Por que você deve tornar públicas as suas boas ações

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Devemos tornar públicas as nossas boas ações? | Flickr

Quando comecei a doar, eu o fazia de forma anônima. Costumo ser humilde e evitar exibicionismos. Não queria que os outros à minha volta pensassem que eu tenho nariz empinado ou uma opinião muito alta de mim mesmo. Também não queria que julgassem minhas decisões de doação, pois alguns poderiam julgá-las negativamente. Eu também mantinha um padrão de associação da partilha pública das minhas boas ações com sentimentos que tenho a partir da publicidade, da auto-promoção e da vigarice.

Gostaria de ter sabido nessa época que poderia ter feito um bem muito maior, ao divulgar as minhas doações e outras boas ações, tais como assinar o compromisso da Giving What We Can de doar 10% do meu rendimento a instituições de caridade eficazes.

Por que mudei de idéias sobre tornar isso público? Permitam-me compartilhar um pouco da minha experiência para lhe dar o contexto apropriado.

Desde que me lembro, eu sempre me interessei em analisar como e porquê os indivíduos e os grupos avaliam o seu ambiente e tomam as suas decisões para alcançarem os seus objetivos o pensamento racional. Este tópico se tornou o foco da minha pesquisa como professor no estado de Ohio em história da ciência, estudando a intersecção da psicologia, da neurociência cognitiva, da economia comportamental e outros campos.

Enquanto a maioria dos meus colegas se concentravam na pesquisa, a minha paixão crescia cada vez por compartilhar meus conhecimentos com os outros, concentrando meus esforços em um ensino inovador de alta qualidade. Entendia o meu trabalho como altruísmo cognitivo, compartilhava o meu conhecimento sobre o pensamento racional, e os alunos manifestavam grande apreço no meu foco em ajudá-los a tomar melhores as decisões em suas vidas. Por outro lado, eu me envolvi em doações anônimas para causas tais como a redução da pobreza.

No entanto, ao longo do tempo, percebi que, ensinando apenas em sala de aula, eu teria um impacto muito limitado, uma vez que os meus alunos eram apenas uma pequena minoria da população que eu poderia potencialmente atingir. Eu comecei a consultar a literatura acadêmica sobre como espalhar o meu conhecimento amplamente. Através da leitura de clássicos no campo da influência social, como Influence: The Psychology of Persuasion e Made To Stick, aprendi muitas estratégias para multiplicar o impacto do meu trabalho de altruísmo cognitivo, assim como de minhas doações à caridade.

Uma das lições mais importantes foi o valor de tonar públicas as minhas atividades. Tanto Influence: The Psychology of Persuasion como pesquisas posteriores mostraram que nossos pares influenciam profundamente os nossos pensamentos, sentimentos e comportamentos. Nós tendemos a avaliar-nos com base no que os nossos pares pensam de nós e tentamos moldar comportamentos que farão com que outras pessoas tenham opiniões positivas sobre nós. Isto não se aplica apenas a reuniões em pessoa, mas também às comunidades on-line.

Um fenômeno relacionado, a prova social, ilustra como nós avaliamos o comportamento adequado com base em como vemos os outros se comportando. No entanto, a pesquisa também mostra que pessoas que apresentam comportamentos mais benéficos, tendem a evitar expressar-se face àqueles com comportamentos menos benéficos, resultando em um dano social global.

Aprender sobre a importância de tornar algo público, inclusive em comunidades on-line que atingem muito mais pessoas do que as comunidades físicas, especialmente por pessoas envolvidas em hábitos socialmente benéficos, levou a uma profunda transformação no meu envolvimento cívico. Apesar de não ter sido fácil superar minha timidez, eu percebi que tinha que fazer isso se queria otimizar meu impacto positivo no mundo ‒ tanto no altruísmo cognitivo como na doação eficaz.

Compartilhei este percurso de aprendizagem e transformação com a minha esposa, Agnes Vishnevkin, uma MBA e profissional sem fins lucrativos. Juntos, decidimos fundar uma organização sem fins lucrativos dedicada a difundir o pensamento racional e a caridade eficaz a um público amplo, usando estratégias baseadas em pesquisas para maximizar o impacto social, a Intentional Insights. Somando esforços com outros comprometidos com esta missão, escrevemos artigos, blogues, fazemos vídeos, escrevemos livros, criamos aplicativos e colaboramos com outras organizações para compartilhar estas idéias amplamente.

Também me baseio em pesquisas para tomar outras decisões, como a minha decisão de assumir o compromisso da Giving What We Can. A estratégia de compromisso prévio é fundamental aqui tomamos uma decisão em um estado em que temos tempo para considerar as suas consequências a longo prazo e queremos, especificamente, restringir as nossas próprias opções no futuro. Dessa forma, podemos planejar dentro de um leque apertado de opções e fazer o melhor uso possível dos recursos que nos estão disponíveis.

Assim, posso planejar viver com 90% do meu rendimento ao longo da minha vida, e planejar diminuir alguns dos meus gastos a longo prazo, para que possa dar a instituições de caridade que acredito serem as mais eficazes no tipo de impacto que quero ver no mundo.

Sabendo da importância de divulgar minhas boas ações e compromissos, reconheço que posso fazer um bem muito maior, compartilhando a minha decisão de assumir o compromisso com os outros. Todos nós temos amigos, e a grande maioria tem canais nas redes sociais e todos temos o poder de tornar públicas as nossas boas ações. Você também pode considerar a angariação de fundos para instituições de caridade eficazes, e ser um defensor do altruísmo eficaz em sua comunidade.

De acordo com a literatura acadêmica, tornar públicas nossas boas ações pode trazer muita coisa boa ao mundo. Mesmo que isso não seja tão palpável como doações diretas, partilhar com os outros sobre as nossas boas ações e apoiar os outros a fazer o mesmo, pode, no final, nos permitir fazer ainda um bem maior.


Publicado originalmente por Gleb Tsipursky no Blogue da Giving What We Can (a 23 de dezembro de 2015).

Tradução de Thiago Tamosauskas. Revisão de José Oliveira.

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