COVID-19: priorizar intervenções e doações individuais

Por Catherine Olsson e Ian David Moss (EA Forum)

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Coronavírus, como ajudar no Brasil? (Arte digital: José Oliveira | Fotografias: Pixabay)

NOTA : O cenário de financiamento da COVID-19 está a evoluir rapidamente. Iremos actualizar este texto com novas informações, revendo as recomendações de doações. Por favor verifique aqui periodicamente as informações mais recentes […] [base de dados completa de oportunidades].

Autores: Catherine Olsson e Ian David Moss, com contribuições dos membros do colectivo Pandemic Endowment “Funding Rational Actors Prontly” (FRAPPE).

No início de Abril, um grupo de cerca de 20 amigos reuniu um grupo no chat do Messenger para debater como aplicar com maior eficácia os fundos de doações pessoais destinados a mitigar o sofrimento global causado pela COVID-19. O que começou como um esforço informal resultou na distribuição de mais de 400 000 dólares para instituições de caridade nesta lista e influenciou indirectamente cerca de 6 milhões de dólares em capital adicional, devido principalmente a decisões de uma única grande fundação.

Uma motivação determinante do nosso grupo foi encontrar problemas negligenciados e urgentes numa resposta eficaz à COVID que pudessem ser atenuados com financiamento rápido ou outras acções de apoio. A acção rápida pode ser uma fonte importante de alavancagem filantrópica nas respostas à actual pandemia, um factor que não vimos explorado em profundidade nas análises disponíveis das oportunidades de doação relacionadas com a COVID. Assim, resumimos aqui a nossa investigação na esperança de que outros possam usá-la para sustentar as suas próprias doações.

Este artigo está organizado em duas partes. Na primeira partilhamos o nosso âmbito de trabalho de priorizar intervenções, o que nos ajudou à organização num cenário de rápidas mudanças que de outra forma seria muito confuso. Na segunda parte, enumeramos oportunidades de doação específicas (ir para a secção) consideramos que a partir deste momento (finais de Junho de 2020) estas têm uma classificação muito elevada neste enquadramento.

Escrevemos este texto principalmente para ajudar os doadores que já tenham decidido concentrar-se na COVID-19 pelos seus próprios motivos. Não demos prioridade à avaliação do valor relativo das doações relacionadas com a COVID em comparação com outros problemas ou causas, embora abordemos esse assunto resumidamente no final.

Algumas declarações de intenção: esta investigação e as nossas doações estão a ser feitas numa capacidade puramente pessoal, e nenhum de nós actua como funcionário, representante ou porta-voz do nosso empregador ou de qualquer outra organização. Além disso, como não temos informações completas sobre inúmeras oportunidades e a situação está em rápida mudança, nada do que se segue deve ser encarado como a decisão final das oportunidades de doação relacionadas com a COVID. Dito isso, tentámos arduamente chegar às melhores decisões que conseguíssemos num curto período de tempo, usando os recursos que possuíamos e iremos actualizar periodicamente esta publicação à medida que a nossa perspectiva continue a evoluir.

I. Sumário e Recomendações

Ao avaliar as intervenções face à COVID-19 quanto à importância/escala, a nossa intuição é procurar os seguintes cinco “factores de escala”:

  1. Agir rapidamente, porque já está a ocorrer um sofrimento largamente disseminado e que é evitável, visto que a mitigação é mais custo-eficaz quando os números de casos activos são menores e porque muitas intervenções potencialmente impactantes exigem tempo de preparação.
  2. 🌍 Concentrar a ajuda nos pobres do mundo, devido tanto à vulnerabilidade desproporcional como aos grandes números.
  3. 😷 Estratégias de mitigação baratas para limitar ou retardar a propagação da doença, mesmo em populações em que a contenção total não seja possível. Estamos particularmente interessados ​​em intervenções que sejam custo-eficazes relativamente aos encargos que estas impõem à sociedade.
  4. 🔬 Investigação e desenvolvimento científico que apoiem qualquer uma das facetas mencionadas do problema, porque um dólar gasto em investigação pode desbloquear benefícios mais tarde com ordens de magnitude maiores. Isto inclui vacinas para prevenir que se contraia a doença, tratamentos terapêuticos que reduzam a gravidade para aqueles que a contraíram, diagnósticos e outras áreas.
  5. 📊 Informação e defesa da causa para esclarecimento e motivação de respostas políticas que tenham uma maior probabilidade de alcançar os resultados desejados numa perspectiva global.

Por enquanto, recomendamos as seguintes oportunidades de doação, pois acreditamos que cumprem muitos destes critérios e que têm espaço para mais financiamento:

  • Open Source Medical Supplies, uma colaboração de base popular que influencia a comunidade internacional de fabricantes para projectar, produzir e distribuir equipamento médico a trabalhadores de hospitais e à comunidade em geral.
  • Protege BR, empenham-se em mapear, ligar e coordenar uma rede de centenas de fabricantes para produzir EPI [Equipamentos de Protecção Individual] e para distribuí-los pelos profissionais de saúde em todo o Brasil.
  • Fast Grants, um mecanismo de financiamento de rápido retorno para investigação à COVID-19.
  • COVID-END, uma iniciativa para aprimorar a colaboração e reduzir a duplicação entre os grupos que conduzem análises rápidas da pesquisa para definir políticas face à COVID-19.

Além disso, identificámos várias outras organizações que realizam trabalho promissor e que têm o potencial de se destacarem como recomendações principais à medida que ficámos a saber mais sobre elas e/ou à medida que o seu trabalho se vai desenvolvendo.

II. Quadro geral: Que coisa má está a acontecer? O que poderia levar a que acontecesse menos?

Nesta secção, descrevemos os componentes da crise actual nos quais se poderia intervir para produzir um resultado melhor. Partes desta secção podem ser óbvias para alguns leitores; no entanto, o que é “óbvio” para alguns pode ser “surpreendente” para outros; portanto, parece-nos que vale a pena reafirmar o quadro geral.

Duas coisas estão a acontecer:

  • O problema de primeira ordem: uma infecção que se está a espalhar, provocando uma doença que está a causar danos às pessoas.
  • O problema de segunda ordem: tanto a doença como a resposta estão a prejudicar a capacidade das pessoas trabalharem, consumirem, movimentarem-se, distribuírem bens e cuidarem de si mesmas e dos outros, o que está a prejudicá-las.

Problema de primeira ordem: uma infecção que se está a espalhar, provocando uma doença.

O quadro epidemiológico básico é o seguinte:

  1. Cada pessoa que tenha a doença infecta em média um determinado número de outras pessoas.
  2. Inicialmente a doença propaga-se exponencialmente (R0 > 1) nas populações de pessoas susceptíveis que tenham contacto contagioso entre si.
    • O mundo não está uniformemente misturado, pelo que diferentes “populações” estão a passar por diferentes dinâmicas de transmissão.
  1. Se não forem tomadas medidas para reduzir o R0 para menos de 1 e não houver vacina, a propagação exponencial começará a diminuir numa população apenas quando uma grande fracção desta tiver sido infectada, de tal maneira que a doença comece a ficar sem hospedeiros susceptíveis.
    • O número de pessoas infectadas necessárias para atingir a “imunidade de grupo” é de 1-1 / R0 (por exemplo, R = 3 → 66,7%). No entanto, as epidemias têm uma quantidade de impulso, por isso uma fracção maior de pessoas acaba por ser infectada (“extrapolação”). ( ver tópico de @CT_Bergstrom )

Para ter uma noção destas dinâmicas, o simulador em https://ncase.me/covid-19/ é o melhor recurso pedagógico que vimos até ao momento.

[…]

Que medidas podemos tomar para tornar os impactos directos menos prejudiciais?

  1. Reduzir o número total de pessoas que ficam infectadas. Por exemplo:
    • Mitigar até que surja uma vacina. (Veja “O Martelo e a Dança“)
      • Algumas populações podem evitar vir a atingir o ponto de imunidade de grupo/saturação da população, implementando uma combinação de estratégias que mantêm o R0 baixo ou mesmo por vezes abaixo de um. Será necessário continuar a mitigação até que uma vacina esteja disponível.
    • Baixar o ponto de saturação da imunidade de grupo.
      • Algumas populações serão incapazes de evitar atingir a imunidade de grupo, mas como a percentagem da população infectada num estado estacionário saturado é uma função de R0, então se R0 puder ser mantido mais baixo (por exemplo, usando máscaras em público), menos pessoas irão ser infectadas.
    • Reduzir a extrapolação.
      • Nas populações que tendem para a imunidade de grupo, uma redução oportuna do R0 próximo do pico da infecção pode reduzir infecções desnecessárias por extrapolação, a um custo menor do que manter essa estratégia por um longo período de tempo. (@CT_Bergstrom)
    • Reduzir o contacto contagioso entre pontos de contágio e grupos susceptíveis.
    • Criar e implementar uma vacina.
  1. Reduzir a quantidade de sofrimento por pessoa que fique infectada. Por exemplo:
  • Desenvolver e implementar tratamentos que diminuam a grau de gravidade ou de mortalidade entre os casos.
  • Espaçar as infecções dentro de uma população ao longo de um período mais longo, para que as pessoas sejam tratadas por um sistema médico menos sobrecarregado ou apenas tratadas por uma rede de apoio social menos sobrecarregada. (Esta é uma motivação para a estratégia de “achatar a curva”.)
  • Impedir que os profissionais de saúde, em particular, sejam infectados, para que o sistema médico possa providenciar um atendimento de qualidade superior. De acordo com uma análise, a aplicação desta intervenção em países de baixos rendimentos proporciona um perfil de custo-eficácia competitivo face às instituições de caridade recomendadas pela GiveWell .

Problema de segunda ordem: perturbações na vida e nos meios de subsistência das pessoas

Para além dos impactos directos na saúde das pessoas que ficam doentes, há impactos indirectos. As pessoas que estão doentes ou preocupadas se irão ficar doentes não trabalham, consomem, viajam, distribuem mercadorias, ou participam nas suas comunidades na mesma proporção ou nos mesmos padrões de antes. Além disso, estratégias de mitigação (como confinamentos, programas de teste e rastreamento, uso obrigatório de máscara ou campanhas de educação) irão moldar ainda mais o comportamento das pessoas, para além de custarem dinheiro. Estes padrões alterados de actividade e de produção, e os custos financeiros directos e indirectos, já se estão a manifestar em perda de empregos, escassez de alimentos e outras perturbações na vida e nos meios de subsistência das pessoas. Particularmente nos países mais pobres, os efeitos indirectos da doença podem causar mais danos do que a própria doença, uma vez que não são apenas prejudiciais por si só, mas agravam muitos problemas sociais que já existiam (outras doenças, fome, violência doméstica, educação, desigualdades de acesso aos serviços essenciais, etc.).

Algumas estratégias de mitigação são muito mais caras do que outras, em termos de dinheiro e de outras perturbações. No caso de uma pandemia anterior, por exemplo, uma análise concluiu que “o rastreamento de contactos [atempado] foi estimado em 4 363 vezes mais custo-eficaz do que o encerramento de escolas (2 260 dólares vs. 9 860 000 de dólares por morte evitada)”. Embora não possamos presumir que esses índices se apliquem necessariamente à COVID, uma diferenciação igualmente ampla entre o custo-eficácia de diferentes estratégias não seria surpreendente.

Além disso, algumas estratégias de mitigação levam muito mais “tempo de preparação” do que outras (por exemplo, o encerramento de uma escola pode ser feito imediatamente, mas o rastreamento de contactos não pode ser iniciado até que os rastreadores tenham formação e sejam  contratados), e ainda assim as mitigações são melhores quando os números de casos são baixos (o que é verdade no início da propagação da doença ou após um período bem-sucedido de supressão). Isto significa que as regiões mais ricas podem implementar métodos dispendiosos e disruptivos desde o início de maneira a ganhar tempo para estabelecer métodos mais baratos posteriormente, mantendo baixos os números de casos durante todo o processo de mitigação; pelo contrário, as áreas de baixos rendimentos não se podem dar ao luxo de fazê-lo com tanta facilidade.

Finalmente, as estratégias de mitigação existem num ambiente de políticas e informações que podem facilitar ou impedir resultados desejáveis. Como um exemplo particularmente destacado, a Organização Mundial de Saúde e os Centros de Controlo de Doenças dos Estados Unidos recomendaram que o público em geral evitasse adquirir ou usar máscaras nos meses iniciais da pandemia, apenas para, eventualmente, reverter estas recomendações perante novas provas. O facto de essas instituições, no início, terem tomado o que aparentemente foi uma decisão errada, provavelmente, fez com que se tornasse mais difícil para as autoridades públicas impor o uso de máscaras, agora que é uma prática amplamente aceite.

Que medidas podemos tomar para tornar os impactos indirectos menos prejudiciais?

  • Apoiar de forma directa (por exemplo, transferências de dinheiro) ou indirecta (por exemplo, programas e serviços) pessoas cujas vidas foram perturbadas ou provavelmente serão perturbadas num futuro próximo.
  • Mudar para estratégias de mitigação que sejam mais eficazes em relação aos seus custos, reduzindo os dólares gastos e as perturbações geradas para o mesmo resultado.
  • Agir mais rapidamente ao implementar estratégias de mitigação, pois são mais eficazes quando os números de casos são menores.

III. Priorização: Que medidas serão provavelmente “mais eficazes”?

Ao priorizar intervenções, os factores habituais a serem considerados sob a perspectiva do altruísmo eficaz são a escala, a negligência e a exequibilidade. Pensamos que a urgência é outro factor importante neste caso.

[…]

IV. Oportunidades específicas de doação

Destacamos primeiro as poucas oportunidades gerais de doação que encontramos até agora nesta fase da nossa investigação, seguidas por outros candidatos promissores divididas por áreas. Embora tenhamos um tempo limitado para identificar e avaliar organizações, agora chegamos a um ponto na nossa investigação em que nos sentimos bastante satisfeitos com a maioria das oportunidades listadas abaixo.

Oportunidades às quais planeamos doar

Open Source Medical Supplies 😷 Mitigação barata, 🌍 Pobres no mundo, ⏰ Agir rapidamente. […]

Protege BR : 😷 Mitigação barata,🌍Pobres no mundo, ⏰ Agir rapidamente.

  • O que faz: Inspirado pela comunidade da  Open Source Medical Supplies, a Protege BR empenha-se em mapear, ligar e coordenar uma rede de centenas de fabricantes brasileiros para produzir itens de EPI [Equipamentos de Protecção Individual] e distribuí-los pelos profissionais de saúde em todo o país. Administrado pela organização brasileira Olabi, cresceu rapidamente numa questão de semanas e já providenciou a doação de mais de 700 000 protecções faciais para o sistema de saúde brasileiro, juntamente com outros produtos.
  • Por que queremos financiá-la: Desde Junho, o Brasil é um potencial desastre humanitário, como resultado da pressão exercida pela COVID sobre os seus sistemas de saúde, especialmente nas regiões norte do país. O país mais populoso da América Latina não está apenas a sofrer um dos piores surtos do mundo, como este também se passa onde as instalações e infra-estruturas hospitalares são consideravelmente mais fracas do que as disponíveis nos Estados Unidos e na Europa. Além disso, as instituições brasileiras, particularmente o governo federal, pouco fizeram seja para tentar conter a disseminação ou para isolar a população dos efeitos económicos da pandemia. Apesar de tudo isto, a comunidade global destinou uma quantidade desproporcionalmente pequena de ajuda à região e as principais organizações internacionais de ajuda não parecem estar a reagir com rapidez suficiente ou a funcionar próximo da escala necessária. Aumentar a disponibilidade de EPIs para os profissionais de saúde, onde a oferta é escassa, é sem dúvida uma das coisas mais custo-eficazes que qualquer doador pode apoiar neste momento, e podemos acreditar que o impacto se reduz de maneira linear com investimentos em níveis menores de doação.
  • Acções: A Protege BR concordou em trabalhar connosco para coordenar as doações a pequenos fabricantes de EPIs no Brasil. Para fazer uma doação, contacte info@protegebr.org para obter instruções e envie em simultâneo para iandavidmoss@gmail.com para que possamos ajudar caso seja necessário.

Fast Grants:🔬 Investigação científica, ⏰ Agir rapidamente. […]

COVID-END : 📊 Definir e coordenar políticas, 🌍 Pobres no mundo, ⏰ Agir rapidamente. […]

Oportunidades promissoras, com algumas questões em aberto/reservas 

Pobres no mundo

Médicos Sem Fronteiras: 😷 Mitigação barata, 🌍 Pobres no mundo, ⏰ Agir rapidamente. […]

GiveDirectly (Internacional): 🌍 Pobres no mundo, ⏰ Agir rapidamente. […]

GiveIndia: 🌍 Pobres no mundo, ⏰ Agir rapidamente. […]

Development Media International: 😷 Mitigação barata, 🌍 Pobres no mundo, ⏰ Agir rapidamente. […]

CDC de África: 😷 Mitigação barata, 📊 Definir e coordenar políticas, 🌍 Pobres no mundo, ⏰ Agir rapidamente. […]

Vacinas, diagnósticos e tratamentos

COVID-19 Fundo de Tratamento Precoce: 🔬 Investigação científica, ⏰ Agir rapidamente. […]

ACT Accelerator: 🔬 Investigação científica, 🌍 Pobres no mundo, 📊 Definir e coordenar políticas, ⏰ Agir rapidamente. […]

1 Day Sooner [1 dia mais cedo]: 🔬 Investigação científica, ⏰ Agir rapidamente. […]

Consultoria/conhecimento/recursos para políticas

IDinsight: 🌍 Pobres no mundo, 📊 Definir e coordenar políticas, ⏰ Agir rapidamente. […]

Center for Global Development: 🌍 Pobres no mundo, 📊 Definir e coordenar políticas. […]

Rapid Reviews COVID-19 (sem link):🔬Investigação científica.

[…]

V. Adenda: Deve-se priorizar a resposta à COVID em detrimento de outras prioridades do AE?

Escrevemos este texto principalmente para ajudar os doadores que já tenham decidido concentrar-se na COVID-19 pelos seus próprios motivos. Não damos prioridade à análise do valor relativo das doações relacionadas com a COVID em comparação com outras questões ou causas. Esta publicação não deve ser vista como tendo qualquer posição, a favor ou contra, na questão de se dar prioridade à COVID-19 em relação a outros problemas ou causas.

Dito isto, sabemos que esta questão é importante para muitos AEs e queríamos oferecer aqui algumas breves reflexões sobre o assunto.

Avaliar a custo-eficácia relativa de doações com o “tema COVID” vs. “tema não COVID” é mais difícil do que se estes fossem tópicos/áreas totalmente separáveis. Em vez disso, os efeitos da pandemia estão interligados de várias maneiras face às acções dos doadores e ao trabalho das organizações que estes apoiam. (Essa interligação parece ser menos pronunciada em áreas de causa como os  riscos-x da IA e mais pronunciado para áreas de causa como saúde global e preparação face a pandemias).

Algumas dessas interacções interligadas apontam contra dar-se prioridade à COVID:

  • Os doadores e outros financiadores estão a enfrentar imensa pressão para intensificar as suas doações e atenção directa para esta pandemia. Como resultado, a luta contra a malária e outras intervenções globais em saúde provavelmente ficarão ainda mais subfinanciadas do que o habitual, não apenas hoje, mas potencialmente por vários anos.

Algumas destas interacções interligadas apontam a favor de se dar prioridade à COVID:

  • A tremenda perturbação global desencadeada pela pandemia pode ser prejudicial para outros trabalhos que os AEs consideram importantes (por exemplo, perturbações nas cadeias de abastecimento podem atrapalhar o acesso às ferramentas de controlo da malária), daí que trabalhar para resolver a causa raiz da perturbação pode ser um das maneiras mais eficazes de permitir que o trabalho mais importante regresse ao bom caminho.
  • Uma resposta melhorada a esta crise pode traduzir-se numa melhor preparação para futuras pandemias.
  • Os doadores da GiveWell, motivados pela promessa de impacto garantido de instituições de caridade profundamente examinadas e custo-eficazes, devem aceitar que a situação actual marca um afastamento significativo das condições sob as quais essas intervenções demonstraram funcionar bem.

Estes factores apontam para um cenário complicado cuja clarificação não empreendemos aqui. De maneira geral, embora não estejamos a sugerir que os AE redireccionem as suas doações para instituições de caridade eficazes que já apoiam, especialmente no campo da saúde global, pensamos que há fortes razões para os AEs considerarem doações adicionais específicas da COVID. Além disso, a situação está a evoluir tão rapidamente que ainda não existe um consenso estabelecido sobre o que é mais eficaz fazer-se, portanto acreditamos que é importante que os AEs, individualmente, assumam o papel de pensar cuidadosamente sobre o que consideram ser o melhor a fazer nestes tempos incomuns actuais, em vez de se submeterem exclusivamente à opinião de vozes confiáveis ​​no mundo do AE.

(Para outra publicação no Fórum AE que tenha uma opinião diferente, consulte a resposta COVID-19 como intervenção de riscos-x)


Excerto do texto publicado originalmente por Catherine Olsson e Ian David Moss no EA Forum, a 6 de maio [e actualizado a 22 de Junho] de 2020.

Tradução de Rosa Costa e de José Oliveira.

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