aprender aquilo que precisamos de saber para responder de forma inteligente

Em breve, saberemos muito mais sobre qual é a proporção da população que terá ou já teve COVID-19, algo sobre o qual temos poucas certezas até agora. Essas informações são essenciais ao decidir qual deve ser a nossa resposta, por exemplo, determinar quando será seguro para as pessoas começarem a sair de casa com mais frequência.

Questionários quase aleatórios ao público em geral, incluindo pessoas sem qualquer sintoma, estão a ser realizadas na Áustria, EUA, Islândia, Reino Unido e provavelmente em muitos outros países.

Caso viva no Reino Unido, pode inscrever-se para ser testado num destes estudos aqui.

Estamos a fazer um rápido progresso tecnológico em todas as frentes

Por exemplo, esta semana a empresa farmacêutica Abbott Laboratories disse que estava a lançar um teste para o vírus SARS-COV-2 que poderia demorar apenas cinco minutos e “ser realizado numa máquina portátil do tamanho de uma torradeira”. A empresa alemã de tecnologia Bosch diz que fez o mesmo.

Na segunda-feira, a Johnson & Johnson afirmou ter identificado uma possível vacina e o governo dos EUA estava a investir mil milhões [Br. 1 bilhão] de dólares no seu desenvolvimento.

Outro grupo está a investigar maneiras de iniciar testes com possíveis vacinas em seres humanos mais cedo, usando voluntários interessados e corajosos, que não foram difíceis de encontrar.

Em Março, a Organização Mundial da Saúde lançou um “mega-estudo” global de quatro potenciais tratamentos.

Os estudos na 3.ª fase para o Remdesivir foram lançados no Reino Unido já nesta semana. O Remdesivir foi descrito num artigo como o candidato antiviral mais promissor contra a COVID-19.

Finalmente, a Moderna Therapeutics começou a realizar testes em seres humanos para um novo tipo de vacina em meados de Março. É o caso mais rápido do mundo a passar da identificação de uma nova doença para a realização de testes de vacinas em pessoas.

Tem sido inspirador ver o mundo a unir-se para ajudar a combater esta pandemia, incluindo biólogos, estatísticos, engenheiros, funcionários públicos, médicos, funcionários de supermercados, gerentes de logística, fabricantes ou inúmeras outras funções.

Outra boa notícia é que muitas das inovações em políticas, diagnósticos e tratamentos adoptadas acima não nos ajudarão apenas a derrotar a COVID-19, mas também nos deixarão muito melhor preparados para a próxima pandemia, quando quer que esta chegue.

Como Toby Ord, autor de The Precipice, escreveu esta semana,

“Os desafios à nossa frente são sérios. Mas se aprendermos as lições correctas com esta catástrofe, podemos emergir não mais fracos, mas mais fortes — melhor preparados para lidar com os riscos existenciais do futuro.”

Essa esperança, e lembrarmo-nos de ver o que está a resultar, pode ajudar a manter-nos motivados nestes meses difíceis à nossa frente.


Texto publicado originalmente por Robert Wiblin na 80,000 Hours, a 3 de Abril de 2020.

Tradução de Rosa Costa e de José Oliveira.

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