Resumo Executivo sobre Mudanças Climáticas e Recomendações de Doação

Por John Halstead (Founders Pledge)

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Mudanças climáticas, para onde doar? (Arte digital: José Oliveira | Fotografias: Pixabay)

Este é um resumo do nosso relatório na área da causa das Mudanças Climáticas. O relatório completo pode ser encontrado aqui, e as recomendações de doação baseadas nesta pesquisa são: a The Coalition for Rainforest Nations [Aliança das Nações com Florestas Tropicais] e a Clean Air Task Force [Força de Intervenção Ar Puro].

As mudanças climáticas são um problema sem precedentes que requer cooperação global sem precedentes. No entanto, os esforços globais para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa falharam até agora. Este relatório discute a ciência, a política e a economia das mudanças climáticas e o que os filantropos podem fazer para ajudar a melhorar o progresso no combate às mudanças climáticas.

1. O desafio climático e o progresso até agora

A primeira secção apresenta uma visão geral da ciência das mudanças climáticas, o que precisa ser feito para se evitar o aquecimento perigoso e o progresso obtido até agora.

Pode-se marcar o advento da Revolução Industrial com a patente de James Watt para o motor a vapor em 1769. Até esse momento, na maior parte da história da humanidade, as concentrações de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera rondavam as 280 partes por milhão (ppm). Recentemente, ultrapassaram as 400 ppm pela primeira vez em centenas de milhares de anos. Isso foi impulsionado pelo aumento desmesurado da desflorestação e pela queima de combustíveis fósseis desde a Revolução Industrial. O CO2 e outros gases com efeito de estufa, como o metano, permanecem na atmosfera e retêm parte do calor que sai do planeta, causando o aquecimento global. A métrica da equivalência em CO2 (CO2e) indica o efeito de aquecimento de todos os gases com efeito de estufa em termos do efeito de aquecimento do CO2.

O desafio que a humanidade enfrenta não é reduzir as taxas de emissões para um nível mais baixo: se as emissões continuarem a uma taxa positiva constante (mesmo baixa), as concentrações atmosféricas das concentrações de gases com efeito de estufa continuarão a aumentar e o mesmo ocorrerá com as temperaturas globais. Portanto, precisamos atingir as zero emissões líquidas. Por outras palavras, a menos que comecemos a remover o CO2 da atmosfera, eventualmente não poderá haver emissões de centrais eléctricas, indústria, carros, navios, aviões ou desflorestação. Atingir o zero líquido no contexto de uma crescente procura de energia será extremamente exigente. O progresso até agora tem sido fraco. As emissões aumentaram quase sem controle desde 1950, com aumentos recentes em grande parte impulsionados pela China. A parcela de energia de baixas emissões de carbono mal aumentou nas últimas duas décadas.

Actualmente, a maior parte da energia de baixas emissões de carbono é fornecida por energia hidroeléctrica, energia nuclear e biomassa sustentável. As provas sugerem que todas as tecnologias de baixo carbono serão necessárias para se obter uma descarbonização profunda, incluindo as tecnologias mencionadas, além de fontes renováveis ​​não hidroeléctricas (como solares e eólicas), armazenamento de energia e captura e armazenamento de carbono.

2. Selecção de intervenções

A segunda secção discute quais serão as intervenções que provavelmente fornecerão o maior impacto por dólar doado. Os problemas importantes e tratáveis ​​provavelmente serão aqueles em que é mais custo-eficaz trabalhar. Problemas importantes afectam grande parte da totalidade das emissões. É fácil progredir (quanto à utilidade marginal) nos problemas tratáveis. Um determinante essencial da tratabilidade é a negligência, que depende da atenção que um problema recebe dos filantropos, governos e do sector privado. A importância e o grau de negligência são relativamente fáceis de quantificar, e classificamos diferentes intervenções de acordo com esses dois critérios. Depois de classificar as intervenções, discutimos se os outros factores que influenciam a tratabilidade, além da negligência, são suficientemente fortes para afectar a hierarquização geral das intervenções.

Avaliamos e comparamos intervenções centrando-nos em seis tecnologias e sectores:

  1. Garantir a implantação ideal da energia solar e eólica.
  2. Garantir a eficiência energética ideal.
  3. Garantir a implantação ideal da energia nuclear.
  4. Garantir a implantação ideal da captura e armazenamento de carbono.
  5. Garantir o investimento ideal em inovação tecnológica de baixas emissões de carbono.
  6. Garantir o investimento ideal na prevenção de emissões pelas mudanças na exploração florestal e no uso da terra.

Também avaliamos intervenções centradas em políticas em quatro áreas geográficas: China, EUA, Índia e UE. Concluímos que a captura e armazenamento de carbono, a energia nuclear, a inovação nas baixas emissões de carbono e a exploração florestal são os sectores e as tecnologias de maior valor nas quais se deve trabalhar. A defesa da energia solar e eólica e da eficiência energética provavelmente será menos custo-eficaz, porque não é negligenciada. A Índia é a área geográfica de maior prioridade, embora também seja provável que o trabalho nos EUA e na China tenha impacto.

Essa priorização de intervenções orientou a nossa escolha de organizações sem fins lucrativos recomendadas.

3. Recomendação de instituições de caridade

Temos duas recomendações para doadores interessados ​​em mudanças climáticas: a Coalition for Rainforest Nations e a Clean Air Task Force. Ambas as organizações têm um histórico excepcional e estamos confiantes de que o seu trabalho futuro terá um grande impacto nas emissões de gases com efeito de estufa. Ambas as organizações estão envolvidas em advocacia política, que é difícil de avaliar, mas que garante um elevado efeito de alavancagem. Este relatório avalia o impacto contrafactual do passado de cada organização com alguma profundidade. A nossa discussão sobre o impacto contrafactual do passado pode ser de interesse metodológico, bem como de interesse substantivo para o filantropo centrado no impacto.

The Coalition for Rainforest Nations

A The Coalition for Rainforest Nations (CfRN) é uma organização intergovernamental de mais de 50 nações com florestas tropicais que trabalha para promover a sustentabilidade ambiental e, ao mesmo tempo, criar oportunidades de avanço económico nos países em desenvolvimento com florestas tropicais. Foi fundada em 2004 pelo Primeiro Ministro da Papua Nova Guiné e pelo Presidente da Costa Rica. Os países participantes da CfRN colaboram voluntariamente em iniciativas desenvolvidas em conjunto, lideradas pelo Secretariado da CfRN com sede em Nova York.

Acreditamos que o CfRN teve um impacto positivo extremamente grande nas mudanças climáticas, desempenhando um papel fundamental no estabelecimento de um acordo global sobre a desflorestação nos tratados da ONU sobre mudanças climáticas. A partir de 2005, o CfRN lançou e defendeu um mecanismo conhecido como Redução de Emissões pela Desflorestação e Degradação Florestal (REDD+) na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). Sob a REDD+, os países em desenvolvimento recebem uma compensação baseada em resultados para evitar a desflorestação e a degradação e para conservar e aumentar as reservas de carbono.

Em grande parte, graças ao CfRN, o REDD+ foi consagrado no artigo 5 do Acordo de Paris de 2015. A exploração florestal é o único sector com um artigo próprio. Tendo ajudado a estabelecer a REDD+ em acordos climáticos globais, o CfRN agora concentra-se na consolidação e implementação da REDD+ e no aumento de financiamento público e privado da REDD+. De acordo com nosso modelo de custo-eficácia, uma doação ao CfRN poderá evitar uma tonelada de CO2e por 0,12 dólares, com uma variação plausível de 0,02 a 0,72 dólares. De forma equivalente, uma doação de 100 dólares para a CfRN evitaria ~857 toneladas de CO2e com uma variação de ~138 toneladas a ~4600 toneladas. Estas estimativas são altamente incertas. Para contextualizar, a pessoa média no Reino Unido causa a emissão de cerca de 10 toneladas de CO2 por ano, e geralmente é considerado difícil evitar uma tonelada de CO2e por menos de 2 dólares.

No geral, a CfRN é uma oportunidade única de doação devido ao seu estatuto como organização intergovernamental e à sua capacidade de alavancar políticas internacionais de exploração florestal.

The Clean Air Task Force

A The Clean Air Task Force (CATF) é uma organização não governamental com sede nos EUA que trabalha para reduzir poluentes climáticos e não-climáticos por meio de pesquisa e análise, liderança em advocacia pública e parceria com o sector privado. Foi fundada em 1996 com o objectivo de promulgar uma política federal de redução da poluição do ar causada pelas centrais eléctricas a carvão americanas. Essa campanha teve muito sucesso e contribuiu para o encerramento de grande parte da frota de carvão dos EUA. Conceberam e dirigiram em conjunto inúmeras outras campanhas de sucesso, ajudando a estabelecer o controlo do CO2 no sector de energia dos EUA; regulamentos de emissões de diesel; regulamentos de emissões do transporte marítimo; e regulamentos de emissões de metano da produção de petróleo e gás.

O papel da CATF no ecossistema das ONGs ambientais tem sido concentrar-se frequentemente em fontes de emissões negligenciadas por outras ONGs ambientais, a concepção e o desenvolvimento de campanhas pragmáticas para atingir essas emissões e a mobilização de filantropos e outras ONGs ambientais maiores. A CATF também produz pesquisas de alta qualidade, que são bem vistas entre os filantropos, cientistas, especialistas em políticas e burocratas do governo com quem conversamos.

Avaliamos três dos projectos anteriores da CATF:

  1. Campanha de centrais eléctricas e purificar o ar: poluentes não climáticos (1996–2006).
  2. A Campanha Parceiros do Metano (2000 – até ao presente).
  3. Campanha de incentivos fiscais para a captura e armazenamento de carbono (2009 – até ao presente)

Para todos esses projectos bem-sucedidos, a CATF desempenhou um papel catalisador na concepção de campanhas e na liderança das campanhas. Acreditamos que, através dos seus trabalhos anteriores, desde a sua formação, a CATF produziu grandes benefícios para a saúde humana e evitou uma tonelada de CO2e por 1,26 dólares, com um intervalo de confiança de 0,35 a 4,40 dólares. De forma equivalente, por 100 dólares, a CATF evitou 79 toneladas de CO2e (de 22 a 283 toneladas).

O principal objectivo actual da CATF é ampliar a rápida implantação das tecnologias de baixas emissões de carbono necessárias para a descarbonização profunda, com um objectivo particular nas tecnologias que são importantes, mas negligenciadas por ONGs e governos ambientais. Dadas as áreas de interesse da CATF, o seu excelente histórico e força organizacional, acreditamos que é provável que uma doação para esta organização produza benefícios da ordem de 1 dólar por tonelada de CO2e. De forma equivalente, uma doação de 100 dólares evitaria cerca de 100 toneladas de CO2e.

No geral, a CATF é uma organização excepcional, que demonstrou a capacidade de obter um impacto fora do comum com um orçamento relativamente pequeno.


Publicado originalmente por John Halstead no Founders Pledge a 1 de Maio de 2019.

Tradução de José Oliveira.

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