Sete Grandes Vitórias para os Animais da Pecuária em 2020

Por Lewis Bollard (Open Philanthropy)  

Defesa dos animais da pecuária, quais as maiores vitórias em 2020? (Arte digital: José Oliveira | Fotografias: Pixabay)

Depois de um ano difícil, aqui vão algumas boas notícias. Apesar da COVID, os defensores dos animais da pecuária e das proteínas alternativas alcançaram um ano recorde de vitórias. Aqui estão apenas algumas delas:

  • Uma onda de carne à base de plantas. Três das maiores cadeias de fast food da China – KFC, Dico’s e Starbucks – começaram a vender carne à base de plantas, visto que a principal agência de planejamento estatal da China solicitou investimentos no setor. A McDonald’s anunciou uma linha há muito esperada de carnes à base de plantas, com o nome criativo de McPlant. Os gigantes da alimentação Nestlé, Cargill e Unilever revelaram planos ambiciosos de carne à base de plantas, inclusive na China, e as maiores empresas de carne do Brasil, Japão e Tailândia lançaram novas alternativas de carne. As vendas de carne à base de plantas nas lojas dos EUA cresceram em uma proporção recorde de 30% a 50% face ao ano anterior.

As vendas de carnes à base de plantas nas lojas dos EUA aumentaram durante o primeiro fechamento total face à COVID-19, depois permaneceram em alta de 30% a 50% em relação ao ano anterior. Fonte: COVID-19: IRI e MULO dados de vendas em lojas compilados por Meatingplace (acesso pago).

 

  • A Europa legisla a favor dos animais da pecuária. A Comissão Europeia disse que irá reavaliar as principais diretrizes de bem-estar animal abarcando os seus dois bilhões [Pt. 2 mil milhões] de animais da pecuária, e o Conselho Europeu votou pelo lançamento de um selo de bem-estar animal em toda a UE. O Parlamento Europeu rejeitou, por uma pequena margem, uma proibição de produtos de origem vegetal usando termos semelhantes aos da carne, graças a uma campanha conjunta em defesa dos hambúrgueres vegetarianos. A França e a Alemanha prometeram proibir a matança de pintinhos de um dia de vida e a castração de leitões sem alívio da dor. A República Tcheca votou pela proibição de gaiolas em bateria, assim como o Parlamento holandês, enquanto o Reino Unido se comprometeu a banir o comércio de exportação de produtos vivos. Os três maiores produtores de peles da Europa (Dinamarca, Polônia e Holanda) mudaram a sua posição para restringir a criação de peles.
  • As corporações assumiram compromissos de reformas no bem-estar dos frangos de corte. Os defensores dos animais conseguiram obter compromissos por parte de 120 empresas para melhorar o bem-estar dos frangos de corte, criados pela sua carne. Estas incluíam a segunda maior vendedora da Europa, Aldi, e as duas maiores da França, Carrefour e E.Leclerc (o que significa que todas as maiores vendedoras da França assumiram agora o compromisso). Também incluíram as principais cadeias de frangos Popeye’s e Nando’s UK, e as cadeias de pizzas Pizza Hut e Domino’s nos principais mercados europeus. Estimamos que os novos compromissos para 2020, uma vez implementados, afetarão mais de 350 milhões de frangos por ano ou mais de 40 milhões de frangos vivos a qualquer momento.
  • As empresas assumiram compromissos de reformas para acabar com o uso de gaiolas. Os defensores dos animais conseguiram obter compromissos por parte de 155 empresas para que deixassem de fornecer ovos de galinhas criadas em gaiolas. Estas incluíram o primeiro compromisso global de uma das cinco principais cadeias de fast food, a Burger King, após uma campanha coordenada de grupos em cinco continentes. Estas também incluíram um compromisso de longo prazo da maior vendedora do Brasil, o GPA, e das três últimas das 10 maiores vendedoras da Espanha. Combinado com o progresso anterior, os defensores da causa animal obtiveram agora compromissos das três maiores vendedoras do Brasil e das 10 maiores vendedoras em cada um dos cinco maiores países produtores de ovos da Europa (França, Alemanha, Polônia, Espanha e Reino Unido). Estimamos que os novos compromissos para 2020, uma vez implementados, afetarão mais de 30 milhões de galinhas vivas a qualquer momento.
  • Os compromissos implementados para eliminar o uso de gaiolas. Os defensores dos animais conseguiram obter progressos na implementação dos compromissos de criação de galinhas sem gaiolas, inclusive da maior vendedora da Polônia, a Biedronka, que disse que deixará de vender ovos de galinhas criadas em gaiolas no próximo ano, quatro anos antes do previsto. Os defensores dos animais dos EUA conseguiram uma nova lei eliminando gradualmente a venda de ovos de galinhas criadas em gaiolas no Colorado – até agora aprovaram essas leis abarcando aproximadamente um quarto dos americanos. Novos dados mostraram que mais da metade das galinhas da Europa são criadas fora de gaiolas pela primeira vez, assim como mais de 90 milhões de galinhas americanas, ou 28,5% do total de galinhas na América – subindo de apenas 6% quando as campanhas para eliminar o uso de gaiolas começaram, em 2015.

A porcentagem de galinhas americanas criadas sem gaiolas aumentou acentuadamente desde que as campanhas dos defensores dos animais face a corporações começaram a sério, em 2015. Fonte: Dados do USDA compilados pelo The Humane League Labs.

 

  • A carne cultivada atinge conquistas importantes. As empresas de carne cultivada angariaram mais dinheiro em 2020, cumulativamente mais de 250 milhões de dólares, do que em todos os anos anteriores combinados, lideradas pelo aumento de 161 milhões de dólares da Memphis Meats. Singapura tornou-se o primeiro país a aprovar a venda de carne cultivada; o primeiro ministro israelense tornou-se o primeiro líder nacional a prová-la (afirmou que era “deliciosa e sem sentimento de culpa”); a National Science Foundation tornou-se a primeira agência do governo dos EUA a financiar pesquisas sobre esta em duas décadas (a NASA financiou algum trabalho inicial em 2001); e Robert Downey Jr., tornou-se a primeira celebridade a criar um vídeo animado de si mesmo, falando de seus benefícios (é melhor do que parece).
  • Avanços no bem-estar dos peixes. Os animais de criação intensiva mais negligenciados de todos – aqueles que vivem debaixo d’água – finalmente receberam alguma atenção. A Plataforma da União Europeia sobre Bem-Estar Animal, um órgão consultivo oficialmente reconhecido, adotou padrões de bem-estar dos peixes a serem considerados pela Comissão Europeia. A Friends of the Sea tornou-se a primeira grande certificadora de aquicultura a emitir padrões de bem-estar de peixes, específicos para cada espécie. E o maior produtor mundial de camarão, o CP Foods da Tailândia, anunciou que havia acabado com a prática da extração ocular, poupando dezenas de milhões de camarões de terem os seus olhos arrancados.

A oportunidade filantrópica de acelerar a mudança

Tudo isso foi conseguido por um pequeno corpo de defensores dos animais trabalhando com uma relativa ninharia de financiamento. Dos 450 bilhões [Pt. 450 mil milhões] de dólares que os americanos doaram à caridade no ano passado, menos de um vigésimo de um por cento foram para todos os defensores dos animais da pecuária, abarcando desde as reformas do bem-estar animal até à promoção de proteínas alternativas. Em contraste, três grandes grupos americanos de conservação da natureza (Nature Conservancy, Wildlife Conservation Society e World Wildlife Fund) angariaram seis vezes mais do que os mais de 200 grupos que defendem globalmente os animais da pecuária e as proteínas alternativas conjuntamente.

Dados e fontes: para a doação total dos EUA ao meio ambiente/ causa animal, Giving USA 2020; para os abrigos de animais nos EUA, IBIS World; para os três grandes grupos de conservação da natureza dos EUA (Nature Conservancy, Wildlife Conservation Society, e World Wildlife Fund) contando apenas doações privadas (sem receitas de programas), Forbes e formulário 990s; contagem de todos os grupos que defendem os animais da pecuária (incluindo a promoção de proteínas alternativas, mas excluindo atividades que não são de defesa dos animais como santuários) compilada a partir do formulário 990s e informações privadas (ver dados de 2010-18 aqui).

O aspecto positivo desta negligência é a oportunidade única de fazer o bem. Enfrentamos um enorme desafio: mais de 100 bilhões [Pt. 100 mil milhões] de animais vertebrados sofrendo em condições abismais a todo o momento, com bilhões [Pt. milhares de milhões] mais a cada ano à medida que a pecuária industrial continua a crescer. Mas os defensores dos animais também demonstraram que, através de campanhas focadas e contínuas, podem alcançar grandes vitórias.

Se você tiver essa possibilidade, espero que se junte a mim na doação para apoiar estes defensores dos animais para ajudar mais animais em 2021. Vou doar diretamente para vários grupos e para o Fundo de Instituições de Caridade Recomendadas pela Animal Charity Evaluators e para o Fundo de Bem-Estar Animal do AE (do qual sou um dos gestores), ambos têm atualmente fundos para igualar as suas doações. Há muitas outras excelentes opções também.

Quer você seja um defensor dos animais, financiador ou apoiador, obrigado por tudo o que faz para tornar este progresso possível. Boas festas e que 2021 traga mais progresso!


Publicado originalmente por Lewis Bollard na Open Philanthropy Farm Animal Welfare Newsletter, a 21 de Dezembro de 2021.

Tradução por Ligea Hoki. Revisão José Oliveira.

 

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