Quanto custa acabar com a pobreza?

Carteira com dinheiro | flickr.com

Quanto custa acabar com a pobreza? | flickr.com

Causa certa indignação quando lemos notícias trazendo dados como estes em que as 85 pessoas mais ricas do mundo controlam uma riqueza equivalente à da metade da população mundial. É perturbador pensar que um grupo vive no luxo e desperdiça enquanto bilhões de pessoas morrem de fome. Estatísticas como estas podem nos levar a entender que essas 85 pessoas são as únicas vilãs e o resto da humanidade é completamente composto de pobres impotentes.

Não é bem assim. Estas mesmas estatísticas mostram que qualquer pessoa que possua um total de bens superior a R$8.600 (o equivalente a um carro usado) já possui mais riqueza do que os 3,5 bilhões de pessoas mais pobres. Em termos de renda, ganhar mil reais por mês já o coloca acima de 76% da população mundial. Ou seja, ganhando quatro vezes mais do que a média de renda global.

Isso nos leva a pensar, qual é a nossa parcela de responsabilidade?

Jeffrey Sachs em seu livro “O Fim da Pobreza” calcula que poderiamos acabar com a pobreza extrema em vinte anos com um investimento anual de cerca de $124 bilhões por ano. Parece muito? Tenha em mente que essa cifra representa apenas  0,62%  da renda gerada nos países mais ricos do mundo. Só os gastos militares dos Estados Unidos ($623 bilhões) poderiam, todos os anos, cobrir cinco vezes este valor. Podemos tirar da miséria 2 bilhões de pessoas por um valor muito menor do que aquilo que gastamos anualmente com bebidas alcoólicas ($227 bilhões).

Hoje temos globalmente um produto mundial bruto na casa dos 75 trilhões de dólares, esta é a riqueza gerada por todas as pessoas do mundo juntas. Ora os 124 bilhões que seriam necessários para acabar com a pobreza extrema representam apenas 1,65% deste valor. Ou seja, num cálculo grosseiro, para acabar com a miséria do mundo inteiro, bastaria dedicar apenas 1,65% da nossa renda àqueles que mais precisam.

Podemos criticar os países mais ricos que não ajudam tanto quando poderiam. Podemos acusar aquelas 85 pessoas que detêm metade da riqueza global de não estarem fazendo tudo o que podiam. Mas nós estamos? Se os criticarmos também podemos ser alvo de crítica, pelo menos enquanto não fizermos nossa parte. Ou seja, dedicar 1,65% de nossa renda pessoal (ou quem sabe um pouco mais!) por esta boa causa.

Talvez 1,65% da sua renda não seja uma quantia tão grande como no caso de um milionário. Mas usado de maneira racional seu dinheiro pode ter um grande impacto positivo na vida de muitas pessoas. É justamente por isso que os altruístas eficazes se dedicam a fazer com que cada centavo doado seja usado da melhor forma possível. Não adianta apenas criticarmos os mais ricos, pois para bilhões de pessoas NÓS somos os mais ricos.

Conheça a nossa proposta e idéias e faça parte da solução.

 


Autoria de Thiago Tamosauskas. Revisão de José Oliveira

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