Você é o 1%: como uma pessoa pode salvar dezenas de vidas

Menino em meio ao lixo. Foto de gary yim via Shutterstock.com

Menino em meio ao lixo. Foto de gary yim via Shutterstock.com

 Você não precisa ser rico para fazer uma enorme diferença no mundo ao fazer doações à caridade. Você só precisa procurar as oportunidades certas.

Se você mora em uma cidade cara como Nova Iorque ou São Francisco e tem um emprego comum – digamos que é um gerente de escritório, e não um magnata das tecnologias ou um investidor bancário – você provavelmente não se sente particularmente rico. O fosso entre os ricos e o resto de nós é o maior desde a Grande Depressão.

Mas é fácil esquecer o quão rico você realmente é: se você ganhar 52.000 dólares por ano, você é mais rico do que 99% das pessoas no planeta. Com um salário de 28.000 dólares, você está no top dos 5%. E mesmo se você estiver abaixo da linha de pobreza americana de 11.000 dólares por ano, você ainda está ganhando mais do que 85% da população mundial. [N. do T. A título de exemplo a renda per capita no Brasil segundo o IBGE foi de R$24.065 em 2014. Ou seja, ainda no top 15%]

Um novo livro chamado Doing Good Better [N. do T. Fazer Melhor o Bem], lançado em 28 de julho, usa a disparidade do rendimento global, juntamente com alguns outros cálculos econômicos, como base para algo chamado de multiplicador 100x. Se você fizer uma doação a algumas das pessoas mais pobres do mundo, seu dinheiro vai valer 100 vezes mais do que se você tivesse gastado consigo mesmo. Mesmo que você se sinta impotente diante dos grandes desafios do mundo, a desigualdade de fato o coloca em uma posição única para ajudar. O livro diz:

“Não é muitas vezes que você tem duas opções, sendo que uma das quais é cem vezes melhor do que a outra. Imagine um happy hour onde você poderia comprar uma cerveja por cinco dólares ou comprar cerveja para alguma outra pessoa por apenas cinco cêntimos. Se fosse esse o caso, nós provavelmente seriamos muito generosos – a próxima rodada é por minha conta! É como uma venda com um desconto de 99 por cento, ou como ganhar um bônus de 10.000 por cento. Poderia ser o negócio mais incrível que você veria em sua vida.”

Agora, dos 358 bilhões de dólares [Pt. 358 mil milhões] que os americanos doam todos os anos, apenas 5% vai diretamente para outros países. Mas, uma vez que o nosso dinheiro vale muito mais em um lugar como Ruanda, o livro argumenta que seria melhor gasto em organizações sem fins lucrativos funcionando no exterior. Esse é um dos princípios do altruísmo eficaz, movimento liderado pelo filósofo moral Peter Singer, que traça considerações sobre como é possível que doadores possam fazer o maior bem com o dinheiro que doam.

Muitas pessoas nem sequer consideram doar a nível mundial. “Eu acho que a razão mais básica é que a escala da pobreza extrema e da desigualdade mundial é inimaginável”, diz o autor do livro, William MacAskill, um professor de filosofia de 28 anos de idade da Universidade de Oxford.

“Eu acho que nós vivemos em um mundo moralmente bastante contra-intuitivo. Quando olhamos para as pessoas pobres que vivem nos Estados Unidos, que vivem com 11 mil dólares, pensamos que essas pessoas são muito pobres. É mesmo uma situação muito estranha do mundo, quando essas pessoas ainda fazem parte das 15% mais ricas do mundo, sendo que ainda são 20 vezes mais ricas do que o 1 bilhão de pessoas mais pobres [Pt. mil milhões].”

 

Embora possa parecer mais natural doar localmente – as pessoas com dificuldades que vemos todos os dias desencadeiam a nossa empatia e muitas pessoas quererem ajudar suas próprias comunidades – MacAskill argumenta que é arbitrário doar a uma organização local só porque, por que acaso, ela está na nossa vizinhança. “Todo mundo tem o mesmo direito a uma vida boa”, diz ele. Se é possível salvar literalmente várias vidas com uma doação anual, em contraposição ao financiamento de uma pequena parte de programas nos EUA, ele acredita que devemos escolher salvar estas vidas.

Algumas pessoas podem optar por ir ainda mais longe, tendo a disparidade do rendimento global como inspiração para uma posição diferente na abordagem a uma carreira que faça o bem, algo que MacAskill chama de “ganhar para dar.” O livro conta a história de um jovem médico britânico que queria maximizar o número de vidas que poderia salvar e considerou ir trabalhar para África. Fazendo as contas, ele descobriu que só seria responsável por salvar algumas vidas ao longo de sua carreira no Reino Unido; em África, ele poderia salvar centenas.

Mas ele escolheu uma terceira opção: ao escolher uma especialidade lucrativa em medicina, ele foi capaz de ganhar o suficiente para poder doar metade do seu rendimento à distância. Através de suas doações, ele percebeu que seria capaz de salvar dezenas de vidas a cada ano, muito mais do que jamais poderia através de seu trabalho.

O médico, que foi capaz de doar mais de 100.000 dólares por ano, é um caso extremo. Mas mesmo com um rendimento menor e com doações menores  um americano médio (ou Britânico ou da Coréia do Sul, etc.) tem uma capacidade surpreendentemente enorme de ajudar. Parte disso envolve a escolha de apoiar apenas as organizações mais eficazes, algo que o livro explica em detalhe. Mas também se assenta sobre o simples fato de o quão longe um único dólar pode ir em certos lugares.

Na página inicial da Giving What We Can, uma organização fundada por MacAskill, uma calculadora pode lhe dizer exatamente o quão rico você é comparado com o resto do mundo. Também informa quantos medicamentos e quantas centenas de mosquiteiros você poderia financiar, se você desse 10% do seu rendimento para salvar vidas e quantas vidas poderia salvar em um ano.

 

Post Publicado originalmente por ADELE PETERS em 22 de Julho de 2015 em http://www.fastcoexist.com/3048757/you-are-the-1-how-one-person-can-save-dozens-of-lives

Tradução: Thiago Tamosauskas e José Oliveira (revisão)

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