“Quanto doar” é uma questão pragmática 

Quanto devo doar? (Arte digital: José Oliveira | Fotografia: Kelly Sikkema)

Recentemente, falei com uma pessoa que tinha começado a pensar no altruísmo eficaz e que estava a tentar perceber como isso poderia vir a fazer parte da sua vida. A pessoa está bem estabelecida na sua carreira, a ganhar bem, e a sua formação não é a mais adequada para fazer trabalho directo, por isso estava naturalmente a pensar em ganhar para doar. Isso levanta a questão de quanto doar.

“Quanto?” é uma questão com que as pessoas se debatem há muito tempo. Doar 10% do rendimento tem uma longa história, e é comum os altruístas eficazes comprometerem-se a fazê-lo; doar 2,5% do património também é uma tradição. No entanto, se está a ganhar para doar, talvez queira doar mais: A Julia e eu temos doado 50%; o Allan Saldanha tem doado 75% desde 2019. Como havemos de decidir?

Esperava que houvesse boas publicações do AE sobre este tema, mas depois de passar algum tempo a pesquisar no EA Forum e no Google, não encontrei nenhuma. O Claude estava sempre a dizer-me que devia consultar o blogue do Jeff Kaufman, mas só encontrei uma publicação rudimentar de 2011. Por isso aqui está uma tentativa que me parece ser melhor do que a minha antiga publicação, mas que, ainda assim, não é a ideal.

Embora os altruístas eficazes falem muito sobre princípios, penso que esta é essencialmente uma questão pragmática. Para mim, a escala dos problemas do mundo é esmagadora; ninguém tem dinheiro suficiente para eliminar a pobreza, as doenças ou os riscos de nos extinguirmos. Isto não quer dizer que os donativos não sejam importantes — há muitas opções excelentes para melhorar o mundo — mas não há-de haver um ponto em que eu fique satisfeito e diga “Pronto! Já está feito”. Isto dá um forte incentivo intelectual para doar até ao ponto em que doar mais começaria a diminuir o meu impacto altruísta, ao interferir no meu trabalho; se tivermos um esgotamento não maximizamos o nosso impacto!

Por outro lado, não sou totalmente altruísta. Gosto de algum conforto, há coisas divertidas que quero fazer e quero que a minha família tenha uma vida boa. Estou disposto a ir bastante longe em termos de altruísmo (doo 50% e aceitei uma redução salarial de 75% para fazer um trabalho mais valioso), mas tudo é uma questão de equilíbrio.

O que significa que o meu principal conselho é que se informe sobre o que precisa para fazer uma escolha equilibrada. Recomendo que faça alguns orçamentos diferentes: como seria a sua vida se doasse 5%? 10%? 20%? Para descobrir onde cortar, pode ser útil ignorar o aspecto da doação: como mudaria o seu orçamento se a sua área de actividade começasse a correr mal?

De certa forma, a Júlia e eu tivemos isso facilitado: começámos a explorar estas ideias no início das nossas vidas, quando vivíamos com pouco dinheiro, e ainda podíamos ter cuidado com os luxos a adoptar e manter gostos mais baratos. É muito mais difícil cortar! Por isso, outra coisa que recomendo, especialmente se ainda não tiver atingido o pico dos seus rendimentos, é planear doar uma fracção desproporcionalmente grande dos aumentos salariais. Por exemplo, 10% do seu salário (ajustado à inflação!) de 2024 mais 50% de qualquer montante acima desse valor.

De um modo geral, o objectivo é encontrar um nível em que se sinta bem com os seus donativos, mas que ainda assim lhe permita ter dinheiro suficiente para prosperar. Esta é uma questão muito pessoal e as pessoas chegam a várias conclusões diferentes. Mas seja qual for a sua decisão, terei todo o gosto em trabalhar consigo.



Descubra mais sobre Altruísmo Eficaz

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe um comentário