Qual é realmente o argumento a favor do altruísmo eficaz?

Por Benjamin Todd (EA Forum)

Altruísmo eficaz, nova definição? (Arte digital: José Oliveira | Fotografias: Pixabay)

Acabámos de lançar um podcast comigo sobre quais são realmente os argumentos essenciais a favor do altruísmo eficaz e as suas possíveis objecções.

Pretendia falar sobre este assunto porque me parece que muitas pessoas – mesmo até muitos apoiantes – não assimilaram a defesa essencial que estamos a estabelecer.

Como primeiro passo para lidar com isso, parece-me que poderíamos esclarecer melhor qual é realmente a defesa chave do altruísmo eficaz e quais são os argumentos a favor daquilo que se defende. Parece-me que isso também nos ajudaria a melhorar a nossa compreensão do altruísmo eficaz.

O trabalho existente mais relevante é a introdução ao altruísmo eficaz de Will MacAskill na Norton Introduction to Ethics, embora aí se argumente em defesa de que temos uma obrigação moral de promover o altruísmo eficaz e eu queira formular o argumento sem o tornar numa obrigação moral. O que digo também está de acordo com a definição de altruísmo eficaz de MacAskill.

Parece-me que é necessário muito mais trabalho nesta área e não tenho uma resposta definitiva, mas espero que este episódio desencadeie a discussão. Há também muitas outras questões sobre a melhor maneira de transmitir a mensagem do altruísmo eficaz depois deste ter sido clarificado, questões nas quais, em geral, não entro.

Em resumo, este é o ponto em que me encontro. Por favor, vejam o episódio para obterem mais detalhes.

O que se defende: se desejarmos contribuir para o bem comum, é um erro não promovermos o projecto do altruísmo eficaz.

O projecto do altruísmo eficaz: é definido como a procura das acções que mais contribuem para o bem comum (em relação com o seu custo). Pode ser dividido 1) num projecto intelectual – um campo de investigação que visa identificar essas acções e, 2) num projecto prático para colocar essas descobertas em prática e ter um impacto.

Eu defino o “bem comum” da mesma forma que Will MacAskill define o bem em “A definição de altruísmo eficaz”, como aquilo que mais aumenta o bem-estar de uma perspectiva imparcial. Esta é apenas uma definição provisória e aproximada, que pode ser revista.

As três premissas principais que sustentam a defesa do AE são:

  1. Propagação: há grandes diferenças na medida em que as diferentes acções (com custos semelhantes) contribuem para o bem comum.
  2. Identificabilidade: podemos encontrar algumas destas acções de alto impacto por meio de um esforço razoável.
  3. Novidade: as acções de alto impacto que podemos encontrar não são as mesmas que as pessoas que desejam contribuir para o bem comum costumam encontrar.

A ideia é que se algumas acções contribuem muito mais do que outras, podemos encontrar essas acções, e estas não são iguais ao que já estamos a fazer, por isso – se quisermos contribuir para o bem comum – vale a pena procurar essas acções. Caso contrário, não estamos a conseguir alcançar o máximo possível em defesa do bem comum e poderíamos alcançar melhor a meta que estabelecemos.

Além disso, podemos dizer que é um erro maior não promover o projecto do altruísmo eficaz quanto maior for o grau de sustentação de cada uma das premissas. Por exemplo, quanto maior for o grau de propagação, mais estamos a abdicar ao não fazermos essa procura (e o mesmo se aplica às outras duas premissas).

Podemos pensar na importância do altruísmo eficaz quantitativamente como o quanto a nossa contribuição aumenta ao aplicarmos o altruísmo eficaz em comparação com o que faríamos de outra forma.

Infelizmente, não há muito escrito sobre como as acções diferem em eficácia ex ante, considerando todos os aspectos, e gostaria de ver mais investigação nesta área.

No episódio também discuto:

  • Alguns argumentos gerais para explicar por que razão as premissas parecem plausíveis.
  • Alguns caminhos potenciais para objectar contra estas premissas – não penso que estas objecções funcionem conforme declarado, mas gostaria de ver mais trabalho para as tornar melhores. (Penso que a maioria das melhores objecções ao AE são sobre o AE na prática e não sobre as ideias subjacentes).
  • Equívocos comuns sobre o que é realmente o AE e algumas especulações sobre a razão destes terem começado.
  • Algumas ideias básicas sobre como, face a estas questões, podemos melhorar a forma como transmitimos a mensagem do altruísmo eficaz.

Gostaria de ver as pessoas a desenvolver os argumentos, a tornar as objecções melhores e a pensar em como melhorar a transmissão das mensagens. Há muito trabalho a ser feito.

Se estiverem interessados em trabalhar nisto, posso partilhar alguns rascunhos de documentos com um pouco mais de detalhe.Vejam o episódio completo e a transcrição.


Publicado originalmente por Benjamin Todd no EA Forum, a 26 de Setembro de 2020.
Tradução de José Oliveira.

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