O que há de novo no Open Philanthropy Project?

Por Effective Altruism Global

OpenPhil

Open Philanthropy Project, o que há de novo? (Arte digital: José Oliveira | Fotografia: CEA)

HOLDEN KARNOFSKY fala sobre o Open Philanthropy Project, a priorização de causas, os seus próprios hábitos de trabalho e muito mais. Nesta conversa informal, moderada por Will MacAskill, o Director Executivo do Open Phil explica o que pensa sobre uma variedade de tópicos.

“Poderíamos colocar cada intervenção numa balança e, em seguida, dizer quantas unidades de bem, por assim dizer, estamos a realizar para cada dólar que gastamos? E então simplesmente dividiríamos o dinheiro de modo a obter o máximo no geral. Isso pode assemelhar-se a investir dinheiro na nossa melhor causa e, a determinado ponto, quando esta deixa de ser a nossa melhor causa, porque se está a obter um retorno menor, investimos dinheiro numa outra causa, e assim por diante.

Há aquilo que considero um problema com esta abordagem, embora nem todos considerem isso um problema. O que considero um problema é que nos deparamos com duas perguntas fundamentais que parecem ser muito difíceis de evitar. Essas perguntas são muito difíceis de responder e também têm um impacto realmente grande na forma como fazemos doações. Uma delas é: como valorizamos os animais em comparação com os seres humanos? Por exemplo, como valorizamos as galinhas em comparação com os seres humanos?

Por um lado se valorizamos, digamos, para simplificar, estamos a decidir entre as melhores instituições de caridade da GiveWell que tentam ajudar os seres humanos com intervenções de saúde a nível global: mosquiteiros, transferências de dinheiro, coisas deste género, comparando com grupos de defesa animal que tentam promover o melhor tratamento dos animais na pecuária industrial. Sem especificar muito aquilo a que os números se assemelham, se decidirmos que valorizamos as vivências de uma galinha tanto como 1% das vivências de um ser humano, obtemos o resultado que deveríamos apenas trabalhar em defesa das galinhas. Todo o dinheiro deveria ser investido no bem-estar animal na pecuária industrial.

Por outro lado, digamos que, se vamos de 1% para 0,001% ou 0%. Nesse caso, devemos investir todo o dinheiro na ajuda aos seres humanos. Existe um parâmetro extremamente importante e não sabemos qual deverá ser o seu valor. Quando nos movemos para um número, isso diz-nos que devemos investir todo o dinheiro aqui. E quando nos movemos para outro número, isso diz-nos que devemos investir todo o dinheiro ali. A versão ainda mais complicada desta questão é quando falamos sobre a prevenção de riscos catastróficos globais ou riscos existenciais.

Quando falamos sobre o nosso trabalho em coisas como o risco da Inteligência Artificial, a biossegurança ou as mudanças climáticas, em que o objectivo não é ajudar algum grupo específico de pessoas ou galinhas, mas sim fazer algo que esperamos que seja positivo para todas as gerações futuras, a questão é: quantas gerações futuras existirão? Caso se evite algum tipo de risco existencial, acabamos de fazer o equivalente a prevenir 7 mil milhões [Br. 7 bilhões] de mortes prematuras que é aproximadamente a população mundial ‒ ou acabamos de fazer o equivalente a evitar um bilião de biliões de biliões de biliões de biliões [Br. um trilhão de trilhões de trilhões de trilhões de trilhões] de mortes prematuras? Isso depende de quantas pessoas existirão no futuro. É muito difícil escolher o número certo nesse caso. E qualquer número que se escolha, acaba por tomar conta de todo o modelo.”


Publicado por Effective Altruism Global a 14 de Agosto de 2018.

Tradução de José Oliveira.

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