O Precipício: Introdução e Capítulo I

Por Toby Ord (EA Forum)

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Como evitar os riscos de extinção da humanidade? (Arte digital: José Oliveira | Fotografias: Pixabay)

Estamos a partilhar, com permissão, o início do “The Precipice: Existential Risk and the Future of Humanity[O Precipício: Riscos Existenciais e o Futuro da Humanidade] de Toby Ord.

O texto abaixo é um breve excerto. Pode ler o resto aqui, embora seja necessário adquirir o livro para ler as notas de rodapé.

Excerto

Se tudo correr bem, a história humana está apenas a começar.

A humanidade tem cerca de duzentos mil anos. Mas a Terra permanecerá habitável por mais centenas de milhões — tempo suficiente para milhões de gerações futuras; suficiente para acabar para sempre com a doença, a pobreza e a injustiça; suficiente para criar expoentes de florescimento inimagináveis nos dias de hoje. E, se pudéssemos aprender como ir mais longe no cosmos, poderíamos ter ainda mais tempo: biliões [Br. trilhões] de anos, para explorar milhares de milhões [Br. bilhões] de mundos. Tal longevidade coloca a humanidade actual na sua infância mais precoce. Uma vasta e extraordinária vida adulta nos aguarda.

A nossa visão deste potencial é facilmente obscurecida. O último escândalo atrai a nossa indignação; a última tragédia, a nossa simpatia. O tempo e o espaço encolhem. Esquecemos a escala da história de que fazemos parte. Mas há momentos em que nos lembramos — quando a nossa visão se altera, e as nossas prioridades se realinham. Vemos uma espécie precariamente próxima da autodestruição, com um futuro de imensas promessas em suspenso numa balança. E o lado para o qual descai essa balança, torna-se a nossa mais urgente preocupação pública.

Este livro argumenta que salvaguardar o futuro da humanidade é o derradeiro desafio do nosso tempo. Pois encontramo-nos num momento crucial da história da nossa espécie. Alimentado pelo progresso tecnológico, o nosso poder cresceu tanto que, pela primeira vez na longa história da humanidade, temos a capacidade de nos destruirmos a nós mesmos — amputando todo o nosso futuro e tudo aquilo em que nos poderíamos tornar.

No entanto, a sabedoria da humanidade só tem crescido de forma vacilante, se é que tem crescido, e fica perigosamente para trás. A humanidade carece da maturidade, coordenação e antevisão necessárias para evitar cometer erros dos quais poderíamos nunca recuperar. À medida que cresce o fosso entre o nosso poder e a nossa sabedoria, o nosso futuro está sujeito a um nível de risco cada vez maior. Esta situação é insustentável. Assim, ao longo dos próximos séculos, a humanidade será posta à prova: ou actuará decisivamente para se proteger a si própria e ao seu potencial a longo termo, ou, com toda a probabilidade, este será perdido para sempre.

Para sobreviver a estes desafios e assegurar o nosso futuro, temos de agir agora: gerindo os riscos de hoje, evitando os de amanhã, e tornando-nos o tipo de sociedade que nunca mais irá colocar tais riscos a si mesma.

Leia o resto do capítulo


Publicado originalmente por Toby Ord no EA Forum, a 2 de Janeiro de 2021.

Tradução Rosa Costa e José Oliveira.

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